A 22 de novembro de 1910 foi imposto o castigo de 25 chibatadas ao marinheiro Marcelino Rodrigues Meneses (mas o comandante fez passar de centena) tripulante do encouraçado Minas Gerais.
O fato provocou a revolta dos demais marinheiros, eis que aquele castigo havia sido abolido pelo Decreto nº 3 de 16 de novembro de 1889, um ano após a abolição da escravatura. O (i) responsável Comandante João Batista das Neves foi morto a bordo e os outros oficiais fugaram.
O episódio ficou conhecido pela “REVOLTA DA CHIBATA” liderada pelo marinheiro negro sul-rio-grandense João Cândido Felisberto, o qual foi expulso da Marinha. Morreu no Rio de Janeiro em 06 de dezembro de 1969, quase anônimo para a envergadura da patente que o povo lhe outorgou pelo heroísmo. “ ALMIRANTE NEGRO”.
A história Oficial nunca aprofundou estudos a respeito. Por isso, aplaudo em pé o trabalho que sei
realizou o escritor-historiador corajoso ALCY CHEUICHE, que com certeza nos brindará com riqueza de detalhes desta omissão voluntária e intencional da história oficial. Desde logo vou retirar senha para formar fila quando a obra for lançada na próxima Feira do Livro de Porto Alegre.
Por dever de justiça, registro que os festejados compositores populares Aldir Blanc e João Bosco
imortalizaram a música “Mestre-Sala-dos-Mares”, a qual, por ser criada nos “anos de chumbo”, foi obrigada a omitir o nome que seus criadores queriam: “ALMIRANTE NEGRO”. “...rubras cascatas/jorravam das costas dos santos entre cantos e chibatas.. O maravilhoso e inteligente povo brasileiro soube sensibilizar-se com esta retomada da história pela voz maviosa de Elis Regina, também sul-rio-grandense, que emprestou seu dom e talento tornando sucesso a música que, dentre outros versos, diz: “Salve, o navegante negro/que tem por monumento as pedras pisadas do cais.”.
A Centenária Sociedade Floresta Aurora tem um busto de João Cândido criado pelo não menos talentoso Vasco Prado.
O Parque Marinha do Brasil em Porto Alegre, hoje detém um busto que é cópia daquele que a sociedade negra abriga com orgulho.
Felizmente João Cândido daqui por diante não terá só por monumento as pedras pisadas do cais. Mas foram necessários 100 anos para restabelecer a verdadeira história brasileira com a RESSUREIÇÃO DO ALMIRANTE BRASILEIRO NEGRO.
(*) Advogado, Ex-Presidente da Sociedade Floresta Autora e do Centro Cultural João Cândido.
Colaboração enviada pelo Conselheiro Deoclécio
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