quarta-feira, 17 de novembro de 2010

É tudo cultura sim!




Nos últimos anos temos avançado muito em termos de reflexão e debate sobre a construção da Gestão Pública da Cultura. No entanto, ainda assim estamos muito longe de uma situação minimamente ideal. Muitas pessoas ainda estão distantes destes debates e não demonstram muito interesse pelo tema.

Na verdade, para a grande maioria da sociedade a cultura ainda é uma atividade supérflua e de menor importância.

Talvez por isso, neste momento, muito mais importante do que a construção de um Sistema Nacional de Cultura ou da própria organização da classe artística, seja o desenvolvimento de uma ampla campanha pela valorização da cultura.

A própria conceituação de cultura precisa ser urgentemente retomada junto ao grande público. A identificação da cultura apenas dentro dos limites da arte é uma percepção prejudicial para a cultura como um todo.

Sabemos que a arte é uma importante dimensão da cultura, no entanto a cultura vai além deste universo. Para muita gente, e talvez este seja o fator que afasta muita gente deste processo, cultura e arte são sinônimos e representam exatamente a mesma coisa. Discutir cultura para muitos é somente discutir a importância da arte.

Não queremos e nem devemos aqui negar a arte, mas a cultura exerce uma reflexão e segue para algo que vai muito além. Quando tratamos da cultura estamos pensando sobre os modos de ser, fazer, agir, pensar. Estamos tratando sobre as formas de se expressar, entre elas a arte. Por isso, quando falamos de cultura estamos falando de educação, de arte, de comunicação, de ciência, de política, de religião, de turismo, de economia, de saúde e até mesmo de esporte. Esporte é Cultura. Tudo é cultura, mesmo que algumas pessoas achem isso um absurdo.

Nós que atuamos como produtores culturais estamos constantemente mexendo com tudo aquilo que diz respeito ao ser humano, e por isso, debatermos a construção de políticas públicas para a cultura, estamos debatendo e refletindo sobre tudo aquilo que diz respeito ao “homem” enquanto espécie.
Por isso a cultura não deve ser entendida e nem tão pouco tratada como se fosse algo de menor valor ou importância como muitos gestores públicos a tratam atualmente. Como aliás a grande a maioria da sociedade trata.

A própria organização do poder público acaba sempre colocando a cultura como um apêndice de tudo, quando na verdade a cultura é justamente o elo que liga tudo. Não é possível por exemplo discutir educação sem pensar na cultura. Não podemos debater comunicação sem cultura. Turismo. Saúde. Política. È tudo cultura.


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