O primeiro momento, ou a primeira onda, seria a Revolução Agropecuária que a milhares de anos provocou uma reorganização estrutural na humanidade. O homem que era nômade, sedentarizou-se em pontos estratégicos, passando a construir civilizações, organizando sociedades.
No século XVIII, a Revolução Industrial registrou uma segunda onda evolutiva, alterou mais ainda o curso da história do homem e a vida das sociedades. Foram transformações muitas profundas nas áreas do conhecimento, da tecnologia, das relações comerciais e sociais. A partir deste momento, nos Estados Unidos, implantou-se um sistema Democrático Republicano, tornando-se independente da Inglaterra, na França houve um rompimento com o regime Absolutista Monárquico. Estes dois movimentos acabaram por produzir documentos que tiveram forte influência no pensamento social, Político, Religioso e Econômico, que foram a Carta dos Direitos do Homem da Phyladelfia e a Declaração dos Direitos do Homem.
Uma terceira onda estaria em andamento, tendo como seu referencial a 2ª Guerra Mundial. Esta mais imediata, diferenciando-se das demais que levaram centenas ou milhares de anos pra se formar.
Em escala crescente o capitalismo desenvolveu-se nas cidades e nos campos, modificando as relações de trabalho no mundo. Com uma nova divisão social do trabalho, começaram a surgir, mais distintamente, as classes sociais, diversificadas, caracterizadas pelas desigualdades e antagonismos.
As desigualdades sociais não foram reduzidas, ao contrario, agravaram-se. Vários elementos da questão social atravessaram a história, entre eles, as lutas camponesas e operárias, as reivindicações dos movimentos segmentados (feminista, negros, etc...), a luta pela terra, resumindo, é a própria dialética social, a luta de classes. O mesmo processo que levou a humanidade ao progresso criou as desigualdades resumidas na Questão Social.
A Questão Social insere-se no contexto do empobrecimento da classe trabalhadora, como dizia Maria Victória Benevides:
“(...) A consolidação e expansão do capitalismo desde o inicio do século XIX, bem como o quadro da luta e do reconhecimento dos direitos sociais e das políticas públicas correspondentes, além do espaço das organizações e movimentos por cidadania social, inserindo a questão social no contexto do empobrecimento do trabalhador”.
No Brasil o Terceiro Setor começou a se organizar nos anos 80, logo após a abertura política, justamente em um período de recessão, a miséria agravava-se tomando conta de uma grande parcela de nossa população. O Terceiro Setor (Sociedade Civil), fortaleceu-se quando começou a tomada de consciência sobre a necessidade da responsabilidade social, traduzindo, assim, uma crítica à atual configuração da sociedade: Essa critica está expressa nas palavras de César Busatto, autor da “Lei da Responsabilidade Social no RS”.
“A humanidade ingressa em um novo século, orgulhosa de suas inúmeras conquistas e vitórias, mas profundamente marcada pelas desigualdades sociais, o mesmo ser humano descobriu a cura de tantas doenças e desenvolveu a tecnologia que nos permite, num piscar de olhos, interagir com cidadãos do outro lado da terra, também feriu a natureza, envolveu-se em guerras sangrentas, gerou ditaduras, amordaçou famílias, roubou a esperança de crianças, abandonou velhos (...) Deixou um rastro de excluídos. Esse mesmo ser humano tem, agora, o desafio de reverter os seus maus feitos. De importância, cresce, portanto, a determinação de milhões de pessoas, de todos os Continentes (...) Em buscar o crescimento do chamado, Terceiro Setor, movido pelo trabalho anônimo de cidadãos que resolveram fazer a sua parte. Sem deixar de cobrar as responsabilidades do poder público, para suprir as carências sociais geradas pela própria sociedade ao longo da história”.
Cada Entidade Tradicionalista, tem autonomia, mas, ao mesmo tempo, são interligadas por seus objetivos comuns, consubstanciados nos Estatutos Sociais, que tem, redação muito parecida. Em 1983, o Movimento Tradicionalista Gaúcho organizado, através de seu Presidente Onésimo Carneiro Duarte, lançou o Plano de Ação Social do MTG, que colocava os CTGs como prestadores, permanentes, de Assistência Social e Comunitária nas mais diversas áreas.
“(...) A tradição gaúcha não haverá de ver com bons olhos a privatização indiscriminada das empresas estatais (...) Que prejudique os interesses da comunidade. Não haverá de se conformar com a diminuição progressiva dos empregos sem que sejam substituídos por ocupações produtivas (...) Nem com os assaltos a previdência social, como o aumento exagerado na idade da aposentadoria (...) O tradicionalismo tem a oferecer uma identidade regional forte, capaz de assumir responsabilidades que garantam o Estado de Direito, pronta a se empenhar na preservação de instituições com a capacidade de formular e implementar políticas de bem-estar para todos, comprometida com o pagamento da ”Divida Social” e com a recusa das inacabáveis medidas de elevado custo social, geradoras de tensões e intranqüilidade. Identidade que é tradição na luta contra a desigualdade e o individualismo, que sabe que a justiça social é pré condição da democracia”.
O Movimento Tradicionalista Gaúcho, com mais de 1.450 entidades, mais de um milhão e meio de associados, com sedes em quase todos os municípios do Estado, possui potencial latente, esperando para ser descortinado.
“(...) Como toda experiência social, o tradicionalismo não proporciona efeitos imediatamente perceptíveis (...) De qualquer forma as gerações do futuro é que poderão indicar, com intensidade, os efeitos desta experiência. Tradicionalismo é o movimento popular que visa auxiliar o Estado na consecução do bem-coletivo através de ações que o povo pratica, com o fim de reforçar o núcleo sócio cultural...”.
FONTE:BLOG ROGERIO BASTOS
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