Jorge Luis Borges não acreditava em biografias. Para ele, o fato de "um indivíduo querer despertar em outro recordações que pertenceram a um terceiro é um paradoxo evidente." Paradoxo ou não, há exatamente 112 anos, nascia, no bairro bonaerense de Palermo, Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo. Filho de uma tradicional família portenha (orgulhava-se de possuir antepassados que figuraram nas diversas revoltas pela independência argentina), foi na biblioteca do pai que Borges se criou, tendo contato desde cedo com clássicos ingleses e espanhóis. Antes dos 10 anos, já tinha traduzido textos de Oscar Wilde e lido boa parte das peças de Shakespeare.
Em 1919, embarcou com a família para a Espanha, onde foi fortemente influenciado pelas vanguardas artísticas que ali floresciam. Frequentou por muito tempo as famosas tertúlias presididas por Rafael Cansinos Assens. Voltou em 1921 a Buenos Aires, cidade que considerava "tão eterna como o mar e o vento" e que deixaria em poucas ocasiões pelo resto de sua vida. Lá, escreveu boa parte de seus contos, poemas e ensaios, foi diretor da Biblioteca Nacional e lecionou na Universidad de Buenos Aires.
Borges sempre foi uma figura controversa, ainda mais quando vivo. Numa época em que o engajamento político era um requisito básico para os artistas, ele chocava a muitos com sua postura conservadora e anti-comunista. Também ajudava o fato de possuir um humor mordaz e irrepreensivo, sempre disposto a emitir opinião (chamou García Lorca de "andaluz profissional" e criticou duramente Pablo Neruda, eterno desafeto).
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| Homenagem que o Google prestou ao escritor |
Leitor inveterado de Borges, Luís Augusto Fischer nos concedeu esta breve entrevista sobre a percepção que os leitores têm dele e de sua semelhança com Machado de Assis.
CLL - Borges é visto como alguém muito frio, cerebral, tanto na vida quanto na obra (há até mesmo acusações de misoginia). É uma concepção errada que temos dele?
Luís Augusto Fischer - Acho que não. O temperamento de Borges é mais clássico do que romântico, o que não o impede de ser um grande escritor. Mesmo na poesia, se você for ver, ele era controlado, preciso, pouco sensualista.
CLL - Queria que você explicasse melhor o ponto de comparação usado no livro Machado e Borges.


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