Grande Sertão: Veredas (Nova Fronteira, 624 páginas, R$ 69,90) é um livro de Guimarães Rosa escrito em 1956, um dos mais importantes livros da literatura brasileira e lusófona. Pensado inicialmente como uma das novelas do livro Corpo de Baile, lançado nesse mesmo ano de 1956, cresceu, ganhou autonomia e tornou-se um dos mais importantes romances da literatura de língua portuguesa.
Trecho
“Tive medo. Sabe? Tudo foi isso: tive medo! Enxerguei os confins do rio, do outro lado. Longe, longe, com que prazo se ir até lá? Medo e vergonha. (...) Tinha ouvido dizer que, quando canoa vira, fica boiando, e é bastante a gente se apoiar nela, encostar um dedo que seja, para se ter tenência, a constância de não afundar (...) E o canoeiro me contradisse:
‘– Esta é das que afundam inteira. É canoa de peroba. Canoa de peroba e de pau-d’óleo não sobrenadam...’
Me deu uma tontura. O ódio que eu quis: ah, tantas canoas no porto boas canoas boiantes (...) e a gente tinha escolhido aquela... Até fosse crime, fabricar dessas, de madeira burra!”


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