A peça se passa no final da Guerra das Rosas, conflito sucessório pelo trono da Inglaterra ocorrido entre 1455 e 1485. No início, Eduardo IV é rei, mas seu irmão Ricardo, Duque de Gloucester, planeja usurpar o trono, nem que tenha que provocar intrigas, matar aliados, amigos e parentes e mentir o que for preciso para atingir seu objetivo. Essa encenação marca o encontro do grupo do Rio Grande do Norte com o encenador mineiro Gabriel Villela, um dos principais diretores teatrais do país, colocando em fricção a fábula britânica com o universo da cultura popular nordestina.
Partindo do célebre texto de Shakespeare, o espetáculo ganha a rua através do universo lúdico do picadeiro do circo, dos palhaços mambembes, das carroças ciganas, criando um diálogo inusitado entre o sertão e a Inglaterra elisabetana. A pesquisa musical do espetáculo parte das “incelenças”, gênero musical tipicamente nordestino, usualmente atrelado aos costumes fúnebres da região, condição adequada à história de Ricardo e sua trajetória de assassinatos e traições, agregando à trilha o rock clássico inglês, o que conecta a Inglaterra ao Nordeste brasileiro.
Veja aqui as outras peças que foram apresentadas no projeto Descentralização do 18º Poa em Cena.
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