Até o dia 27 de setembro, grandes espetáculos estarão presentes na programação cultural da cidade, reafirmando a qualidade e a diversidade que o festival proporciona ao público gaúcho e a posição de destaque que ocupa nas artes cênicas da América do Sul.
Outros grandes nomes passam pela Capital durante o Festival. Peter Brook, Bob Wilson, Phillip Glass, Marianne Faithfull e Adriana Calcanhotto estão entre as atrações da 18ª edição. A programação formativa, outro ponto alto do festival, trará novamente oficinas inéditas com diretores, atores, cenógrafos, iluminadores e técnicos, que darão à classe artística local novos olhares sobre o que está sendo produzido e aplicado nas artes cênicas brasileiras. Os debates e conversas informais com as estrelas do Em Cena e o Ponto de Encontro na Casa de Teatro complementam a programação.
O Porto Alegre em Cena é realizado pela prefeitura, através da Secretaria Municipal da Cultura (SMC), e tem patrocínios da Petrobras, Braskem, NET, Caixa Econômica Federal, Ingresso Rápido e Multiplan – BarraShoppingSul. Conta com apoio cultural da rede Panvel Farmácias.
Para conferir a programação completa do 18º Porto Alegre em Cena, visite o site http://www.portoalegre.rs.gov.br/poaemcena.
OUT OF CONTEXT – FOR PINA – LES BALLETS C DE LA B - BÉLGICA (Dias 13, 14 e 15, às 21h – Teatro do Bourbon Country) - “Out of Context” traz ao público do festival a assinatura de Alain Platel, um dos mais importantes e criativos coreógrafos da dança contemporânea, cuja pesquisa corporal busca uma linguagem que conecte o movimento à inconsciência e ao que não pode ser controlado, gestos que incluem espasmos, convulsões, pequenos cacoetes, dentes rangendo, língua à mostra, olhos piscando, testas franzidas, caretas, etc. Platel usa seu corpo de dançarinos virtuosos para chegar a um resultado de hipnótico encantamento, criando uma deliberada tensão entre o repertório de movimentos descontrolados e blocos tradicionais de coreografia. O subtítulo,“Pina”, dá a pista para a justa homenagem que o célebre coreógrafo presta à Pina Bausch e sua extraordinária contribuição às artes cênicas contemporâneas. Gradualmente o espetáculo se transforma em uma viagem ao passado. “Out of Context” se torna um ritual, reunião de pessoas que já não podem mais encontrar em busca de uma essência anterior, experimentando em si as sensações de algo inesperado e irrecusável.
A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO - RJ (Dias 13, 14 e 15, às 20h – Teatro Renascença) - Em comemoração aos seus dez anos, em 2009, a Cia. PeQuod mergulhou de cabeça na cultura brasileira – para criar um espetáculo em que funde com radicalidade, tradição e modernidade. Livremente inspirada no cordel do mesmo nome, mas também citando o universo dantesco da Divina Comédia, a peça é dividida em dois momentos distintos: o primeiro sem palavras e todo feito com bonecos, e o segundo – que trata da ida do Capitão Virgulino às profundezas do inferno -, combinando de maneira surpreendente atores, bonecos e objetos. A trilha sonora de André Abujamra, executada ao vivo pelos atores da companhia, dão um toque especial ao resultado da encenação, indicada a duas categorias do Prêmio Shell de Teatro (luz e cenário), o que garante o minucioso acabamento do espetáculo.
DENTRO DA NOITE – RJ (Dias 13, 14 e 15, às 18h - Teatro Carlos Carvalho) - O monólogo interpretado por Marcus Alvisi e dirigido por Ney Matogrosso mostra a literatura através do teatro, sem barreiras, buscando encontrar esse ponto de equilíbrio entre as palavras impressas e as palavras cênicas, dando sentido a uma máxima de Artaud: “Teatro é a poesia no espaço.” Trata-se da adaptação para o palco de dois contos do escritor carioca João do Rio, assinados pelo próprio intérprete. O primeiro, “Dentro da Noite” dá título ao trabalho. O segundo é “O Bebê de Tarlatana Rosa”. Em “Dentro da Noite”, Rodolfo conta uma história de sadismo ao seu amigo Justino, dentro de um trem no subúrbio carioca. No segundo, Heitor conta uma história de carnaval absolutamente desconcertante. Na primeira história, o personagem está dentro de um trem; na segunda, numa biblioteca. Um grande ator, um diretor que dispensa apresentações, tudo contribui para que “Dentro da Noite” seja uma das peças mais aguardadas do festival.
MUSIC-HALL – URUGUAI (Dias 13, 14 e 15, às 19h – Teatro Bruno Kiefer) - O texto de Jean Luc Lagarce, respeitado autor francês do século XX, é uma de suas obras mais lúcidas e conhecidas, um manifesto a favor do entusiasmo apaixonado pelo ofício de representar. Lagarce, no entanto, não nos oferece um music-hall tradicional. O dramaturgo se vale do gênero onde prevalecem o canto, a dança, o drama e a comédia, para nos mostrar sua escritura singularmente poética – através de um trio de intérpretes em franca decadência artística, a viver das glórias de seu passado de êxito e sucesso. Sustentados e movidos pela inevitável paixão à ribalta, são impelidos a continuar se exercitando, apesar de todas as dificuldades que enfrentam durante a peça. Espetáculo minimalista, a obra traz no elenco a presença de Bettina Mondino, uma das mais completas atrizes do teatro uruguaio, em atuação unanimemente destacada na imprensa uruguaia.
NEVA – URUGUAI (Dias 13, 14 e 15, às 22h – Teatro de Câmara) - Em São Petersburgo, durante uma tarde de inverno de 1905, enquanto tropas militares reprimem com rigor trabalhadores que se manifestam nas ruas por melhores condições de vida, duas atrizes e um ator tratam de ensaiar num teatro da cidade em frente ao rio Neva. Uma delas é Olga Knipper, famosa atriz do Teatro de Moscou, dirigido pelo célebre Stanislavsky, e esposa do recentemente falecido dramaturgo Antón Tchekhov. Olga se culpa, então, de haver vivido afastada do marido nos últimos anos do matrimônio, enquanto os dois outros atores tratam de ajudá-la a ensaiar “O jardim das Cerejeiras”. Para ajudá-la nessa tarefa, suportando seus ares de diva, Masha e Aleko recriam as circunstâncias reais da morte de Tchekhov em um sanatório alemão. O texto, do chileno Guillermo Calderón, tem sido aclamado por sua reflexão crítica e sarcástica a respeito do próprio fazer teatral, entremeando a situação privada da morte com o drama público da violência.
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