Após publicar contos em diversas coletâneas, ele estreou com a novela infanto-juvenil A Noite das Jaquetas-Pretas, sobre a violência entre torcedores de futebol. No ano passado, foi finalista do Prêmio Açorianos com os contos de O Juiz e o Papagaio. Também em 2010, recebeu o Prêmio Sesc pelo romance As Costelas de Eva.
Apesar de tantas publicações, ele ainda se considera um aprendiz. "Quanto mais aprendo, mais descubro que sei menos do que preciso e imaginava saber", afirma. Ao mesmo tempo, Degrazia não deixa de lado a ironia ao pensar sobre sua profissão: "Sou escritor, ou como dizem alguns colegas, tecnicamente desempregado". Os vinte anos em que trabalhou no comércio e em "cargos burocráticos" não passaram de "um desvio vocacional, embora nunca tenha deixado de ler e escrever nesse tempo todo."
Atualmente, Degrazia divide esse seu tempo de leitura entre Dostoiévski (O Duplo), Philip Roth (Nêmesis), Ford Maddox Ford (O Bom Soldado) e Toni Morrison (A Canção de Solomon). Mas suas preferências não deixam de ser, digamos assim, clássicas: seu autor favorito de todos os tempos é Machado de Assis; a Bíblia e Odisseia são os livros que jamais esqueceu.
Armadilha para Pedro, livro com o qual Degrazia está concorrendo a uma bolsa de R$10 mil e publicação pela Editora da Cidade, é um romance de formação, com forte inspiração autobiográfica. Narra como o protagonista toma consciência de seu lugar no mundo, na Porto Alegre do fim da ditadura militar. "Pedro procura a própria voz através do amor, da amizade e da compaixão", diz o autor. "Mas a violência e o erro embaçam a vocação e o engajamento".
A primeira versão do livro é de 1989. Ele já se encontra na sétima. E, apesar de tudo, Degrazia parece não estar muito nervoso com a perspectiva de premiação. "Se não publicar essa última versão, com certeza vêm outras por aí", avisa.
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