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25 de junho de 2013

IV Dançapontocom começa amanhã como homenagem ao Terpsí


O Centro de Dança da Secretaria da Cultura de Porto Alegre estará realizando de 26 a 30 de junho o IV Festival Dançapontocom. Voltado para a produção contemporânea em dança, o objetivo do evento é o de privilegiar o “encontro”, seja entre criadores, linguagens ou mesmo outros olhares e saberes. Para 2013, preparamos uma programação que privilegia a produção local. O Festival homenageará o Grupo Terpsí, criado em 1987. Na sua trajetória produziu obras emblemáticas, como “Quem é?” (que representou o Estado no Carlton Dance), “Orlando’s” (vendedor do Açorianos de Dança 96), “Ditos e Malditos”, entre outros.
Na plateia de cada espetáculo contaremos com as críticas Suzy Weber e Maria Helena Bernardes. A fim de propiciar um debate amplo e diversificado entre a dança e demais áreas, acontecerá no domingo (Dia 30) um debate aberto ao público com entrada franca com as referidas especialistas e os grupos participantes da programação.
O Festival Dançapontocom é realizado pelo Centro de Dança da Secretaria da Cultura de Porto Alegre com promoção do Clube do Assinante ZH. O valor ingresso é R$ 10,00 com desconto de 50% para Clube do Assinante ZH, estudantes, idosos e classe artística (exceto para as oficinas e videoconferências).
Outras informações podem ser obtidas através do tel. 3289-8063, ou pelo e-mail (tomazzoni@smc.prefpoa.com.br).
Atenção: As inscrições para as oficinas estão com as inscrições abertas até o dia 19 de junho.
Programação:


Dia 26
Homenagem ao Grupo Terpsí Teatro Dança
Montagem “Casa das Especiarias + Painel de Homenagem”
Sala Álvaro Moreyra | 20h
“Casa das Especiarias: Instalação Coreográfica” é motivada pelas sensações provocadas pelas especiarias, um convite a novas experimentações provocadas inicialmente pelo olfato e paladar . Um lugar “casa” repleto de cheiros, sabores, amores e dores um lugar de visitas.
Particularmente, nesse novo processo de criação, é possível nos apropriarmos do espaço que dispomos e misturar linguagens como dança, música, projeções. A obra emerge justamente dessa interação simultânea entre o real e o virtual, provocadores de muitas imagens. Cada fazer uma nova obra ” a obra só é transformadora no fazer… E nesse “fazer”, permanecemos em um eterno e produtivo processo de criação. A obra se modifica a partir de uma transformação que é dos bailarinos/ intérpretes, pois para a Terpsí Teatro de Dança, eles são a própria obra.
FICHA TÉCNICA:
- Intérpretes Colaboradores: Angela Spiazzi, Edson Ferraz, , Francine Pressi, Gabriela Peixoto, Gelson Farias ,Natália Karam e Raul Voges .
- Direção e Concepção: Carlota
- - Interferências visuais : Darjá Cardozo
- Trilha musical original: Vagner Cunha
- Trilha pesquisada: Carlota Albuquerque
- Cenário: Raul Voges e Terpsí Teatro de Dança
- Figurinos: Anderson de Souza e alunos do Curso Tecnólogo em Design de Moda da Faculdade de Tecnologia – Senac / Porto Alegre, Terpsí e Andrew Tassinari
- Criação de Luz: Guto Greca
Painel de Homenagem ao grupo Terpsí, com a presença de Silvia da Silva Lopes, Luciano Alabarse, Leta Etges, Suzana Schoellkopf, Wagner Ferraz, Eneida Dreher, Sayonara Pereira e Sandra Sachs.
Dia 27
“Flor”, performance de Thais Petzhold
Entrada Principal | 18h
“Flor” é uma obra de grande delicadeza, realizada em tempo expandido (mais lento), com música instrumental de extrema qualidade, habitando locais urbanos com grande movimento de pedestres. Esta performance coreografada pela bailarina e coreógrafa Thaís Petzhold e musicada pelo violoncelista Celau Moreyra, tem como proposta levar os artistas Thaís e Celau, que compõem a “célula fixa”, para dialogarem com diferentes artistas, culturas e paisagens urbanas do Brasil. Para isso, artistas locais (residentes de cada estado escolhido) foram convidados para integrar a coreografia e música já existentes, criando um novo diálogo estético em cada cidade. “É a delicadeza da vida que brota a todo instante, sob nossos pés apressados, nosso olhar limitado, nossa mente congestionada. Um sutil chamado para a simplicidade das coisas essenciais que mantém o ciclo da vida (nascimento/morte) e que não percebemos com constância” (Thaís Petzhold)
Ficha Técnica
Concepção, Direção geral e bailarina: Thais Petzhold
Músico: Celau Moreyra
Bailarina convidada: Maria Falkembach
Figurinos: Antônio Rabadan
Dia 28
“Fauno”, do Grupo Jogo - Sala Álvaro Moreyra | 20h | 20h40min
“Re-cintos”, de Muovere Cia de Dança - Teatro Renascença | 21h
Fauno: Um fauno desperta, toca sua flauta e é atraído por ninfas, que o fazem transitar entre o real e o imaginário, entre o desejo que se realizou ou não, consciente ou inconscientemente, na realidade ou no sonho:‘Foi um sonho o que amei?’ O desejo no âmbito imaginário está presente no poema “L'après-midi d'un faune”, de StéphaneMallarmé, como uma descrição do próprio personagem de suas experiências, aspirações e pensamentos íntimos, criando imagens e questionamentos sobre o que se vivencia e o que se projeta a partir de nossa consciência ou da ausência dela.
FICHA TÉCNICA:
Direção: Alexandre Dill | Intérprete: Igor Pretto | Coreografia: Igor Pretto e Alexandre Dill | Cenário: Bruno Salvaterra | Figurino: Fabrízio Rodrigues | Direção de Fotografia e vídeo: Gabriel Faccini e Pedro Henrique Risse | Desenho de luz: Fabrício Simões| Execução de luz: Daniel Fetter | Trilha sonora: Bibiana Peteck e Lívia Santos | Arte Gráfica: Luiza Mendonça | Equipe de apoio: Thainá Gallo, Emanule de Menezes e Vicente Vargas | Divulgação e Produção: Palco Aberto Produtora | Realização: GRUPOJOGO de ExperimentAção Cênica
Re-cintos: Uma das obras mais importantes do repertório da Muovere, RE-SINTOS marca 15 anos de palcos, tendo se apresentado em sete Estados brasileiros. Titulado RECINTOS em 1998, a versão atual resulta num outro espetáculo que percebe o espaço como um dos centros da atividade humana, reinterpretando os padrões de comportamento e lugares com acidez, bom humor e critica. Inspirado na figura do cavalo, RE-SINTOS teve sua pesquisa estética no 4º Regimento da Cavalaria Montada da Brigada Militar de Porto Alegre.
“Na obra da companhia, aberto está um lugar de arte. De dentro para fora, ele nos propõe perguntas sobre a nossa topologia intima [...]. Re-sentir o espaço, para um novo povoar de sentimentos, com posturas em forma de arte corporal” (Cássia Navas, 2013)
FICHA TÉCNICA
Direção Geral e Coreográfica: Jussara Miranda
Direção artística: Diego Mac
Artista convidada/Direção Cênica: Jezebel de Carli
Bailarinos: Didi Pedone, Roberta Savian, Denis Gosch, William de Freitas e Letícia Paranhos
Cenografia: Juliano Rossi e Rudinei Morales
Figurinos: Antônio Rabadãn
Luz: Nara Maia
Direção de produção e relações Institucionais: Patrícia Machado
Cenotécnica: Sandra Santos. Assistente Eduardo Richa
Conceito de Identidade Visual Original: Diego Mac
Designer e mantedor site & identidade visual: Sandro Ka
Site: Diego Leismann
Dia 29
“Sobre o armário e a atividade dos objetos – um estudo para a natureza-móvel” – Sala de Pintura, Atelier Livre | 17h | 19h
“Circulação em dois atos com Tempostepegoquedelícia e bundaflor bundamor” – Sala Álvaro Moreyra | 19h30min
“Conseqüências”, Teatro Renascença | 21h
Sobre o armário e a atividade dos objetos – estudo para natureza-móvel: Instigadas pelo desejo de trabalhar com os detalhes e a precisa gestualidade da obra do pintor holandês Jan Vermeer, as artistas iniciaram explorando o universo dos objetos cotidianos e sua organização. No centro da cena encontra-se uma mulher que observa um armário. Ela o abre. Em uma ação contemplativa se depara com diversos objetos de natureza peculiar. Retirando-os do armário, os gestos da mulher acentuam e ampliam os detalhes que passam despercebidos no cotidiano, fazendo com que o objeto seja visto por uma outra óptica. Buscando através das imagens, o espectador é conduzido então, a um mundo de pequenas descobertas e sensações colecionadas, em uma atmosfera lúdica e intimista. “Penso dança como uma forma de dar dignidade ao movimento. No espetáculo, decidimos exaltar uma das atividades reconhecidas como menor, mas ao mesmo tempo tão cotidiana e ordinária, que é o fazer interno de uma casa, da arrumação, da organização. É a gestualidade à procura do encantamento com o objeto, lembrança na ação íntima e pessoal. Um devaneio estético.” (Bia Diamante)
CONCEPÇÃO E DIREÇÃO | Bia Diamante
CRIAÇÃO COREOGRÁFICA | Bia Diamante e Juliana Rutkowski
INTÉRPRETE | Juliana Rutkowski
CONCEPÇÃO VISUAL | Bernardo Vieira
Circulação em Dois Atos com Tempostepegoquedelícia e Bundaflor, Bundamor: Vencedor do Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna de 2012, Circulação em Dois Atos consiste na apresentação através do país, dos espetáculos "Bundaflor Bundamor" e "Tempostepegodelícia", da Eduardo Severino Companhia de Dança.
Bundaflor Bundaflor: O trabalho discorre sobre a Bunda, uma abordagem humorística do imaginário brasileiro, brindando, dançando, brincando e extrapolando a banalização de tudo o que compõe o real e o simbólico desse universo traseiro.
Tempostepegoquedelícia: se propõe a desbotar as encarnações do feminino e do masculino, misturando marcadores de gênero e levando à cena sexualidades provisórias.

FICHA TÉCNICA
BUNDAFLOR, BUNDAMOR
Concepção coreográfica - Eduardo Severino e Luciano Tavares
Intérpretes/criadores - Luciano Tavares, Eduardo Severino e Mônica Dantas
TEMPOSTEPEGOQUEDELÍCIA
Concepção e coreografia – Eduardo Severino
Direção Cênica – Elcio Rossini e Eduardo Severino
Criadores Intérpretes – Luciano Tavares e Mônica Dantas
Elementos Cênicos – Élcio Rossini
Pesquisa musical – Luciano Tavares
Mixagem – Jorge Foques
Iluminação – Luka Ibarra
Produção: Luka Ibarra/ Ana Paula Reis/ Lucida Cultura

Assistente de produção: Débora Nunes
Conseqüências: A obra poético-coreográfica propõem um mergulho no universo das imagens geradas pelo movimento condicionado e, constantemente, reelaborado do corpo urbano. É um experimento fundamentado no diálogo entre desdobramentos de recursos técnicos e específicos das danças urbanas e, sendo estes, reutilizados a partir de um olhar contemporâneo, experimentando diferentes fontes sonoras e questionando maneiras tradicionais de apresentar o mesmo em cena. As cenas do espetáculo são consequências imagéticas e coreográficas destes experimentos.
Ficha técnica
Direção geral e coreográfica: William Freitas
Direção executiva: Cristina Pereira
Iluminação: Moa Junior
Trilha Sonora: Flavio Aquino
Figurino: Anaclara Brito
Elenco: Ariele Betineli, Carini Pereira, Caroline Fossá, Eduardo Richa, Eduardo Bertoletti, Gabriela Pinho, Mariana D. Silva, Marco Chagas, Paola Danúbia e William Freitas.
Convidado: Cauan Feversani
Dia 30
Mesa de Debates. Sala Álvaro Moreyra | 16h
Mostra Coreográfica. Teatro Renascença | 18h
Mesa de Debates: Produção Contemporânea em dança de porto Alegre- convergências e divergências.
Artistas Convidadas: Suzy Weber e Maria Helena Bernardes
Com a presença dos artistas participantes da 4ª Edição do Festival Dançapontocom
Mostra coreográfica
Oficinas
Caminhos que levam à coreografia
Ministrante: Magda Loitzenbauer
De 26 a 28 de junho, 14h30min – 17h
Companhia de Arte
Práticas do Sensível – A linha entre o desenho e a dança
Ministrante: Mariana Konrad
Dia 29 de junho, 14h30min
Sala de Desenho II – Atelier Livre
Videoconferências
Terpsí em obras – Mostra de Trabalhos
Dia 29 de junho,10h30min
Sala PF Gastal | Usina do Gasômetro
Danca, música e pintura - uma interação
com Magda Loitzenbauer
Dia 29 de Junho,14h30min
Auditório Atelier Livre | Centro Municipal de Cultura

Como se inscrever nos cursos para o Carnaval


 

Lembra que publicamos aqui sobre os cursos oferecidos pelo Pronatec através de uma parceria entre Aecpars e o Pacto Gaúcho pela Educação para formar mão de obra para o Carnaval (leia aqui)? Pois foram divulgadas na última segunda-feira as relações das turmas com inscrições abertas e as indicações para o interessado se matricular.

Até agora, no total, aderiram ao Programa de Qualificação Profissional para a Cadeia Produtiva da Economia Carnaval 24 municípios. Em muitos deles, os cursos já estão em andamento. Em outros, há vagas para iniciar, na maioria, entre julho e agosto.

As aulas serão ministradas no Senai, no Senac e no IFRS. As inscrições devem ser feitas nos CRA`s de cada cidade (no caso de Porto Alegre, a Fasc) ou diretamente nas entidades de ensino.

Confira as vagas ainda disponíveis (para ver maior, basta clicar sobre a imagem)





Já estão em andamento cursos em cidades como Caxias, Chuí, Erechim, Gramado, Guaiba, Pelotas, Rio Grande, Santana do Livramento, Santo Ângelo, São Borja, São Lourenço do Sul e Uruguaiana.

Novos cursos em vista
Além dos cursos em oferta, está prevista a criação de um curso de extensão de Gestão em Carnaval. O Grupo de Trabalho responsável pela adequação da grade às ofertas do Pronatec mantém ainda conversações para tentar ampliar o quadro, de acordo com as necessidades mais específicas do Carnaval.

Entre as ideias que esperam ver concretizadas, estariam cursos como cabeleireiro, maquiador, lixador, mecânico (com diferentes especialidades), operador de máquina de corte de roupas, torneiro mecânico, comprador, carpinteiro, pintor restaurador, alfaiate, confecção de roupas, designer gráfico, estampador de tecidos, fotógrafo, iluminador, locutor, regente de banda, regente de banda e coral, web designer, produtor de vídeo, entre outros.

A importância do ProgramaO objetivo do Programa é valorizar e qualificar as pessoas que efetivamente fabricam o espetáculo. Trechos do projeto relatam bem a importância dessa iniciativa: "(...) as transformações ocorridas no Carnaval o aproximam da indústria cultural do entretenimento e permitem a configuração de uma cadeia produtiva grandiosa. O Carnaval deixa de ser uma festa (...), sendo uma importante fonte geradora de renda e de empregos. A economia do Carnaval é entendida como uma cadeia produtiva de diversas etapas para a obtenção de um produto final (...) consumido por milhares de pessoas ao vivo e milhões de telespectadores (...).”

24 de junho de 2013

Como acompanhar a audiência do Carnaval


 
E o Carnaval se fará escutar como economia nacional- Foto: Samuel Maciel, PMPA
Clique para ver maior
Amanhã, dia 25, será o dia em que o Carnaval entrará pela porta da frente na Câmara Nacional dos Deputados, em Brasília. O segmento será tema de uma audiência pública requerida pelo deputado federal Paulo Ferreira para discutir a cadeia produtiva que o espetáculo movimenta e dar um passo largo para a criação de políticas de fomento ao Carnaval (leia mais aqui e aqui).

Pois nós, daqui, poderemos acompanhar esse debate pela internet. A Comissão de Cultura disponibilizará uma transmissão ao vivo de dentro do plenário, que poderá ser acessada a partir das 14h30min pelo seguinte endereço:

www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/ccult

Nesta segunda-feira, representantes gaúchos já estavam no Distrito Federal acompanhando as conversações pré-audiência, como Preto, Mutti e Sodré

ATENÇÃO, INTERESSADOS EM ACAMPAR!




Hoje a noite, dia 24, haverá reunião com os representantes dos Piquetes interessados em acampar no Parque da Harmonia por ocasião dos Festejos Farroupilhas. Na oportunidade serão retransmitidas as diretrizes da Comissão Organizadora como: Projeto cultural de cada galpão, normas de segurança, forma e prazo de entrega dos trabalhos, além de outras determinações.

A reunião acontecerá no Centro de Eventos do Parque da Harmonia, ás 20 hs.

23 de junho de 2013

3ª Conferência Nacional de Cultura -Publicada Portaria que prorroga os prazos de realização das etapas municipais/intermunicipais,regionais/territoriais,estadual e distrital



A portaria nº 52, de 19 de junho de 2013, altera a de nº 33, de 16 de abril de 2013, definindo que as etapas antecedentes da 3ª Conferência Nacional de Cultura serão realizadas nos seguintes períodos:


I - Etapa Municipal ou Intermunicipal, até o dia 11 de agosto de 2013;

II - Etapa Regional ou Territorial, até o dia 15 de setembro de 2013; e

III - Etapa Estadual e Distrital até o dia 29 de setembro de 2013.
 A ETAPA NACIONAL PERMANECE DE 26 A 29 DE NOVEMBRO DE 2013.



Abração e luz na missão de tod@s,
Marly Cuesta
CMCPOA
Rep.do RS na CNPdC
Tuxaua 2010
(51)8142-4976
PS:"Algum dia, depois de termos dominado os ventos, as ondas, as marés e  a gravidade... utilizaremos... as energias do amor.
Então, pela segunda vez na história do mundo, o homem terá descoberto o fogo".
Teillard de Chardin

Personalidades avaliam os protestos no Brasil


ZH ouve nove brasileiros, que opinam sobre os rumos do país a partir das mobilizações nacional


Personalidades avaliam os protestos no Brasil Adriana Franciosi/Agencia RBS
Milhares de manifestantes participaram de protesto na quinta-feira em Porto Alegre Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS
Por enquanto, há apenas a certeza de que uma nova página da história do Brasil começou a ser escrita. Do turbilhão de manifestações, saem mais perguntas do que respostas.
Ainda estupefatos, estudiosos começam a tatear para entender o fenômeno que leva milhões de jovens a tomarem as ruas para protestar contra a corrupção, o transporte público, os baixos investimentos em saúde e educação e os bilhões de reais da Copa.
Abaixo, nove personalidades de diferentes áreas tentam lançar luz à nova inquietação brasileira.
>>> Em página especial, leia todas as notícias sobre os protestos
Qual sua avaliação sobre o movimento no país?
Carlos Velloso, ex-presidente do STF
"Esses movimentos legítimos podem se transformar em ilegítimos. Por isso, é necessária uma ação rápida dos governantes, que atendam ao clamor das ruas. Que tenha fim a gastança de dinheiro público, que se contenha a inflação que ameaça, que se ponha fim à incompetência de agentes públicos."
Eugênio Bucci, professor de jornalismo
"Essas manifestações não têm carro de som, não têm palanque, não nem unificação de discursos e não têm, sequer, uma liderança formal. São uma confluência de insatisfeitos de várias colorações ideológicas, que vão de seitas de esquerdismo primitivo até falanges de inspiração fascista, todos marchando juntos. Há gente pacífica e gente violenta, cuja conduta me parece inaceitável. Isso é uma novidade. O que os une? Bandeiras que pedem dignidade nos serviços públicos, fim da corrupção, integridade da administração pública. Os manifestantes não foram arregimentados por partidos, por sindicatos ou por ONGs. Eles explodiram nas ruas porque se viram — por meio da imprensa, da televisão — e porque se falaram — por meio das redes sociais. Eles não querem tomar o poder (ao menos, não ainda), são apenas candidatos a ser respeitados como cidadãos."
Fernando Meirelles, diretor de cinema
"Nestes últimos 15 anos, por causa da velocidade de troca de informação, o mundo mudou em todas as áreas. Não há razão para acreditarmos que a governança e a representatividade não seriam afetadas. Hoje a garotada quer dar opinião e pode fazer isso. Quem achar que o controle continuará emanando do "centro" está enganado, o poder central está estagnado e não só no Brasil. Neste novo mundo, são as bordas que estão se movimentando e este movimento não tem um centro, tem vários centros e várias demandas e é mutável. Sindicatos, UNE, partidos já não nos representam como no século passado."
Heitor José Müller, presidente da Fiergs
"O movimento é um misto de reclamações populares pela desilusão, tendo em vista uma série de questões que não estão sendo equacionadas pelos nossos governantes, como educação, saúde e segurança. Eles têm muita razão. O que a gente lastima é a infiltração de elementos que não têm esse ideal e usam este movimento para vandalismos e depredações."
Jorge Abrahão, diretor-presidente do Instituto Ethos
"Temos que olhar o movimento como uma oportunidade, e não uma ameaça. Caso contrário será resolvido um ponto ou outro e daqui a alguns anos as mesmas questões vão voltar com mais força. É uma oportunidade da reconstrução da participação. Fica claro que não temos mecanismo de diálogo entre a população e o poder. Quem está tomando as decisões está sem conexão com a população. A oportunidade é entender este momento, criar canais de diálogo, de consulta, e considerar as questões que estão emergindo. Não apagar esta fogueira. Isso pode melhorar muito a democracia do país."
Thiago Lacerda, ator
"O movimento é mais do que legítimo, ele é necessário. Chegou o momento de pensar em uma nova democracia, em que o voto não seja o único instrumento de participação popular. Está provado que o sistema político atual não representa mais a vontade do povo, por isso ninguém quer partidos políticos nas manifestações. Também acredito que o vandalismo não é o instrumento certo para mudarmos o país."
Cristovão Tezza, escritor
"É um fenômeno social que provoca reflexão pelo seu caráter difuso — o fato de ser um movimento de fundo reivindicatório no qual cada manifestante é uma passeata. É um fenômeno diferente. Não houve uma mediação institucionalizada pelos movimentos políticos tradicionais."
Emir Sader, sociólogo
"O movimento foi um até conseguir a anulação do aumento das tarifas. Isso foi positivo. Depois, passou a ser hegemonizado pelos caras do vandalismo e passou a ser negativo."
Roberto Romano, professor de ética da Unicamp
"A inflação é o substrato da insatisfação, esta percepção subliminar de que estamos entrando em um período de insegurança. É como antes de um terremoto, em que os animais começam a ficar inquietos. As outras queixas vêm junto. Você vai a um hospital e não tem leitos e abre o jornal e fica sabendo que estádios consumiram bilhões, que as pessoas estão roubando e ficando impunes, que querem acabar com o poder de investigação do Ministério Público, que querem acabar com a Ficha Limpa. É uma provocação escancarada."
Qual o tipo de impacto que o movimento terá em sua vida?
Carlos Velloso, ex-presidente do STF
"Já presenciei manifestações que levaram à tomada de decisões pelo governo. Por exemplo, o movimento pelas Diretas levou o país a convocar uma constituinte, a elaborar uma nova Constituição. No episódio Collor, o povo foi para as ruas, e o presidente acabou sofrendo impeachment."
Cristovão Tezza, escritor
"Do ponto de vista prático, já baixou o preço da passagem de ônibus em Curitiba (onde o escritor vive). Mas ainda é muito cedo para avaliar essas consequências mais duradouras."
Emir Sader, sociólogo
"O movimento me confirmou que é fundamental uma política governamental para a juventude e que é fundamental democratizar os meios de comunicação."
Heitor José Müller, presidente da Fiergs
"Se (os governantes) derem mais importância ao que está sendo reclamado, eu também serei bem atendido como pessoa física e empresário. Há muito tempo, falamos do transporte, da logística, que temos poucas estradas. Temos congestionamentos diários e pouco tem sido feito pelas autoridades. Quando o setor empresarial fala disso, até parece que tem um certo preconceito. Agora vem das ruas. Poderemos ver algumas questão atendidas. Assistimos ao que está acontecendo com os nossos hospitais e com a nossa educação. Um exemplo disso é o que defende a Fiergs. Nossas manifestações têm sido a favor de uma melhor educação para o país."
Roberto Romano, professor de ética da Unicamp
"Se eles (os manifestantes) conseguirem levar adiante (os protestos) no sentido de nos tornarmos um país mais democrático vai melhorar muito. Como uma pessoa que vive na sociedade brasileira, eu espero que, a partir dos protestos, vençam os princípios de respeito ao cidadão e de responsabilização pública."
Thiago Lacerda, ator
"Até agora, as mobilizações não mudaram nada na minha vida, mas algumas coisas já se transformaram. Os protestos fizeram a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, cancelar a viagem programada para o Japão, por exemplo. Também fizeram o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, deixar de lado a sua arrogância. E eu acredito que isso é só o começo."
Fernando Meirelles, diretor de cinema
"No dia 1° de junho eu estava certo que a Dilma se reelegeria no primeiro turno. Dia 10 comecei a achar que talvez houvesse um segundo turno. No dia 15 comecei a ficar em dúvida se ela conseguirá se reeleger. Hoje me pergunto se ela será candidata. Tudo está andando muito ligeiro."
Jorge Abrahão, diretor-presidente do Instituto Ethos
"Essas manifestações já afetaram a vida de todo mundo. Meus três filhos estavam na manifestação. A alegria por vê-los participando deste processo. Isso está mudando a vida deles para o futuro. Do ponto de vista profissional, as nossas empresas também têm de avançar nas escutas. A mensagem que tem de ficar para as empresas é de abrir nossos canais de escuta e diálogo. Como impactamos a sociedade, como os nossos produtos impactam a sociedade. Isso serve para entender e evitar problemas. Esse é o aprendizado."
Eugênio Bucci, professor de jornalismo
"Ganho mais confiança na capacidade de indignação do povo brasileiro. Apesar das mortes, das agressões, apesar da brutalidade animalesca de alguns policiais, isso tudo renovou a cena política brasileira. Essa gente toda passou um pito memorável nas autoridades. Isso foi muito bom.
Como o país sairá da mobilização nacional?
Cristovão Tezza, escritor
"Eu acho que a mobilização nacional deixará o país melhor — a curto, médio e até mesmo a longo prazo. Ela deu uma chacoalhada em um país que costumava ser politicamente amortecido, burocratizado, estacionado, com dificuldade de pensar. Essa chacoalhada, na minha opinião, é altamente positiva."
Eugênio Bucci, professor de jornalismo
"Os governantes brasileiros levaram um susto muito grande — um susto que ainda está em curso, que ainda não está encerrado. Eles sentiram que há limites para os conchavos. Sentiram que o público será capaz de ser mais exigente daqui para a frente. Sairá daí também um saudável desafio para os partidos políticos, que terão de se repensar. Estou aqui torcendo para que o saldo seja positivo."
Emir Sader, sociólogo
"As manifestações representam o ingresso de uma nova geração na vida política do país. Em minha opinião, isso vai enriquecer e fortalecer o país na direção que ele tem trilhado nos últimos 10 anos."
Fernando Meirelles, diretor de cinema
"Não sei mesmo para onde a coisa vai e pouca gente está entendendo, mas definitivamente os movimentos funcionaram como uma faísca que deram a partida nos brasileiros que andavam um pouco desligados, deve ter acendido uma luz também em quem vive repetindo que estamos navegando com vento a favor. Para estes o que houve foi um choque de realidade."
Jorge Abrahão, diretor-presidente do Instituto Ethos
"Um país que compreenda que nós temos que enfrentar fortemente as questões de desigualdade da população, o grande problema do Brasil. Isso não se resolve com salários, mas com acesso à saúde, educação e transporte de qualidade. Para isso temos que ter uma política que dialogue mais, que a política seja mais envolvida pelo interesse público do que pelo interesse privado."
Roberto Romano, professor de ética da Unicamp
"O movimento vai arrefecer logo. Daqui seis meses, teremos a aprovação da PEC 37 (que limita o poder de investigação do Ministério Público), a abolição da improbidade administrativa. Aí teremos o advento de um líder bolivariano. Estou falando do Lula (como candidato à Presidência em 2014). Tenho fontes dentro do PT que levantam essa possibilidade. Lula tem presença no país inteiro, condições de mobilizar sindicalistas, diálogo com empresários, além de saber dirigir multidões e conduzir negociações. Quando se perde confiança no Parlamento, se fortalece o Executivo. Se o movimento tivesse continuidade e o Parlamento não continuasse com iniciativas lesivas, poderia haver esperança da continuidade mais tranquila da instituição parlamentar."
Heitor José Müller, presidente da Fiergs
"Essa é a grande dúvida. Em Porto Alegre, a mobilização começou por causa das passagens de ônibus e em em Brasília devido ao estádio da Copa. Estão reclamando dos políticos e dos administradores públicos. Estão cansados de esperar. E a juventude tem pressa. A gente não sabe no que vai resultar. Mas acredito que as pessoas e os políticos de bem vão acabar entendendo o recado das ruas e vão ter de adaptar a sua forma se de ser e administrar. Tenho plena confiança que vamos sair com um país melhor. É o que desejo para meus netos e bisnetos."
Carlos Velloso, ex-presidente do STF
"Quero que a democracia brasileira se fortaleça e perdure. Na minha opinião, o governo deveria sair da palavra para a ação, deveria tomar medidas que atendam ao clamor das ruas. Por exemplo, temos uma gastança de dinheiro público que cada vez mais compromete o Tesouro. Que seja posto fim a essa gastança. Que sejam, por exemplo, eliminados 20 ministérios, pelo menos. Se o governo saísse da palavra para a ação e tomasse uma medida, quanto de gastos não seriam cortados? Se demitisse aqueles que se revelam incompetentes e não se mostram cuidadosos no trato da coisa pública... Penso que esse seria um tipo de ação que poderia acalmar o clamor das ruas."
Thiago Lacerda, ator
"Não tenho a menor ideia do país que sairá desse movimento. Mas espero que seja um país transformado, em que a democracia seja respeitada e que o povo saiba que, quem cometer crimes, será punido."
ZERO HORA

Viúva do escritor Barbosa Lessa lembra o que viveu ao lado de seu grande amor


Reportagem foi à casa de Nilza Lessa para entrevistá-la


Viúva do escritor Barbosa Lessa lembra o que viveu ao lado de seu grande amor Adriana Franciosi/Agencia RBS
Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS
Pelas janelas do apartamento entra o azul do Guaíba, que contrasta com o verde das plantas da cozinha. Na mesa, repousam umas cuecas-viradas recém fritas, trazidas há pouco da padaria. No fogão, uma cafeteira italiana ferve, fazendo exalar o perfume de café. À frente da repórter que saliva pela mistura de aromas, uma senhora vaidosa, de olhos delineados por lápis e unhas bem vermelhas enche uma xícara, depois a outra.

- Antes de me perguntares seja lá o que tu queiras me perguntar, come essas cuecas-viradas. São muito boas, guria, uma beleza!

Tendo em conta a identidade da dona da casa, o "seja lá o que tu queiras me perguntar" parece brincadeira. Nilza Lessa, 80 anos, viúva do escritor e folclorista Luiz Carlos Barbosa Lessa (1929-2002), é um baú de histórias travestido de gente. Tem tantas para contar - e conta com tanto gosto e entusiasmo - que seria possível ouvi-la por horas, com ou sem a companhia do singelo café da manhã. Mesmo assim, ela ainda espera pelas perguntas. Mas não espera muito. Sorte nossa.

- Histórias pra contar? É, tenho algumas... - afirma, entre risos.

Nilza nasceu em Santana do Livramento em 1932 e formou-se professora na Fronteira. Em 1956, durante um Congresso Tradicionalista, conheceu seu grande amor. Lembrada até hoje como a viúva de um dos fundadores do nativismo gaúcho, Dona Nilza está longe de ser apenas a companheira de um grande homem. Em tudo o que pode, perserva a memória do companheiro e reconta as histórias vividas pelo casal em 42 anos de união. Mas faz questão de seguir a própria vida de forma independente e moderna.

A expressão "fazer de tudo um pouco" ganha sentido máximo quando se trata de Dona Nilza. Graduada em Serviço Social pela PUCRS, foi professora no interior gaúcho e na capital. Já casada com Lessa, foi produtora de televisão e de eventos em São Paulo, onde o marido trabalhava como revisor e publicitário quando casaram.

Lá, conviveu com gente famosa, contratou Roberto Carlos e Elis Regina para festas de empresas e passou seus bocados para criar dois filhos e, com a morte de uma das irmãs, mais dois sobrinhos na maior cidade do país. Ao retornar para o Rio Grande do Sul, em 1974, depois de 14 anos, foi gerente da churrascaria do 35 CTG e teve uma loja de artigos gauchescos na Praça XV. Também acompanhou o marido no sonho de morar no interior e cultivar orgânicos, em um sítio em Camaquã.

Barbosa Lessa, que na época dedicava -se apenas à música e à literatura, morreu em 2002. Em 2012, Nilza foi a primeira mulher eleita Patrona dos Festejos Farroupilhas. Sempre vestida de prenda - em modelos que ela mesma costurava, para assegurar a fidelidade da roupa aos trajes originais - ela recebeu toda sorte de homenagens. Quando não estava em algum palco, podia ser encontrada no estande em que vendia seu artesanato.

Em pleno acampamento Farroupilha, entre colchas de patchwork e quadrinhos com versos das músicas do falecido marido, ela mostrava seu maior orgulho, o projeto Bichos do Mar de Dentro, que reproduz em mimos os animais da fauna da Lagoa dos Patos.

Remexer nas memórias de Dona Nilza é aprender um pouco mais sobre a trajetória recente da cultura no Rio Grande do Sul. Ao lado dela, Barbosa Lessa amadureceu as ideias e pesquisas que sustentaram o movimento tradicionalista. Com ela, ele foi publicitário e produtor cultural e floresceu na música e na literatura, artes que já desenvolvia antes de conhecê-la. Quem sabe, graças a ela, manteve a dedicação à arte até os últimos dias de vida.

- Mesmo estando fora da academia, ele fez um trabalho intelectual de formação no Rio Grande do Sul. E ela se encaixou nesse perfil - comenta o professor de Literatura da UFRGS, Luís Augusto Fischer.

Ainda de acordo com Fischer, a obra literária de Barbosa Lessa ainda espera um exame minucioso. Nesse sentido, os relatos de Dona Nilza podem ser preciosos para revelar a rotina, as fontes e o processo de criação do marido. Ou podem ser apenas um bom acompanhamento para um café com cueca-virada.
Tudo começou num baile...
O ano era 1956. O Congresso Tradicionalista de Ijuí teria uma atração especial: o escritor e folclorista Luiz Carlos Barbosa Lessa, já reconhecido como um dos fundadores do movimento que, naquela época, começava a ser chamado de tradicionalismo. Quando o conjunto tocou um xote, um primo do escritor se dirigiu à mesa onde estavam Nilza e uma amiga levando Lessa a tiracolo. Cada um dos rapazes tirou uma moça para dançar. Enquanto dançavam, Lessa pediu Nilza em casamento. Assim mesmo, inesperadamente.

- Daqui a quatro anos eu volto pra te buscar.

E voltou mesmo. Durante um baile da Semana Farroupilha, no final de 1959, os dois se reencontraram em Porto Alegre. Ele estava na cidade para lançar o livro Os Guaxos, mas eles não haviam mais trocado palavra durante todo esse tempo. Antes que Lessa pudesse se desvencilhar dos admiradores e amigos e finalmente chamar sua garota para mais uma dança, outros já haviam tentado levar a morena para o salão. Em vão. Em combinação com uma amiga, se escondia embaixo da mesa a cada aproximação dos rapazes. Até que o escritor conseguiu ter, finalmente, a sua dança.

Cerca de um mês depois do início do namoro, que ocorreu precisamente nesta noite, eles foram a Uruguaiana, onde a família de Nilza morava, para o noivado. Mais dois meses, casaram-se em uma cerimônia matutina na Igreja Sagrada Família, em Porto Alegre, ele de terno, ela de vestido branco e curto. No mesmo dia embarcaram para São Paulo, onde viveram por 14 anos.

Essa música tem autor!
Jantar de lançamento do Festival de Cinema de Gramado. Sentado na mesa de honra, bem em frente ao palco, o casal Lessa assistia ao show de um grupo nativista. Lá pelas tantas, o vocalista anuncia que cantaria a música Negrinho do Pastoreio, recolhida do folclore gaúcho.

 Depois da execução, Dona Nilza chama o cantor para que se retrate, pois a tal música não era recolhida do folclore e tinha autor conhecido e vivo. O cantor, meio envergonhado e desconhecendo o dito autor, pediu desculpas e reafirmou que a música era, sim, de domínio público e autor desconhecido. Nesse momento, a pequena senhora levanta-se da mesa e dispara:

- Continuo insistindo que essa música tem autor. E eu sei bem disso, por que durmo com ele todas as noites!

Projeto para a maturidade
Nascido em Piratini, Barbosa Lessa sempre gostou do campo. Isso não o impediu de viver em São Paulo e Porto Alegre e de viajar bastante, mas nunca escondeu o sonho de voltar para o Interior. Com a aposentadoria, o casal decidiu procurar um refúgio. Assim nasceu o sítio Água Grande, no interior de Camaquã. O local foi adquirido pelos dois por ter despertado pouco interesse em produtores rurais de monocultura ou em pecuaristas. O solo pedregoso e íngreme, banhado por uma grande cachoeira, não se prestava às culturas tradicionais.

E foi justamente neste solo desacreditado que nasceu um dos projetos de comercialização de agricultura ecológica mais bem-sucedidos do Rio Grande do Sul. Como transitava entre Camaquã e Porto Alegre, o casal se reuniu com um pequeno grupo de outros produtores para fundar a feira de orgânicos da José do Patrocínio, que até hoje vende produtos livres de agrotóxicos e provenientes da agricultura familiar.
O que plantaram para vender na feira?

- Nada. Os índios e jesuítas deixaram lá para nós um bom bosque, cheio de árvores de erva-mate. O que fazíamos era colher, secar, moer e vender.

Ainda hoje está de pé o monjolo, movido à água, para a moagem da erva. E algumas árvores ainda podem ser vistas ao redor da casa de madeira. Com a morte de Barbosa Lessa, Dona Nilza vendeu a propriedade para a prefeitura de Camaquã, que fez ali um pequeno museu e um parque ecológico para a preservação da flora e fauna. É possível visitá-lo com agendamento prévio.

O dia em que encontrei os Lessa, por Luis Antônio Araujo, Editor de Mundo

Numa manhã de meia estação, há uns 15 anos, o recepcionista de Zero Hora, Nilton Espinosa, ou simplesmente Seu Espina, como ainda chamamos nosso querido colega hoje aposentado, avisou-me por telefone que um casal me aguardava no saguão. Quando cheguei ao balcão, em frente ao elevador, encontrei um homem de uns 65 anos, calvo, com bigode fino de fios brancos e olhar agudo, acompanhado daquela que era certamente sua esposa, miúda e simpática. Ele me estendeu a mão e disse:

- Sou o Barbosa Lessa.

Eu estava acostumado a receber, a cada 15 dias, um envelope com carimbo de Camaquã em cujo interior havia duas ou três folhas datilografadas assinadas pelo senhor à minha frente. Às vezes, falávamos por telefone, geralmente a respeito de detalhes referentes ao pagamento que recebia por sua colaboração quinzenal com o Cultura. Normalmente, era dona Nilza, sua mulher, que o acompanhava, que ligava para a redação.

- O Lessa quer saber se a coluna chegou - dizia ela, com voz delicada, referindo-se sempre ao marido como "o Lessa".

Desde aquele primeiro encontro na recepção de ZH, não havia nada mais interessante do que ouvi-los falar de uma vida que parecia abarcar toda a história do Rio Grande. Com a sensibilidade dos grandes interlocutores que sempre foram, Barbosa e Nilza Lessa nunca pareceram se dar excessiva importância.

A conversa sempre começava por algo que fizesse parte do universo daquele a quem se dirigiam. Lembro que, naquela manhã em Zero Hora, Lessa contou da sua passagem pela TV Tupi, a primeira emissora de televisão comercial do Brasil, nos anos 1950, em São Paulo. Era como se soubesse que eu aprendera a cantar Negrinho do Pastoreio, Balaio e Pezinho antes de saber ler e que, portanto, tudo que dissesse ali, em meio ao burburinho de um saguão de jornal, seria inesquecível.
DONNA ZH

22 de junho de 2013

Carnaval abrirá cursos para 1,6 mil pessoas


 

Parece estar rendendo frutos os esforços de um Grupo de Trabalho criado a partir de contatos feito pela Aecpars com o Pacto Gaúcho Pela Educação. Até o fim do ano, cerca de 1,6 mil pessoas de 22 municípios terão participado de cursos voltados à qualificação técnica do nosso Carnaval.

Embora ainda estejam previstas reuniões para definir detalhes, e por isso nada foi divulgado ainda, o fato é que já virou realidade o Programa que dá à comunidade carnavalesca a possibilidade de incrementar a cadeia produtiva do "mercado Carnaval", com geração de emprego e renda.

Conforme participantes desse GT, que envolve também a Superliga (Sulirgs) em algumas cidades já há cursos em andamento, mas o previsto é que o Programa tenha início efetivamente em agosto.

Como foi criado o "Programa de Qualificação para a Cadeia
Produtiva da Economia do Carnaval – Indústria Criativa”

O GT, que envolve também a Superliga, identificou nos cursos do Pronatec aqueles que seriam interessantes para o Carnaval e buscou instituições de ensino técnico que pudessem ser parceiras. Foram, então, criados os Cursos de Formação Inicial e Continuada, que prevê a criação de 80 turmas. Ainda há o objetivo de abrir duas turmas de um Curso de Extensão em Gestão para o Carnaval.

Os cursos
Entre os cursos já definidos, estão: agente de projetos sociais, artesão em bordado à mão, costureiro, costureiro de calçados, desenhista de moda, eletricista industrial, marceneiro, organizador de eventos, recepcionista de eventos, serralheiro, soldador. Haveria, ainda, tratativas para que haja adequação de oferta de cursos às necessidades mais específicas do Carnaval.

As cidades
Já aderiram Alegrete, Bagé, Canela, Canoas, Caxias, Esteio, Gramado, Guaiba, Itaqui, Novo Hamburgo, Pelotas, Porto Alegre, Rio Grande, Santa Cruz, Santa Maria, Santana do Livramento, Santo Ângelo, São Borja, São Leopoldo, Sapucaia, Uruguaiana e Viamão.

Setores que o Carnaval movimenta
Entre os setores movimentados pelo Carnaval, estão as indústrias de borracha e plástico; vestuário e calçados; papel e celulose; produção de madeira; têxtil; metalúrgica; tintas; couro; vidro. Em menores quantidades, as indústrias de material eletro-eletrônico, máquinas e equipamentos, etc.

Oportunidades de emprego geradas
Há a contratação de diferentes especialidades, como modeladores, costureiras, marceneiros, coreógrafos, entre outros, para sua produção. Há, ainda, um conjunto de setores que se beneficiam indiretamente do desfile das escolas de samba, como a indústria turística, do audiovisual, fonográfica, editorial e gráfica, do entretenimento, dos instrumentos de percussão, de bebidas, de serviços do comércio, de sites da internet e, ainda, diversos serviços do mercado informal.

Mas, e as inscrições?
As inscrições serão feitas através de secretarias de ação social. Mas são as prefeituras, escolas e entidades representativas do Carnaval que devem apontar a melhor maneira de captar os alunos. Ainda não há, no entanto, uma fórmula definida. Nos próximos dias deve haver alguma informação concreta sobre o processo em cada cidade.

21 de junho de 2013

Cultura lança programa de leitura nos ônibus intermunicipais


Viajar pelo interior do Rio Grande do Sul terá mais um atrativo. A partir do dia 24 de junho será disponibilizada opção de leitura a bordo dos ônibus intermunicipais.
Na segunda-feira (24), às 15h30min, na rua lateral ao Palácio Piratini, o governador Tarso Genro, junto com o secretário de Estado da Cultura, Assis Brasil, faz o ato de lançamento do projeto Prosa na Estrada.
O governador, o secretário e convidados colocarão em um ônibus 27 folhetos com textos de 30 autores, sendo 23 selecionados por edital e e sete de autores consagrados já falecidos (Moacyr Scliar; Sérgio Jockyman; Caio Fernando Abreu; Cyro Martins; João Simões Lopes Neto; Vera Karam; Carlos Carvalho).
O concurso foi promovido pelo Instituto Estadual do Livro (IEL), em parceria com o Departamento  Autônomo de Estradas de Rodagem  (Daer) e com a Associação Gaúcha de Escritores (AGES). Conta ainda com apoio da Companhia Rio-Grandense de Artes Gráficas (Corag) e da Celulose Rio-grandense.
 O objetivo do projeto Prosa na Estrada é disponibilizar a leitura nos ônibus intermunicipais do estado. Ao todo serão 50 mil cópias distribuídas e a expectativa é atingir 100 mil pessoas.

Orquestra Villa-Lobos será agraciada no Açorianos de Música

Foto: Ivo Gonçalves/PMPA
Grupo realizou mais de mil concertos para público superior a 250 mil pessoas
Grupo realizou mais de mil concertos para público superior a 250 mil pessoas
Nesta terça-feira, 25, durante o Prêmio Açorianos de Música 2012, a Orquestra Villa-Lobos receberá menção especial pelo trabalho realizado há 21 anos com crianças e jovens da Vila Mapa, onde promove a inclusão social por meio da música. A solenidade acontecerá no Auditório Araújo Vianna, a partir das 20h30.
 
No currículo da orquestra consta a produção de dois CDs – “O Trenzinho do Caipira“ (2002) e “Olhos Coloridos” (2008), além de importantes premiações: Prêmio Artístico Lupicínio Rodrigues, da Câmara de Vereadores de Porto Alegre; troféu de Defesa de Direitos Humanos no Rio Grande do Sul, concedido pela Unesco/Assembleia Legislativa/Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho; certificação, pelo Ministério da Cultura, com o selo Prêmio Cultura Viva, como iniciativa reconhecida pelo seu caráter inovador e impactante na vida da comunidade; Prêmio Líderes & Vencedores 2009, oferecido por Federasul e Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul como destaque comunitário; certificação do Prêmio Itaú Unicef 2011.
 
Leia mais em:
Açorianos de Música será terça-feira no Araújo Vianna


/educacao
Edição de: Manuel Petrik
Autorizada a reprodução dos textos, desde que a fonte seja citada.

Inscrições para o Parque da Harmonia


 
Dia 25 de junho iniciam as inscrições par ao Acampamento Farroupilha 2013. As manifestações de interesse em acampar irão até dia 05 de julho.

Cada acampado deverá apresentar um projeto cultural que irá desenvolver durante o período que estiver ocupando seu lote no Parque da Harmonia. Na segunda, dia 24, haverá uma reunião com todos os acampados de 2012, no Centro de Eventos, às 20h.

8ª Aula Curso de Extensão em Adm. Pública da Cultura-21/06/13

20 de junho de 2013

Expansão dos games chega à Rouanet


O setor de games é um dos que mais cresce no mundo, dentre as áreas do entretenimento, com o Brasil entre os líderes da expansão. Para se ter  ideia, os brasileiros aparecem em primeiro lugar no ranking de consumo de jogos eletrônicos, segundo pesquisa realizada pela Newzoo e a ACI Games (Associação Comercial, Industrial e Cultural de Games).
Foto: Rob MarquardtA expectativa é de que até 2016 o mercado interno movimente R$ 4 bilhões só com a venda de consoles, em função do crescimento da classe média – em 2012, o setor como um todo faturou US$ 2,6 bilhões no Brasil. Além disso, a barreira entre as artes e os games está cada vez mais diluída.
No ano passado, o grande vencedor do BAFTA, prêmio voltado às artes visuais do Reino Unido, foi um jogo: “Journey”, uma experiência artística imersiva, “além do puro entretenimento”, como definiu o jornal inglês The Guardian. Por aqui, a Lei Rouanet incluiu os games entre as áreas que podem ser contempladas pelo mecanismo de incentivo fiscal.
O jogo A História Perdida: Cidade de São Paulo é um dos primeiros projetos do gênero a serem aprovados pela lei. Criado e desenvolvido pelas empresas MGP Marketing, de marketing cultural, e SummerCrow, desenvolvedora de games, o enredo é um thriller centrado na história de Carlos Silva, estudante que sai em busca de seu avô, ex-funcionário do Teatro Municipal de São Paulo, desaparecido há 40 dias. Durante o trajeto, o jogador percorre diversos pontos da metrópole enquanto explora sua história.
“Fizemos várias reuniões e passamos por várias ideias. Pensamos em literatura brasileira, ficção, estratégia e outras. Afinal, são inúmeros os gêneros que um jogo pode ter”, afirma Juliana Moreira, diretora de Planejamento da MGP. ”Mas aos poucos a ideia de juntar o cenário brasileiro com uma história de aventura cheia de informações culturais foi se moldando e concluímos que seria o argumento que mais agradaria o público brasileiro e os possíveis interessados em investir no projeto.”
Para ela, os games são uma maneira eficiente de transmitir conteúdo devido ao caráter imersivo. “A cidade de São Paulo tem uma cultura muito rica, mesmo assim grande parte da população desconhece a maioria dela. Muitos bairros da cidade de São Paulo tem carência de atividades culturais, 60 bairros não possuem museus, 59 não possuem cinema e 53 não possuem teatros”, diz.
A intenção é fazer de “A História Perdida” um jogo gratuito e com acessibilidade para deficientes auditivos. Depois de aprovado, agora os realizadores partem para a fase de captação. A expectativa é arrecadar pouco mais de R$ 493 mil. Para alcançar a meta, eles apostam na educação dos investidores quanto à relevância dos games.
“No Brasil, ainda existe uma certa resistência em relação a imagem do público alvo dos jogos. Muito ainda imaginam jogos como algo infantil, consumido por um público bem específico. Essa imagem conservadora também gera discussões, como a questão de jogo ser ou não cultura”, afirma Juliana. “Mas essa resistência está sendo quebrada muito rapidamente.”

Carnaval gaúcho se prepara para audiência no DF


 
Fotos: Marcelo Antunes

Às vésperas da audiência pública que debaterá o Carnaval pela primeira vez na Câmara Federal dos Deputados (leia aqui), entidades carnavalescas de diversas cidades gaúchas estiveram reunidas para discutir a importância da organização do segmento para que seja viável a construção de políticas públicas de fomento e sustentabilidade para o Carnaval.

— Temos, pela primeira vez, a oportunidade de fazer com que o Carnaval entre pela porta da frente no orçamento da União, além de criarmos as condições para a formação de uma entidade nacional que represente o segmento — destacou o deputado federal gaúcho Paulo Ferreira, integrante da Comissão de Cultura da Câmara e autor do requerimento para a audiência pública que será realizada na próxima terça-feira, dia 25 de junho.

O encontro reuniu representantes da Sulirgs (a Superliga que agrega ligas e associações de diferentes locais do Estado) e de escolas de cidades como Porto Alegre, Canoas, Tapes, Viamão, Guaiba, Alegrete, Canela, Santana do Livramento, Santa Maria, Santa Cruz, Alvorada, Esteio, Sapucaia, Novo Hamburgo e Santo Ângelo.

Para quem quiser acompanhar a audiência pública, haverá um link transmitindo ao vivo pela internet. A gente coloca por aqui quando obtivermos o endereço de acesso.



7ª AULA-20/06/13 DO CURSO DE EXTENSÃO EM ADMIN. PÚBLICA DA CULTURA


6ª AULA CURSO DE EXTENSÃO EM ADMIN. PÚBLICA DA CULTURA