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Gestão 2009 /2014 combina com Gestão 2017/2019 a entrega do Blog e logo do CMC Porto Alegre

Dia 02/07/2019, às 19:30 h em reunião do CONSELHO MUNICIPAL DE CULTURA DE PORTO ALEGRE realizada na Casa dos Conselhos, sito Av. João P...

10 de junho de 2016

SEDAC tem editais com inscrições abertas.


A Secretaria de Estado da Cultura está com cinco editais do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) com inscrições abertas para Audivisual (até 28/06), Teatro, Dança, Circo (até 14/06) e Museus (até 07/07).
Oficina de capacitação dia 13/06, às 14horas, no Auditório do Memorial do RS
http://www.cultura.rs.gov.br/…/cultura-realiza-oficina-de-…/

Festival Internacional de Teatro de Rua começa dia 19

10/06/2016 10:54:44

Foto: Betina Carcuchinski/PMPA
Esta edição terá workshop, seminário e 17 montagens Esta edição terá workshop, seminário e 17 montagens
Com apoio da Prefeitura de Porto Alegre, o 8º Festival Internacional de Teatro de Rua de Porto Alegre (Fitrupa) será realizado entre 19 e 28 de junho com 17 montagens, um workshop, um seminário e um encontro promovido pela Escola de Espectadores da Secretaria da Cultura de Porto Alegre. Há várias inovações nesta edição, uma delas envolve apresentações gratuitas em bairros da Capital, atendendo demanda de moradores. Outra novidade está no uso de uma casa de diversões noturnas e do Cemitério da  Santa Casa de Misericórdia como cenário para as performances.

O Fitrupa ocupará espaços tradicionais de teatro de rua, como Centro Histórico e Parque Farroupilha, e mais endereços nos bairros Cristal, Belém Novo, Jardim Carvalho, Santo Antônio, Lomba do Pinheiro, Rubem Berta, Ipanema, Passo d’Areia (IAPI), Humaitá, Mario Quintana, Ilha da Pintada, Restinga e Cavalhada. Ao todo, 567 grupos, do Brasil e do Exterior, se candidataram ao evento. A produção inova também com o que chama de “eixo de espaços singulares”, usando espaços fechados para exibir Kassandra, numa casa de diversão noturna localizada na rua Olavo Bilac, bairro Azenha, e Odiseo.com, que se passa num camarim, na Estação Filmes no Cristal. Já DNA de DAN se passa numa bolha de plástico e dura de cinco a seis horas.

Outras informações: www.ftrpa.com.br

Confira os espetáculos



/teatro
Texto de: Maristela Bairros
Edição de: Andrea Brasil
Autorizada a reprodução dos textos, desde que a fonte seja citada.

Abertas as inscrições para oficinas do Festival DançaPontoCom


Foto: Maia Rubim/PMPA
Festival estabelece múltiplos pontos de comunicação
Festival estabelece múltiplos pontos de comunicação
O Festival DançaPontoCom 2016 que acontece de 5 a 10 de julho com apresentações no Centro Municipal de Cultura, Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues (av. Erico Verissimo, 307) está com incrições abertas para as oficinas do evento. Para realizar a inscrição é preciso enviar uma carta de intenção e um minicurrículo para o e-mail festivaldancapontocom@gmail.com. O prazo para inscrições é até o dia 30 de junho. As oficinas são gratuitas e acontecerão na Sala Rony Leal/Usina do Gasômetro.

DançaPontoCom - O objetivo do festival é estabelecer múltiplos pontos de comunicação na produção contemporânea de dança, criando espaço para o trânsito e diálogo de linguagens, de pensamentos, de criações, de artistas. Na programação deste ano estão espetáculos, processos de criação, debates, performances, oficinas, conferências e muito espaço para a conversa. A tônica pretende ser as políticas de encontro. A intenção é fazer com que o COM do seu título possa estabelecer territórios para COMpartilhar, para COMunicar, para estar COM.

A sexta edição o festival homenageia o Grupo HaiKai, que irá apresentar uma palestra-intervenção-performance, com concepção e direção de Suzi Weber e Mônica Dantas. O festival traz também o espetáculo Anatomia do Cavalo, de Marcos Moraes (São Paulo) e Rosa Primo, de Fortaleza, com o espetáculo Encanta meu Jardim, além de coreógrafos e companhias locais como o Coletivo Moebius, Anima Cia de Dança e Cia Municipal de Porto Alegre. O festival também traz a Mostra do Grupo Experimental de Dança, projeto que neste ano completa 10 anos, além da já tradicional Mostra Contemporaneidades com trabalhos escolhidos por processo de inscrição e seleção e que propõe mostrar a diversidade da produção de dança local em pesquisa em dança.

Outras informações: www.dancapontocom.com.

Programação
Terça-feira, 5
18h30 | Homenagem Haikai
20h| Solos em boa Cia - Cia Municipal de Dança

Quarta-feira, 6
19h | Anatomia do cavalo - Marcos Moraes (SP)
20h | Anatome - Canoas Coletivo de Dança

Quinta-feira, 7
19h | ATMA
20h | IGBA - Coletivo MOEBIUS

Sexta-feira, 8
19h | Encanta Meu Jardim - Rosa Primo (CE)
20h | Mostra Contemporaneidade

Sábado, 9
19h | Encanta Meu Jardim - Rosa Primo (CE)
20h | Narciso e Scanner - Cia Municipal de Dança

Domingo, 10
19h | Acuados - Anima cia de Dança
20h | Mostra Grupo Experimental de Dança

Oficinas | Sala Rony Leal  - Inscrições até 30 de junho

Honestidade na Dança
com Jorge Alencar
Dias 06 e 07 | 14h às 18h
Pesquisa Corporal, com Rosa Primo
Dia 08, 10h as 12h

Videodança e as poéticas do plano sequência
com Leonel Brum
Dias 08 e 09 | 13h as 17h

Atividades Paralelas | Alelier Livre
Mesa de Discussão: Processo de Criação em 3 Olhares
Andrea Bardawil (CE), Thereza Rocha (CE) e Sandra Meyer (SC) Dia 09 | 17h



/cultura /danca
Texto de: Airton Tomazzoni
Edição de: Jandira Davila Feijó
Autorizada a reprodução dos textos, desde que a fonte seja citada.

Hoje -Lançamento do edital do FAC-RS de Livro, Leitura e Literatura

Via postagem no perfil Alexandra Carvalho da Mota


É hoje! O lançamento do edital do FAC de Livro, Leitura e Literatura será às 18h30, no auditório do Memorial do RS. O lançamento integra as atividades promovidas pelo Memorial do Rio Grande do Sul em homenagem a Simões Lopes Neto. 

Não percam! Instituto Estadual Do Livro Câmara Rio-Grandense do Livro Memorial do Rio Grande do Sul

9 de junho de 2016

Ano Oficial do Centenário da Morte de João Simões Lopes Neto



Ano Oficial do Centenário da Morte de João Simões Lopes Neto
No centenário da morte, Simões Lopes Neto é homenageado pela prefeitura
A iniciativa de homenagear o escritor pelotense, reconhecido como um dos grandes autores brasileiros e que trouxe para a literatura a característica linguagem regionalista do pampa, é da Secretaria da Cultura de Porto Alegre.

João Simões Lopes Neto nasceu em Pelotas no dia 9 de março de 1865, município onde passou sua infância, morando na Estância da Graça (propriedade de seu avô paterno). Ficou órfão de mãe quando tinha 11 anos de idade. Na juventude morou por alguns anos no Rio de Janeiro, onde teria frequentado até a terceira série da Faculdade de Medicina. Por volta de 1884, retornou à terra natal. Sua carreira jornalística se iniciou logo a seguir no ano de 1888 escrevendo para o jornal "A pátria". E foi neste veículo que sua prolífica carreira literária teve início, publicando uma sessão chamada “Balas de Estalo”. Paralelamente a carreira jornalística, o Capitão também se aventurou como empresário, investindo sua herança em indústrias do tabaco, café, vidro e destilaria. Porém, não obteve grande êxito em nenhuma destas empreitadas. Aos 27 anos de idade casou-se com Francisca de Paula Meireles Leite, a Dona Velha. O casal não teve filhos legítimos, mas adotou a menina Fermina de Oliveira Lopes, nascida em 1896. Simões Lopes viria a falecer no dia 14 de junho de 1916, em Pelotas, aos 51 anos, devido a uma úlcera perfurada.

Obras lançadas em vida:

1910 - Cancioneiro Guasca
1912 - Contos Gauchescos
1913 - Lendas do Sul

Obras lançadas Postumamente:

1952 - Casos do Romualdo
1955 - Terra Gaúcha - História elementar do Rio Grande do Sul
2013 - Terra Gaúcha - História de Infância
2013 - Artinha de Leitura


O Instituto

O Instituto João Simões Lopes Neto (IJSLN) é uma associação civil pública, sem fins lucrativos que tem por objetivo a preservação, valorização e divulgação da memória e obra do escritor do qual carrega o nome. Sua criação se deu em agosto de 1999 pelo Grupo de estudos Simoneanos em reunião ocorrida na Associação Comercial de Pelotas.

Também no ano de 1999 o então deputado estadual, Bernardo de Souza, apresentou um projeto de lei onde declarava a casa, em Pelotas, que pertenceu ao escritor, como patrimônio cultural do Estado. No dia 5 de outubro de 1999, sob a lei 11.377, o projeto foi sancionado oficialmente pelo, na época, governador do estado, Olívio Dultra. No ano seguinte, com apoio de patrocínios, o IJSLN realiza a compra da antiga Casa de João Simões Lopes Neto, com o intuito de fixar ali sua sede.

A Casa passou então por uma série de reformas seguidas por uma restauração completa. Assim, no ano de 2004, em cerimônia com diversas autoridades, a casa restaurada é apresentada a comunidade pelotense. Desde então ela tem sido a sede oficial do Instituto, abrigando o acervo deste, bem como sendo palco para diversas atividades que o Instituto promove.

CEC divulga resultado da Avaliação Coletiva de maio



A Secretaria de Estado da Cultura (SEDAC) recebeu do Conselho Estadual de Cultura o resultado da Avaliação Coletiva realizada no mês de maio, dia 31/05.
Confira a lista dos projetos considerados Prioritários e os respectivos valores autorizados:
PETER PAN – 2016
R$ 85.994,00
FESTA DA COLÔNIA DE GRAMADO 2016
R$ 465.741,39
MOENDA DA CANÇÃO E VI INSTRUMENTAL – 2016
R$ 217.500,00
REVITALIZAÇÃO DA CASA VIDAL
R$ 1.280.520,37
IMAGENS LIVRO DE PARTITURAS DO VIOLÃO GAÚCHO COM MARCELO CAMINHA
R$ 163.082,20
OS PARES – QUANDO O AMOR E A DANÇA SE CONFUNDEM
R$ 161.257,50
VIOLA CAIPIRA – TURNÊ
R$ 221.180,00
FEIRA DO LIVRO DE GRAVATAÍ – 30ª EDIÇÃO – 2016
R$ 208.700,00
TARUMÃ EM DANÇA – 4ª EDIÇÃO – 2016
R$ 120.178,00
CONSTRUÇÃO
R$ 122.440,00

Feira do Livro e outros eventos devem encolher

via zero hora:
 
Política cultural

Feira do Livro e outros eventos devem encolher por mudanças na Lei de Incentivo do RS

Projetos culturais são obrigados a abrir mão de patrocínios para cumprir nova norma, válida apenas para 2016

Por: Fábio Prikladnicki
Feira do Livro e outros eventos devem encolher por mudanças na Lei de Incentivo do RS Bruno Alencastro/Agencia RBS
 
Feira do Livro de Porto Alegre poderá sofrer cortes "representativos" em 2016 Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS
Organizadores de tradicionais eventos do calendário cultural do Rio Grande do Sul – e outros não tão antigos – manifestam apreensão com uma instrução normativa publicada em março pela Secretaria de Estado da Cultura (Sedac). Entre outras medidas, o documento determina que projetos com pelo menos três edições já financiadas pela Lei de Incentivo à Cultura estadual (LIC-RS) poderão solicitar, neste ano, apenas 80% do valor médio captado nas últimas três edições ou R$ 240 mil – o que for maior.
A LIC-RS é um dispositivo semelhante à Lei Rouanet federal e permite investimentos em projetos culturais por meio de renúncia do ICMS. Os organizadores afirmam que terão de abrir mão de parte dos recursos já garantidos com patrocinadores devido à nova determinação – válida apenas para este ano, segundo o secretário da Cultura, Victor Hugo.

Lei Rouanet: prós, contras e a certeza de que precisa mudar
 
Entidade que realiza a Feira do Livro de Porto Alegre (a 62ª edição será de 28 de outubro a 15 de novembro), a Câmara Rio-Grandense do Livro informa que os 80% representam cerca de R$ 900 mil, enquanto no ano passado foi captado R$ 1,2 milhão pela LIC-RS. O orçamento total foi de R$ 2,5 milhões e também contou com recursos financiados pela Lei Rouanet. O presidente da Câmara, Marco Cena, afirma:
– A preocupação é enorme. Esses 80% representam, para nós, quase a metade do que precisamos e temos capacidade de captar. Sempre trabalhamos com a LIC-RS e a Lei Rouanet, mas a LIC é o mecanismo pelo qual conseguimos recursos com mais facilidade, pois a Rouanet exige empresas (patrocinadoras) que descontam mais impostos (Imposto de Renda).
Cena projeta que a feira deste ano terá cortes "representativos". Uma atividade que provavelmente será afetada, segundo ele, é o Projeto Quintanares, que oferece bônus para a compra de livros a alunos de escolas públicas que desenvolvem projetos de leitura.
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Coordenador-geral do Porto Alegre Em Cena, cuja 23ª edição será realizada de 13 a 26 de setembro, Luciano Alabarse afirma que tem garantidos R$ 300 mil acima do teto da instrução normativa. Como a verba não poderá ser utilizada, terá de abrir mão, segundo ele, de 10 a 20 espetáculos:
– Este é um ano de economia pavorosa no país. Manter as características do Em Cena em ano difícil pediria mais participação, e não menos.
Alabarse defende que as leis de incentivo federal e estadual devem ser aperfeiçoadas, mas não podem ser "punitivas" para eventos "reconhecidamente culturais, que têm papel de formação de plateia":
– Não entendo a lógica de diminuir o que demoramos 23 anos para conseguir: prestígio junto aos patrocinadores. O Estado está falido? Devolvemos isso em benefício do público, cobrando ingressos absurdamente baratos e realizando atividades gratuitas. São espetáculos que dificilmente chegariam aqui pelas leis de mercado.
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Para Alexandre Vargas, coordenador-geral do Festival Internacional de Teatro de Rua de Porto Alegre, a perda no orçamento dos eventos continuados pode chegar a 30% se considerada a inflação do período. No entanto, a instrução normativa não afetará a 8ª edição deste festival, que terá – entre os dias 19 e 28 deste mês – uma programação mais enxuta do que em anos anteriores devido à crise financeira. Vargas argumenta:
– A lógica de fomento não pode ser de projeto pontual, e o governo do Estado mostra coragem quando entra nesse debate com a instrução normativa. Agora, dentro dos projetos continuados, deve haver critérios diferenciados, levando em consideração a dimensão financeira de cada um. É inconcebível, no cenário em que estamos, ter uma captação já acordada e não poder utilizá-la em função dessa "régua".
Outro evento que deve ser reduzido neste ano é o Porto Alegre Jazz Festival, em outubro. Como ainda não tem três edições realizadas (a terceira será neste ano), a iniciativa se enquadra – de acordo com a instrução normativa – na categoria de novo projeto cultural. Significa que terá seu financiamento pela LIC-RS limitado a R$ 360 mil (R$ 240 mil, podendo solicitar mais 50% com aprovação da secretaria). Em 2015, captou pelo sistema R$ 900 mil do orçamento total de cerca de R$ 1,2 milhão. O curador e idealizador do POA Jazz, Carlos Badia, afirma:
– Temos uma intenção do patrocinador de investir mais do que esse valor (R$ 360 mil). No ano passado, aumentamos de três para quatro dias de shows, em comparação com 2014. Provavelmente neste ano voltaremos a ter três dias ou até dois, se for o caso. Para nós, não é bom, mas talvez para o conjunto da situação (da LIC-RS) essas medidas sejam necessárias, e tenhamos que nos adaptar.
Para Secretaria de Cultura, medida garante liquidez dos pagamentos
O secretário de Estado da Cultura, Victor Hugo, garante que as regras da LIC-RS para este ano não têm como objetivo reduzir o montante a ser investido em projetos culturais, que será de R$ 35 milhões, assim como no ano passado. Segundo ele, a meta é balancear as finanças do sistema da LIC-RS, garantindo liquidez nos pagamentos, e realizar uma distribuição de recursos menos concentradora.
– Quando assumi, em 2015, o banco de projetos aprovados era de R$ 70 milhões. Mas a capacidade de pagamento é sempre de R$ 35 milhões. Em 2015, foram efetivamente captados R$ 40 milhões. Então, em janeiro deste ano, a secretaria devia R$ 5 milhões ao sistema.
Segundo o titular da Secretaria de Cultura (Sedac), o objetivo é evitar uma prática similar ao overbooking – quando uma companhia aérea, por exemplo, vende mais passagens do que a capacidade do avião. Se uma regra não fosse lançada, ele argumenta, o sistema poderia perder a capacidade de honrar as verbas já captadas. O coordenador do Pró-Cultura RS (que engloba a LIC-RS), Rafael Balle, afirma que a instrução normativa não foi uma medida isolada:
– Em nossa análise do cenário desde o início da gestão, vislumbramos uma grande demanda. Em junho do ano passado, a aprovação dos projetos foi limitada a R$ 2,9 milhões por mês (1/12 da capacidade total de R$ 35 milhões).
Balle acrescenta que a instrução normativa incentiva a realização de novos projetos associados a eventos continuados, com possibilidade de solicitação de até R$ 360 mil. O Porto Alegre Em Cena realizará, em outubro, o Inclusão Em Cena, com espetáculos gratuitos em diferentes regiões da Capital. O POA Jazz planeja um evento associado, chamado Homenagem ao Jazz, provavelmente em novembro, com atrações gratuitas e projeto educativo.
Citando as Semanas Farroupilha de diferentes cidades, Victor Hugo defende que os recursos financiados via LIC-RS devem ser direcionados principalmente à atividade fim, e não à atividade meio:
– Se analisarmos os projetos rubrica por rubrica, eles incluem arquibancada, projeto arquitetônico, iluminação, montagem de estande. Tem uma série de custos que não são finalísticos. Mas o Estado pode e quer incrementar a programação artística.
Em agosto, o secretário pretende disponibilizar na internet o esboço das regras da LIC-RS para o ano que vem com o objetivo de colher colaborações do meio cultural.

8 de junho de 2016

Programa Banrisul Patrocínios recebe inscrições de projetos

O Programa Banrisul Patrocínios recebe até o dia 22 de julho inscrições para seleção pública de projetos interessados em obter patrocínio do Banco no ano de 2017. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas exclusivamente pela internet por meio do site www.banrisul.com.br/patrocinios, no link “Inscrição de Projetos de Patrocínio”.
O envio de projetos para participação no Programa de Patrocínios Banrisul do ano de 2017 deve seguir as etapas previstas no edital, que está disponível para consulta no mesmo endereço eletrônico.
O Programa Banrisul Patrocínios é um sistema de seleção pública de iniciativas que buscam apoio financeiro direto da instituição para sua execução, não incluindo projetos apoiados pelas Leis de Incentivo Fiscal (Rouanet, Audiovisual e Esporte).
O processo seletivo é feito por meio de chamada pública. O objetivo é dar transparência na definição dos patrocínios apoiados pelo Banco. Os recursos serão destinados à realização de projetos em áreas comerciais, sociais, ambientais, culturais e esportivos, que tenham início a partir do dia 1º de janeiro de 2017 e término até 31 de dezembro de 2017.
Inscrições
Estão aptos a se inscrever pessoas jurídicas constituídas no Brasil, que tenham em seu objeto social atividade compatível com o desenvolvimento do projeto a ser inscrito no programa e ser legítimo detentor, ou representante dos direitos de realização do projeto a ser inscrito.
A divulgação dos pré-selecionados será feita entre os dias 01/09 a 06/9/2016, no site www.banrisul.com.br/patrocinios.

Texto: Comunicação/Banrisul
Edição: Cristina Lac/Secom

Obras do Centro Cultural Terreira da Tribo começam semana que vem

Foto: Luciano Lanes /PMPA
Prédio, na Cidade Baixa, terá três pavimentos com área para teatro de rua
Prédio, na Cidade Baixa, terá três pavimentos com área para teatro de rua
Foto: Luciano Lanes /PMPA
Prefeito destacou a importância do grupo para a cultura popular da Capital
Prefeito destacou a importância do grupo para a cultura popular da Capital
Com um discurso emocionado, que exigiu algumas pausas, a representante da tribo de atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, Tânia Farias, classificou como “terra sagrada” o terreno da Cidade Baixa onde será construído o Centro Cultural Terreira da Tribo. A ordem de início das obras foi assinada nesta quarta-feira, 8, pelo prefeito José Fortunati, num ato público que reuniu atores, apoiadores do grupo, autoridades e os servidores municipais envolvidos no projeto. O prédio, na esquina da rua João Alfredo com a avenida Aureliano de Figueiredo Pinto terá três pavimentos, com mezanino, galpão cênico, biblioteca, videoteca, foyer, cafeteria, loja, banheiros, espaço para teatro de rua e estacionamento com 25 vagas.
 
Fortunati lembrou a trajetória do Ói Nóis Aqui Traveiz, criado nos anos 70, e que se tornou uma referência no cenário internacional do teatro popular pela inovação, criatividade, pioneirismo e uma certa agressividade, no sentido positivo. “Estamos realizando um sonho da cultura popular da Capital. É o reconhecimento ao trabalho desta tribo de atuadores, que leva para todo o Brasil e para outros países o nome de Porto Alegre. Será uma obra fantástica, um espaço coordenado pelo grupo, mas aberto a todos, de forma plural, democrática, como estão acostumados a trabalhar”, afirmou o prefeito. Ele citou o nome de todos os servidores municipais envolvidos no projeto e destacou que o trabalho foi feito com amor e muita dedicação.
 
O terreno foi doado pela prefeitura e o projeto desenvolvido pela equipe da Divisão de Projetos Prediais da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov). O engenheiro João Pancinha, que liderou o trabalho, destacou a transversalidade entre as secretarias e departamentos municipais para tornar o empreendimento possível. “Uma cidade e um povo desenvolvido dependem e priorizam a cultura. É o que buscamos aqui. Porto Alegre vai receber um equipamento qualificado, de primeiro mundo”, disse Pancinha. O secretário municipal da Cultura, Roque Jacoby, também citou o trabalho integrado no desenvolvimento do projeto e para viabilizar a obra, que segundo ele “diferencia Porto Alegre no cenário nacional do teatro e da arte popular”. 
 
Os atuadores do Ói Nóis Aqui Traveiz agradeceram o empenho de Fortunati e dos servidores municipais para tirar o projeto do papel. Tânia Farias ressaltou que sempre teve um canal direto para conversar com o prefeito sobre o Centro Cultural. “A tribo é um símbolo de Porto Alegre e foi difícil fazer um gestor dessa cidade reconhecer isso. O Fortunati reconheceu e a Smov abraçou o projeto. É muito importante isso que está acontecendo. Fazemos arte pública, para a população, de graça, e por isso precisamos uma sede própria e pública. Começamos a luta em 1996, e chegamos aqui. Estamos muito felizes!”, concluiu Tânia. 
 
A empresa Frame - Engenharia e Telemática foi a vencedora da licitação. Serão investidos R$ 6.156.531,84, com recursos provenientes do Ministério da Cultura (R$ 1,4 milhão) e da Prefeitura (R$ 4,8 milhões). A expectativa é de que as obras comecem na próxima semana, com conclusão em dezembro de 2017. O espaço será administrado pelo Ói Nóis Aqui Traveiz. Também participaram do ato o secretários municipais de Obras, Rafael Fleck, de Meio Ambiente, Leo Bulling, o diretor-geral do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), Gustavo Fontana, gestores municipais e servidores. 
 
Ói Nóis Aqui Traveiz - Exibiu seu primeiro trabalho cênico em 31 de março de 1978, apresentando A Divina Proporção e A Felicidade Não Esperneia Patati Patatá, duas peças curtas de Júlio Zanotta Vieira, um dos fundadores, junto com o integrante do grupo Paulo Flores. A estreia foi em um prédio da rua Ramiro Barcelos, uma antiga boate reformada pelos próprios integrantes da tribo. Seis anos depois, eles se instalaram na rua José do Patrocínio, em um galpão a que deram o nome de Terreira da Tribo, local que denominaram de experimentação e pesquisa cênica. Sempre agindo coletivamente, tanto na sustentabilidade de sua sede como em suas produções, os atuadores criaram oficinas gratuitas de teatro livre e fizeram intervenções em ruas e praças. Durante 11 anos, o grupo habitou a terreira na Cidade Baixa, de onde saiu para a rua João Inácio, no bairro Navegantes. Atualmente, ocupa um prédio na rua Santos Dumont, 1186, no bairro São Geraldo. 
 


/cultura /obras /teatro
Texto de: Melina Fernandes
Edição de: Manuel Petrik
Autorizada a reprodução dos textos, desde que a fonte seja citada.

6 de junho de 2016

Para não perder os trilhos da história

EDITORIAL DO PRESIDENTE DO MTG-RS
Vivemos momentos de extrema dificuldade em nossa sociedade, momento propício e campo fértil àqueles que levantam incertezas, dúvidas, implantam desconfianças e não desejam que as coisas se estabeleçam com tranquilidade e serenidade. Infelizmente, para aqueles que se intitulam verdade absoluta, caminho seguro, sem a capacidade de reconhecer outras alternativas, verdadeiras e propositivas, alimentar dúvidas quanto à capacidade individual de realização é uma das estratégias largamente usadas. Estas situações se enquadram nas relações dos indivíduos e em relações institucionais. O próprio MTG, uma entidade que constrói ao longo de sua história uma trajetória forjada em valores que moldam nossa sociedade e nossa identidade regional, também sobre ele recaem dúvidas, falta de apoio, descrédito, alimentando um desconhecimento que muitas vezes parece provocativo e sem o devido reconhecimento.
Devemos ter a grandeza e a sensibilidade de tomarmos as posições devidas e necessárias para buscarmos cumprir objetivos claros de nosso Movimento, de agregar, oportunizar o surgimento e a construção de novas lideranças, saber que a sociedade tem capacidade intelectual de contribuir com a caminhada de nossa instituição. Quando nos apercebermos pode ser tarde demais. Movimentos paralelos e interesses rondam nossa organização. Alguns movimentos coletivos, individuais, que se julgam organizados, tentam interferir nos processos de caminhada do nosso Movimento.
Este é o grande momento de retornarmos a pensar o Movimento. A necessidade é urgente. Precisamos aprofundar debates, estudos, análises, projetar nosso futuro buscando alternativas que estabeleçam uma situação confortável de nossa instituição. Nosso crescimento é visível e mensurado a cada evento que realizamos e o caminho é este. As soluções estão a nossa frente, basta abrirmos os olhos, a mente, mudar e reestruturar algumas atitudes e posicionamentos, posturas, sairmos de uma zona que consideramos de conforto e implementarmos os processos evolutivos que a sociedade nos oferece, buscando um aperfeiçoamento em nossas relações, sem perdermos a simplicidade e ao mesmo tempo fazendo um resgate destas questões e das formas como fazíamos há algum tempo atrás.
Este é o momento de gerarmos estes questionamentos, de aprofundarmos questões que se apresentam, de pensarmos que forma queremos que nosso Movimento se apresente à sociedade. Temos uma grande força, uma grande organização, eventos envolventes, pessoas abnegadas e solidárias a este trabalho. O MTG, nossa federação, deve ser cada vez mais engrandecido, valorizado e a ele dado o devido reconhecimento quanto a sua importância social.
Temos história, serviços prestados à sociedade, comprometimento com o coletivo, com a família, responsabilidade na construção de soluções juntamente com os governos legitimamente constituídos e comprometidos com as organizações sérias e construtoras de um bem maior, o bem social. Assim está o MTG para o estado.

Nairo Callegaro
Presidente do MTG

5 de junho de 2016

Edital de fomento às artes cênicas abre inscrições

A Secretaria da Cultura de Porto Alegre abre nesta segunda-feira, 6, as inscrições ao Programa Municipal de Fomento ao Trabalho Continuado em Artes Cênicas para a cidade de Porto Alegre. O edital fica aberto até o dia 20 de junho e já está disponível no site www.portoalegre.rs.gov.br/smc, no blog www.maisteatro.org e na Coordenação de Artes Cênicas da Secretaria Municipal da Cultura (Centro Municipal de Cultura - av. Érico Veríssimo, 307). Nessa edição, as inscrições serão realizadas através da ficha eletrônica que está disponível no site da prefeitura de Porto Alegre na aba destinada aos editais. Serão contemplados dois projetos com orçamento de até R$ 125 mil cada ou mais propostas de menor custo. O total de recursos desse edital é de R$ 250 mil.

O Programa Municipal de Fomento ao Trabalho Continuado em Artes Cênicas para a cidade de Porto Alegre tem por finalidade apoiar a manutenção e criação de projetos de pesquisa e produção na área de artes cênicas, visando seu desenvolvimento bem como o melhor acesso da população aos mesmos.

Serão selecionados, através do edital, projetos de pessoa jurídica que representem núcleos artísticos com atividade profissional no Município de Porto Alegre. Poderão participar do programa grupos de circo, dança, música e teatro que comprovadamente estejam em atividade no município há no mínimo 5 anos.

O resultado final do edital será divulgado no dia 19 de agosto de 2016 no Diário Oficial de Porto Alegre, no site www.portoalegre.rs.gov.br/smc e no blog www.maisteatro.org.

Outras informações 
Coordenação de Artes Cênicas
Secretaria Municipal da Cultura
(51) 3289-8061 / (51) 3289-8062
www.maisteatro.org
www.facebook.com/artescenicaspoa


/artes_cenicas /cultura
Edição de: Manuel Petrik
Autorizada a reprodução dos textos, desde que a fonte seja citada.

3 de junho de 2016

Ordem de início das obras da Terreira da Tribo será dada quarta

03/06/2016 18:21:43

Foto: Rafael Saes/Divulgação PMPA
Tribo de atuadores Ói Noiz Aqui Traveiz terá sede própria
Tribo de atuadores Ói Noiz Aqui Traveiz terá sede própria
A prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Cultura (SMC) e da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov), dá ordem de início para a obra de construção do Centro Cultural Terreira da Tribo, na esquina da rua João Alfredo com a avenida Aureliano de Figueiredo Pinto, no bairro Cidade Baixa. O projeto, desenvolvido pela equipe da Divisão de Projetos Prediais da Smov, prevê três pavimentos, um mezanino, um galpão cênico, biblioteca, videoteca, foyer, cafeteria, loja e estacionamento.

A licitação para a construção do prédio ocorreu em abril e teve como vencedora a empresa Frame - Engenharia e Telemática. Para a construção do centro cultural, serão investidos aproximadamente R$ 7 milhões, com recursos provenientes do Ministério da Cultura (MinC) e da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. A expectativa é de que as obras comecem ainda na próxima semana, com conclusão em dezembro de 2017. O espaço será administrado pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.
 
O grupo exibiu seu primeiro trabalho cênico em 31 de março de 1978, apresentando A Divina Proporção e A Felicidade Não Esperneia Patati Patatá, duas peças curtas de Júlio Zanotta Vieira, um dos fundadores, junto com o integrante do grupo Paulo Flores. A estreia foi em um prédio da rua Ramiro Barcelos, uma antiga boate reformada pelos próprios integrantes da tribo. Seis anos depois, eles se instalaram na rua José do Patrocínio em um galpão a que deram o nome de Terreira da Tribo, local que denominaram de experimentação e pesquisa cênica. Sempre agindo coletivamente, tanto na sustentabilidade de sua sede, como em suas produções, os atuadores criaram oficinas gratuitas de teatro livre e fizeram intervenções em ruas e praças. Durante 11 anos, o grupo habitou a terreira na Cidade Baixa, de onde saiu para a rua João Inácio, no bairro Navegantes. Atualmente, ocupa um prédio na rua Santos Dumont, 1186, no bairro São Geraldo. 
 


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Texto de: Luciana Turela e Maristela Bairros
Edição de: Isabel Cristina Kolling Lermen
Autorizada a reprodução dos textos, desde que a fonte seja citada.

Vitor Ramil: "O artista paga alto preço por levar uma vida não convencional"

via zero hora:

 
Especial: A Cultura no Governo


Em artigo, músico e escritor reflete sobre o papel e a imagem dos artistas em um momento de crise política no Brasil


Vitor Ramil: "O artista paga alto preço por levar uma vida não convencional" Ana Miranda/Divulgação
Foto: Ana Miranda / Divulgação
A história é mais ou menos assim: Mark Twain, o escritor norte-americano, estava sentado na varanda de sua casa quando passou um vizinho e perguntou "Descansando, vizinho?", ao que ele respondeu, "Não, trabalhando". Outro dia o mesmo vizinho o viu cortando a grama do jardim e perguntou "Trabalhando, vizinho?", e Twain respondeu, "Não, descansando".
Lembrei dessa historinha para exemplificar a ideia de que o trabalho e o descanso do artista não se parecem com os das demais profissões. Para o senso comum, "artista" nem mesmo parece ser profissão. Para que serve o artista afinal? O sistema não tem, a priori, um lugar para ele. O pintor francês Paul Gauguin trocou uma profissão "de respeito" e rentável para se tornar um pintor destinado a viver e morrer na pobreza e sem reconhecimento. Que julgamento esperar dos contemporâneos de Gauguin senão o de que ele havia enlouquecido, que era um misantropo, um inadaptado?

Série A Cultura no Governo:
Entre o ministério e a secretaria, qual o poder da Cultura?Como a cultura movimenta a economia e uma cadeia produtivaIntelectuais e artistas analisam ataques à classe cultural

A sociedade está sempre pronta para receber os engenheiros, os médicos ou os advogados, nunca os artistas. Se um médico pendurar seu diploma em uma parede, entrar e sair rotineiramente pela porta de um consultório em que estiver afixada uma placa com seu nome e especialidade, ninguém dirá que ele não é um médico, seja ele bom ou mau profissional. Para o artista, um diploma e uma porta com seu nome nunca serão o suficiente. Seu reconhecimento dependerá sempre de critérios subjetivos. O que ele faz é artístico? O que é arte afinal? O próprio artista pode passar a vida fazendo-se essas perguntas. O dilema começa cedo. Ninguém pode dizer a uma criança ou a um adolescente se ele é ou será um artista. O artista só ouve a própria voz. Nos tornamos aquilo que somos, disse outro escritor. Mas que difícil é escutar a própria voz, dizer para si mesmo: sou um artista, serei um artista.
Em minha casa, estimulamos muito nossos filhos a seguirem o caminho da arte caso se sentissem vocacionados para tal. Para a nossa alegria e a deles, Ian e Isabel são hoje artistas que muito nos orgulham. Mas sei que na maioria das famílias os pais tremem diante do projeto ou da decisão dos filhos adolescentes de quererem seguir esse caminho. O medo dos pais talvez se origine da percepção de que os jovens não têm experiência de vida suficiente para medir os riscos de uma escolha profissional equivocada ou de difícil trajetória – sem falar que, para muitos, escolher a arte significa simplesmente abrir mão de ter uma profissão "de verdade".

Lei Rouanet: prós, contras e a certeza de que precisa mudar
 
A difícil trajetória para um artista pode ser consequência do valor intrínseco do que ele produz, mas pode também, e talvez principalmente, resultar da dificuldade de inserção num sistema em que a arte é menos necessária que supérflua – daí a importância, para todas as sociedades, da existência de instituições culturais sólidas, aquelas que ambicionam dar à arte seu devido e digno lugar no sistema. Mesmo atuando num contexto adverso, o artista pode ser tido em alta estima. Mas é mais comum que enfrente preconceitos de toda ordem. É moeda corrente que seja taxado como vagabundo, boêmio, preguiçoso e/ou desregrado, por exemplo.
Particularmente considero da maior importância a vagabundagem, a boemia, a preguiça e o desregramento para o fazer artístico. Mas sei que um só desses adjetivos poderia destruir a reputação dos profissionais "respeitáveis" das profissões, digamos, convencionais. O artista paga alto preço por levar uma vida não convencional. Além disso, como para as pessoas em geral a arte está ligada aos momentos de entretenimento, prazer ou mesmo de descanso – aos momentos em que saem da "rotina" –, impõe-se a ideia de que o artista vive só nesses, por esses e desses momentos de lazer, que sua vida é uma festa permanente. Pouco se sabe do fazer artístico, do quão difícil e complexo ele pode ser, de quanta transpiração existe para cada inspiração. Quem não conhece a fábula da cigarra e da formiga?
Por mais que pensemos em culturas diferentes, em países em que a arte seja mais ou menos valorizada, nos EUA de Twain, na França de Gauguin, no Brasil de Noel Rosa – aquele boêmio incorrigível que, tendo vivido apenas 26 anos, criou uma obra genial com potência suficiente para moldar nossa identidade nacional –, não acredito que o papel do artista na sociedade mude muito de um lugar para o outro. No caso do Brasil atual, a dita demonização dos artistas me parece pontual, diz respeito à política. As pessoas estão demonizando umas às outras de um modo que acena com a barbárie, com a falência de um projeto democrático para o país. Por que os artistas seriam poupados dessa insanidade se, em sua maioria, eles se situam no espectro político mais à esquerda, justamente o que agora está sendo julgado?
Mas estou seguro de que aqueles que hoje insultam um Chico Buarque ou um obscuro grupo de teatro de vanguarda sabem, no fundo, que o trabalho desses artistas é da maior importância; sabem que, produzindo cada um a seu modo e com liberdade, eles são fundamentais para a nossa constituição como nação. Uso a expressão "no fundo" de propósito. Talvez o foco agora devesse estar no fundo, talvez precisássemos ir fundo nisso tudo. Que tal irmos e sairmos de lá compartilhando a mais legítima alegria cidadã?

Intelectuais e artistas analisam ataques à classe cultural

via zero hora:

Terceira e última reportagem da série aborda a importância da cultura para o avanço da sociedade

Por: Fábio Prikladnicki
Intelectuais e artistas analisam ataques à classe cultural Adriana Marchiori/Divulgação
Intervenção cênica "Cidade Proibida", da Cia. Rústica: a arte pode ser uma forma de pensamento crítico Foto: Adriana Marchiori / Divulgação
O teórico britânico da literatura Terry Eagleton considera a cultura "uma das duas ou três palavras mais complexas" da língua inglesa. A afirmação está no livro A Ideia de Cultura e provavelmente pode ser aplicada ao contexto brasileiro, especialmente neste momento de turbulência política nas ruas e nas redes sociais.
Desconhecendo ou minimizando a importância das manifestações criativas, um setor particularmente conservador da classe política e da sociedade tem criticado trabalhadores do setor e manifestado aversão ao investimento público na área, que estaria, segundo este ponto de vista, drenando recursos de setores prioritários como saúde e educação.
Um mergulho nos números mostra outra realidade: o financiamento público para a cultura já é considerado abaixo das expectativas. Como apontou reportagem sobre a Lei Rouanet publicada no caderno DOC de Zero Hora no último fim de semana, a isenção fiscal do governo federal para projetos culturais em 2016 representará apenas 0,66% do total de gastos tributários para todos os setores da economia. Para efeito de comparação, as isenções para desporto e lazer somarão 1,25%.

Primeira reportagem: Entre o ministério e a secretaria, qual o poder da Cultura?
Segunda reportagem: Como a cultura movimenta a economia e uma cadeia produtiva

Como analisar, portanto, a resistência à cultura que se insinua? Uma hipótese é que a arte tem especial capacidade de ativar o senso crítico de seus apreciadores, oferecendo alternativas ao status quo – por isso, seria vista por figuras do poder como perigosa. Naquela que é considerada a maior obra da dramaturgia de todos os tempos, Hamlet expõe o crime de seu tio Cláudio – que matou seu pai e depois se casou com sua mãe – ao criar uma encenação teatral de como tudo ocorreu. A reação assustada de Cláudio ao assistir ao espetáculo é a prova de culpa.
Por provocar reflexão, a arte pode desacomodar – afirma Francisco Marshall, historiador, arqueólogo e professor da UFRGS, que cita Sófocles, Shakespeare e Coppola como alguns dos nomes que criaram obras questionadoras. – Essa inteligência desagrada aos que lucram com a ignorância, como esses pastores pentecostais, políticos safados e exploradores em geral, hostis à inteligência emancipada. Daí se compreende seu combate à arte e à cultura.

Lei Rouanet: prós, contras e a certeza de que precisa mudar

Há, também, a hipótese de que uma espécie de ódio à cultura esteja sendo gestada por representantes do estamento político e outras figuras de influência pública com vistas a um ganho eleitoral a partir de preconceitos subjacentes em parte da sociedade. A filósofa e escritora Marcia Tiburi analisa:
– Além de tudo, xingar é um procedimento de humilhação que produz um imediato lucro subjetivo. Diria que, no Brasil, produz votos. As pessoas votam em quem xinga conforme sua necessidade. Muitos dos que foram eleitos não dizem nada de relevante, mas ganham votos na gritaria e no xingamento e na exposição burra e preconceituosa com a qual muita gente se compraz porque é só o que lhes restou.

Ataques à arte têm histórico autoritário

Não é por acaso que a arte expressionista foi vista como uma ameaça por Hitler, que advogava um ideal estético em consonância com a barbárie que propunha no plano social. Como acrescenta o escritor Luiz Antonio de Assis Brasil, a cooptação da arte a serviço de um projeto político autoritário ocorreu também no período stalinista, cuja produção, em suas palavras, "era um pavor, em termos estéticos e conceituais":
Mas um fato é certo: nenhum governo totalitário conseguiu abafar, de modo permanente, a expressão artística. Ela permaneceu enclausurada, mas viva. Podemos pensar como exemplo os catalães Pablo Picasso e Pablo Casals, que tiveram de sair de seu país por conta de um regime adverso. E suas manifestações artísticas permanecem até hoje.
Para Marshall, os ataques à cultura atualmente em curso têm raízes mais próximas, remetendo ao período do regime militar:
– Embora o caso nazista seja o mais brutal da história da humanidade e seja, portanto, referência e mesmo uma possibilidade histórica latente, creio que no Brasil temos agora um revival da hostilidade a artistas e intelectuais gerada e cevada na época da ditadura. Quem discorda do governo é tido como esquerdista e quem não tem cultura associa o poder do Estado ao vigor paterno e à restauração da ordem. Logo, atacar artistas faz parte de uma pulsão inconsciente e reacionária de retorno à ordem, ilusória, improdutiva e violadora.
Agora: como sintetizar a importância das manifestações criativas em uma sociedade para além de seus efeitos materiais e econômicos? Marshall observa:
A arte elabora símbolos, atualiza a memória cultural e produz representações elaboradas do mundo e da condição humana. Muitas vezes, a arte examina situações difíceis e produz espelhos que nos ajudam a compreender os verdadeiros problemas e nos posicionar diante deles com maior inteligência. Outras vezes, oferece um cenário de liberdade e imaginação em que nos alimentamos para os demais esforços da vida, sobretudo os processos criativos e educacionais.
Embora arte e cultura às vezes se confundam, há distinções importantes, como explica Marcia:
Cultura é o que experimentamos. Cultura é justamente aquilo que é naturalizado, que não parece cultura. A arte é a parte da cultura que expõe a consciência da cultura. Vou usar uma analogia: se gênero é um assunto naturalizado, feminismo é a consciência dessa naturalização.
Na opinião da atriz e diretora teatral Deborah Finocchiaro, é preciso reforçar o poder transformador da arte. Segundo ela, determinados embates entre segmentos polarizados da sociedade podem servir como cortina de fumaça enquanto desmandos ocorrem nas esferas superiores de poder. Assim, segundo ela, é preciso unir forças, apesar das diferenças. Nesse sentido, a arte deve ser vista como uma aliada:
– O que devemos defender? Já não acho que seja a esquerda ou a direita. Temos que buscar o caminho da esperança para o ser humano, da dignidade para todos. Temos que nos entender apesar das diferenças e não ficar desqualificando ninguém. Pela arte, conseguimos obter novas perspectivas, pensar de outras formas.
Especial – A Cultura no Governo
Segunda (30/5): O Poder da Cultura
Quarta (1º/6): O Valor da Cultura
Sexta (3/6): A Imagem da Cultura

2 de junho de 2016

Abertas as inscrições para o Edital Natura Musical 2016



O edital é financiado pela Pró-Cultura RS – LIC e as inscrições deverão ser feitas até às 23h59 do dia 24 de junho, exclusivamente pelo site natura.sponsor.com

A diretora de Economia da Cultura, Erica Lewis (E), a gestora de Marketing Institucional da Natura, Fernanda Paiva (C) e o coordenador do pró-Cultura RS, Rafael Balle (D) Foto: Roberta Amaral

A diretora de Economia da Cultura, Erica Lewis (E), a gestora de Marketing Institucional da Natura, Fernanda Paiva (C) e o coordenador do pró-Cultura RS, Rafael Balle (D)
Foto: Roberta Amaral

A diretora de Economia da Cultura, Erica Lewis, e o coordenador do pró-Cultura RS, Rafael Balle, participaram na noite de quarta-feira (1º) de um bate-papo com a gestora de Marketing Institucional da Natura, Fernanda Paiva, sobre o Edital Natura Musical 2016 – Rio Grande do Sul. O encontro, que reuniu artistas e produtores no Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mario Quintana, serviu para explicar as regras que, este ano, terá financiamento da Lei de Incentivo à Cultura (LIC) no valor de R$ 800 mil.
Os Editais Natura Musical, que irão selecionar novos trabalhos (CDs, DVDs e outros) e propostas de registro e difusão (filmes, livros, pesquisas, digitalização de acervos e outros produtos culturais) com foco em música brasileira, apoiam projetos de todo o Brasil por meio da Lei Rouanet e das leis estaduais de incentivo à cultura da Bahia, Pará e Rio Grande do Sul.
COMO PARTICIPAR
As inscrições deverão ser feitas até às 23h59 do dia 24 de junho, exclusivamente pelo site natura.sponsor.com contendo todas as informações obrigatórias, incluindo os anexos.
TIPOS DE PROJETOS
Lançamento de novos trabalhos: artistas novos e consagrados que preparam lançamento de trabalhos com repertório ou conteúdos inéditos, os projetos dessa categoria podem contemplar produção de produto cultural, shows e ações de lançamento, conteúdos audiovisuais e estratégia de comunicação para divulgação.
Registro e difusão: projetos de registro de artistas, gêneros ou movimentos culturais tradicionais, históricos ou contemporâneos que contribuam para a identidade musical brasileira. Poderão contemplar documentários, exposições, pesquisas e mapeamentos, publicações, acervos, plataformas de conteúdo e registro audiovisual.
Voto Popular: artistas em início de carreira que desejam lançar 1º ou 2º álbum, essa categoria pode contemplar lançamento de novo álbum, prensagem e estratégia de distribuição digital, shows e ações de lançamento, conteúdos sobre o projeto, produção de clipes e registros audiovisuais. Essa categoria é exclusiva para projetos da Lei Rouanet.
CRITÉRIOS
O Natura Musical busca projetos que combinem a diversidade dos ritmos brasileiros com conceitos sonoros universais, que transitem entre o tradicional e o contemporâneo e que sejam capazes de valorizar nessa mistura criativa uma beleza que encanta e desperta o interesse das pessoas.
Além da adequação a esse conceito do programa, os critérios para a seleção dos projetos são: Relevância cultural, Excelência, Potencial de mobilização, Visibilidade, Viabilidade de execução, Democratização do acesso, Inovação e Relação Custo x Benefício.
ANEXOS OBRIGATÓRIOS
Planilha orçamentária: no orçamento do projeto, devem ser considerados todos os custos com impostos, seguros, direitos autorais, divulgação, contabilidade, sempre respeitando os limites definidos pelas leis de incentivo, em especial sobre os gastos administrativos e de comunicação. Serão aceitas apenas planilhas utilizadas nas leis de incentivo à cultura ou no modelo disponível neste edital (clique aqui para baixar o modelo de planilha orçamentária).
Plano de comunicação: o plano de comunicação deve conter todas as ações previstas para comunicação e divulgação do projeto, assim como a periodicidade. Serão aceitos arquivos em Word ou PDF.
Materiais de referência: para as categorias Lançamentos de Novos Trabalhos e Voto Popular: deve ser anexado no formulário eletrônico, em formato mp3, pelo menos uma gravação de faixa que represente o projeto proposto.
Para a categoria Registro e Difusão: recomenda-se o envio de links ou arquivos de conteúdo em áudio, vídeo ou texto com referências sobre o projeto, como por exemplo, entrevistas, making of, referências visuais, projetos gráficos, entre outros.

1 de junho de 2016

Açorianos de Música recebe inscrições


01/06/2016 13:38:34

Solenidade de premiação será no dia 1º de novembro
A Secretaria da Cultura de Porto Alegre (SMC) está recebendo, de 1º de junho a 22 de julho, as inscrições para o Prêmio Açorianos de Música. O regulamento completo pode ser acessado aqui.  Podem concorrer ao prêmio Açorianos de Música toda a produção musical gaúcha comprovadamente lançada em Porto Alegre, durante o período de 1º de julho de 2015 a 30 de junho de 2016, nos gêneros Música Regional, Música Popular Brasileira, Música Erudita, Música Instrumental, Música Pop. Serão avaliadas e premiadas as seguintes categorias:

I - Compositor (a)
II – Intérprete
III – Instrumentista
IV – Álbum

Independente de gêneros, também serão concedidos prêmios nas categorias: Homenageado do Ano, Espetáculo do Ano, DVD do Ano, Arranjador, Projeto Gráfico, Melhor Álbum Infantil, Produtor Musical, Álbum do Ano (que só poderá ser concedido aos discos vencedores de suas categorias específicas) e Revelação do Ano, escolhido pelo conjunto da obra. A Secretaria da Cultura poderá, a seu critério, conceder  Menções Especiais a outras categorias, bem como criar  subcategorias ou subgêneros, atribuindo prêmios específicos. Da mesma forma, fica reservado à secretaria o direito de não conceder o prêmio a uma ou mais categorias.
Cronograma
1º de junho a 22 de julho, das 9h às 12h e das 14h às 17h - Período das inscrições, que devem ser realizadas na Coordenação de Música da Secretaria Municipal da Cultura, na Usina do Gasômetro (av.
Presidente João Goulart, 551 sala 606 – 6º andar).

Até 1º de julho - Manifestação de interesse em participar da Comissão Julgadora de 2016, facultado aos artistas indicados ao prêmio nas últimas cinco edições, contanto que manifestem expressamente a disposição de participar do processo, até o número de cinco, por ordem de inscrição.

26 de agosto - Divulgação dos indicados na categoria Álbum no Diário Oficial de Porto Alegre e no site da secretaria.

5 de outubro - Divulgação dos indicados na categoria DVD, Espetáculo, Melhor Álbum Infantil, Arranjador, Produtor Musical, Projeto Gráfico, Revelação Do Ano. No Diário Oficial de Porto Alegre e no site da secretaria

1º de novembro - Solenidade de entrega dos troféus e prêmios. 
Outras informações
Coordenação de Música
Usina do Gasômetro (Av. Presidente João Goulart, 551 sala 606 – 6º andar).
(51) 3289 8119


/acorianos_de_musica
Texto de: Cleber Saydelles
Edição de: Andrea Brasil
Autorizada a reprodução dos textos, desde que a fonte seja citada.

Como a cultura movimenta a economia e uma cadeia produtiva



via zero hora:

Segunda reportagem da série sobre a cultura na política mostra que a economia criativa contribui para o desenvolvimento e gera empregos
Por: Fábio Prikladnicki

Quando o presidente em exercício Michel Temer anunciou a extinção do Ministério da Cultura (MinC), pouco depois de assumir o governo, parte da população comemorou a decisão nas redes sociais, partindo de uma visão segundo a qual artistas seriam espécies de parasitas que vivem exclusivamente de verba governamental e não movimentam a economia. A volta do MinC, depois de protestos no segmento cultural em diferentes regiões do país, não arrefeceu a polêmica.
– Este ponto de vista é um absurdo. A ideia de que a cultura não gera negócio é uma visão atrasada – afirma Gabriel Pinto, gerente de Indústria Criativa do Sistema Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro).
O Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil, divulgado em 2014 pela Firjan, aponta que o PIB da indústria criativa cresceu 69,8% em termos reais de 2004 a 2013, quase o dobro dos 36,4% de incremento do PIB brasileiro. No mesmo período, houve alta de 90% no número de empregos criativos formais, enquanto o mercado de trabalho nacional como um todo avançou 56%. Os números reúnem os setores de cultura, consumo, mídias e tecnologia. Pinto atribui os dados positivos ao aumento no investimento e no consumo:
– A cultura é importante não apenas como estratégia de desenvolvimento, mas também pelo transbordamento para outros setores econômicos. Tivemos políticas culturais importantes nas últimas duas décadas, mas há muito por fazer. Temos um potencial enorme de internacionalização. Na hora em que isso ocorrer, vai carregar os produtos brasileiros para fora.
O especialista da Firjan explica que a cultura representa uma ¿economia de externalidade¿, ou seja, aquela cujo benefício gera efeitos para terceiros:
– A cultura pode ser comparada a uma vacina. Quando você toma vacina, seu vizinho também fica melhor, porque você se preveniu. Da mesma forma, quando se consome cultura, a população fica melhor. Melhora a educação, a inclusão social, uma série de coisas.
Impacto material no desenvolvimento do país
Apesar de as estatísticas sobre economia criativa no Brasil ainda não terem atingido a profundidade que especialistas esperam, estudos divulgados nos últimos anos permitem avaliar seu impacto material no desenvolvimento do país. Segundo o Sistema de Informações e Indicadores Culturais 2007 – 2010, divulgado pelo IBGE em 2013 (o mais recente disponível), as empresas associadas ao setor cultural tiveram R$ 374,8 bilhões de receita líquida em 2010, correspondendo a 8,3% do total de indústria, comércio e serviços.
O documento revelou que o número de trabalhadores no setor chegou a 3,7 milhões em 2012, 3,9% do total no país. Além disso, os profissionais da cultura tinham, em 2012, um nível de instrução mais alto do que a média do mercado: 20,8% com nível superior, enquanto o geral era de 14%.
Estudo da Agência Nacional do Cinema (Ancine) divulgado em 2015 revelou que o valor gerado só pelo setor audiovisual brasileiro teve um aumento de 65,8% entre 2007 e 2013, uma expansão de 8,8% ao ano. Citando o IBGE, o relatório aponta que as atividades econômicas do audiovisual foram responsáveis por uma geração de R$ 22,2 bilhões em 2013 (em 2007, foram R$ 8,7 bilhões).
Em um olhar mais abrangente, a economia criativa – termo que abriga artes, ciência e tecnologia – tem se tornado uma importante estimuladora do desenvolvimento em nível mundial. O Relatório de Economia Criativa 2013 da ONU indica que bens e serviços do setor movimentaram US$ 624 bilhões em 2011, mais do que o dobro em relação a 2002. A indústria do direito autoral representou, em média, 5,2% do PIB de 40 nações.
Setor é ainda mais sensível ao momento econômico
Os números no Brasil variam conforme a metodologia. De acordo com o Mapeamento da Firjan, a indústria criativa nacional equivaleu a 2,6% do PIB em 2013. Segundo o Panorama da Economia Criativa no Brasil, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 2013, varia entre 1,2% e 2% do PIB. O estudo do Ipea conclui que a participação dos setores criativos na economia brasileira está abaixo de países-modelo como França e Inglaterra. O pesquisador Bruno César Araújo, um dos autores, avalia que o setor tem potencial de crescimento.
– Apesar de o Brasil ser uma potência cultural, não conseguimos transformar isso em negócios. O problema é movimentar o mercado em torno da cultura. Não estou falando em mexer na essência do Festival de Parintins, por exemplo, mas em vendê-lo (aos turistas) de forma mais inteligente. O Brasil tem grande potencial para museus, mas a maioria não tem sistema de guias que faça a experiência valer.
Os estudos disponíveis para orientar decisões sobre a economia da cultura são considerados insuficientes por especialistas porque captam, em geral, apenas uma faceta: o segmento formal. No entanto, muitos profissionais da área trabalham por projetos. De acordo com a pesquisa do Ipea, acredita-se que a dimensão informal é mais expressiva no Brasil, pela própria natureza da economia criativa. Assim, estudos de maior fôlego precisam ser feitos. Uma das expectativas é com a Conta Satélite de Cultura, análise setorial do IBGE para medir com acuidade o impacto do setor no PIB e subsidiar decisões sobre políticas públicas – o projeto existe, mas não há previsão de conclusão.
Bruno César Araújo, do Ipea, alerta que o setor criativo é mais sensível ao momento econômico do que outros: cresce com agilidade em tempos de bonança e se retrai de forma intensa com a recessão.
– Fizemos a pesquisa durante um ciclo de crescimento, até 2010. Se repetíssemos o estudo do ano passado para este, provavelmente constataríamos que a economia criativa está perdendo mais empregos do que o restante da economia. As pessoas acabam gastando menos com cultura e bens culturais (durante a crise) – pondera.