Auditório Araujo Vianna
Aprovação de Estudo de Viabilidade Urbanística autoriza início da reforma do Auditório Araújo Vianna
1. Atualidade
2. Histórico
3. A Cobertura
4. A Terceira Vida do Araujo Vianna
5. Capacidade
As reformas do novo auditório Araújo Vianna devem começar um novo estágio em agosto. O isolamento do local já está pronto e foi realizada completa limpeza do local e preparação do canteiro de obras. O novo Araújo Vianna terá 3.024 lugares, novo palco e bar, novos camarins e reforma de todas as demais dependências, além de reurbanização de seu entorno. Aprovados os Estudos de Viabilidade Urbanística (EVU) e de impacto ambiental, a licença para o início das obras foi expedida no dia 17 de março. O prazo para conclusão da obra é de 18 meses.
O EVU analisa o impacto ambiental, viário e a conformidade de um projeto arquitetônico com o Plano Diretor da cidade e com as normas de preservação, visto que o Araújo Vianna é tombado como patrimônio histórico-cultural. Dez secretarias envolvidas no processo trabalharam simultaneamente para aprová-lo, sob a coordenação de uma equipe designada pelo prefeito.
O projeto já havia sido apresentado à imprensa no dia 12 de março. A obra que dotará o espaço com novo telhado fixo, climatização, bar, poltronas de teatro e completa reestruturação de palco, camarins, toilletes e demais dependências custará R$ 10 milhões e deve estar pronta em meados de 2010.
As informações sobre os custos e prazos da obra são do arquiteto Moacyr Moojen Marques (autor do auditório, que é patrimônio histórico de Porto Alegre) e do empresário Carlos Konrath, um dos proprietários da Opus Promoções, que venceu a licitação pública para recuperar o espaço.
Carlos Konrath afirmou que os preços praticados por espetáculos da Opus no auditório serão populares. "Não posso oferecer agora valores, pois cada show depende do artista ou grupo em questão. Note que no caso de artistas estrangeiros o mercado é ainda mais variável", explicou. Konrath garantiu que os preços praticados em Porto Alegre serão significativamente mais acessíveis que os verificados em outras grandes capitais brasileiras.
O secretário Sergius frisou que a programação da SMC para os 91 dias anuais que lhe caberão durante os dez anos em que a secretaria dividirá a administração do espaço com a Opus vai qualificar a realização de eventos de formação cultural como o Festival de Inverno, o Porto Alegre Em Cena e o 24Horas de Cultura, entre outros. "Nossos preços populares atraem públicos muito maiores que a maioria dos teatros da cidade consegue abrigar. Eventos como o República do Rock poderão agora contar com um festival, sem falar nas possibilidades da Banda Municipal, dos corais, orquestras da cidade e mega-eventos como o Acampamento Farroupilha. Mesmo palestrantes de peso atraem mais público do que a capacidade normal dos espaços por aqui", detalhou.
A divisão do calendário entre a SMC e a Opus será eqüânime no que diz respeito à utilização de fins-de-semana e feriados durante os próximos dez anos de gestão compartilhada. A secretaria ficará com 91 dias (25%) e a Opus com 274 dias (75%). As melhorias no auditório também incluem reforma nas instalações da Coordenação de Música, da Banda Municipal, do estúdio e da Sala Radamés Gnattali (que passará a ser de multi-uso), que continuarão no local e 100% controladas pela secretaria. O telhado será de material sintético (compostos do tipo poliuretano) na cor branca na parte externa e madeira no lado interno, com tratamento acústico nas duas faces.
Impacto Viário - Moacyr Moojem Marques alertou que questões como o impacto de automóveis sobre a região quando o auditório voltar a funcionar estão sendo estudadas. O secretário Sergius afirmou ter recebido autorização do prefeito Fogaça para começar consultas no sentido de viabilizar a construção de um estacionamento subterrâneo, embaixo do estádio Ramiro Sotto, que fica ao lado do Araújo Vianna. A obra, se autorizada pela população e autoridades, será realizada nos moldes das PPPs (Parcerias Público-Privadas, com construção e exploração comercial feitas por empresas). Konrath frisou que enquanto isso não se tornar realidade serão mantidos convênios com estacionamentos das redondezas, acrescidos de serviços de vans para acesso ao local.
2. Histórico
O Auditório Araujo Vianna está instalado há 44 anos no Parque Farroupilha, completados em março de 2008. Palco de espetáculos de João Gilberto, Caetano Veloso ou o tributo aos 90 anos de Luis Carlos Prestes, o espaço faz parte da história de Porto Alegre.
O auditório foi originalmente inaugurado em 1927, no local onde hoje se encontra a Assembléia Legislativa. Na época, tinha capacidade para 1.200 pessoas. A idéia de sua construção surgiu em meados de 1920, com projeto baseado num auditório que existia na Alemanha, aberto e com concha acústica. O projeto foi elaborado por José Wiedersphan e Arnaldo Boni. O nome é uma homenagem ao compositor gaúcho Araújo Vianna (1871-1916) que, além de produzir obras clássicas como "Carmela" e "Rei Galaor", transcendeu com sua arte as fronteiras do Estado.
Logo após sua inauguração, o auditório passou a se constituir num espaço de extrema importância, pois localizava-se em área central, ao lado da Praça da Matriz, e oportunizava o acesso de pessoas de todas as classes sociais a apresentações musicais, especialmente por ser palco para a Banda Municipal. Com o passar dos anos, a necessidade de se construir uma sede para a Assembléia Legislativa e a idéia de esta fosse em uma área próxima o Executivo, o Legislativo e o Judiciário influenciaram na demolição do antigo auditório.
O atual auditório, no Parque Farroupilha, foi inaugurado em 12 de março de 1964, em forma de ferradura, com capacidade para 4.500 pessoas. O projeto é dos arquitetos Moacyr Moojen Marques e Carlos Maximiliano Fayet. A partir de 1970, o Araújo Vianna passa a se caracterizar como espaço para apresentação de espetáculos de MPB. Nos anos 80, suas atividades foram reduzidas, devido à escassez de recursos a ele destinados e à necessidade de reformas.
O Araújo Vianna ficou desativado por dez meses, de dezembro de 1985 a outubro de 1986. Na época, foi realizada uma campanha junto à comunidade buscando levantar fundos para sua reabertura. Em 1989 foi desenvolvida uma iniciativa que visava à recuperação física do espaço. Em 1992, com a abertura do espaço Radamés Gnattali, a ocupação do equipamento ocorre de maneira mais efetiva. Além dos ensaios da Banda Municipal, grupos musicais, teatrais e de dança passaram a utilizá-lo. Em 1996 a iniciativa culminou na reinauguração do espaço com uma cobertura de lona tensionada.
Em 1997, o Parque Farroupilha foi tombado como Patrimônio Histórico e Cultural do Município. Como parte integrante do Parque, o auditório passa a ter sua preservação garantida, sendo que qualquer alteração de projeto deve necessariamente ser aprovada por seus autores (Fayet e Moojen Marques). Atualmente, abriga a Coordenação de Música da Secretaria Municipal da Cultura, a qual está vinculada a Banda Municipal.
3. Cobertura
A cobertura do Auditório Araújo Vianna foi debatida durante 30 anos. Em meados dos anos 90, nas reuniões do Orçamento Participativo no bairro Bom Fim, foi decidido que uma das prioridades da região seria a construção de sua cobertura. Para estudar o projeto, foram contratados os arquitetos responsáveis pela construção do auditório em 1964 (Fayet e Moojen Marques). A cobertura foi inaugurada em 4 de outubro de 1996, com um histórico show de João Gilberto.
A lona que cobria o Araújo Vianna, segundo laudo técnico da SMOV, perdeu sua validade ainda em julho de 2002. O risco era de, em caso de chuvas mais persistentes, a pressão sobre a lona rompesse os cabos, que teriam um efeito de chicote sobre o público. No início de 2005 o auditório foi interditado pela Prefeitura de Porto Alegre.
4. A Terceira Vida do Araújo Vianna
Como trata-se de uma construção tombada (em 1997) pelo patrimônio público, o que impede legalmente a contratação de quaisquer outros profissionais que não seus autores, foi novamente encomendado um projeto de recuperação do auditório aos arquitetos Fayet e Moojen.
Quando este projeto estava para ser encaminhado, o processo foi sustado em razão de uma ação civil movida pela comunidade do bairro Bom Fim no Ministério Público no sentido de obrigar a completa vedação acústica do auditório. A ação foi declarada procedente em 4 de agosto de 2006.
A obrigatoriedade de vedação acústica implicou também na necessidade de climatização do auditório nos meses de calor intenso, elevando o custo da reforma a um patamar de R$ 7 milhões. Esse novo valor necessário para reformar o Araújo Vianna (em valores de 2007) era três vezes maior do que o orçamento anual total da SMC para manutenção de seus prédios e instalações.
Diante da impossibilidade financeira de arcar com estes custos e atenta ao fato de que entre 1996 e a presente interdição a média de eventos realizados no auditório foi pouco inferior a trinta dias por ano, a Secretaria Municipal da Cultura publicou no dia 20 de fevereiro de 2007 um edital de licitação convidou empresas privadas a executarem a obra, oferecendo em troca a permissão de utilizaçao de 75% das datas anuais do auditório por um período limite de dez anos. A empresa porto-alegrense Opus Promoções foi declarada vencedora em 15 de maio de 2007.
Os 25% do calendário anual que permanecerão com a Secretaria da Cultura representam 91 dias. Esse período é mais de três vezes superior à média histórica recente de ocupação do auditório (medida entre a reinauguração em 1996 e a interdição em 2005), que é pouco inferior a 30 dias de apresentações/eventos por ano. A divisão do calendário entre a empresa vencedora da licitação e a prefeitura será eqüânime no que diz respeito à utilização de fins-de-semana e feriados.
A Secretaria Municipal de Cultura, no uso de seus 25% do calendário do novo auditório, priorizará apresentações e eventos de caráter comunitário e não-comercial.
Dentre as obrigações das empresas contratantes para a reforma do auditório, estão a reforma interna (incluindo palco e cadeiras, assim como banheiros, camarins e áreas de apoio) e externa, a cobertura acusticamente tratada para evitar transtornos aos moradores e melhorias no entorno do auditório.
5. Capacidade
A capacidade do auditório Araujo Vianna hoje é de três mil pessoas sentadas e a expectativa é de que o novo projeto mantenha um número de assentos muito próximo disso. A Sala Radamés Gnattali, localizada no interior do Auditório Araujo Vianna, tem com palco, iluminação e sonorização preparada acusticamente para shows, concertos, palestras e cursos, com capacidade para 120 pessoas.
O Auditório Araujo Vianna está localizado na Avenida Osvaldo Aranha, s/nº - CEP 90035-191 - Telefones: 3311-5156, 3311-5336 e 3311-6492
Pinacotecas Municipais
As Pinacotecas Municipais Aldo Locatelli e Rubem Berta possuem um acervo composto por cerca de 800 obras de arte em diversas técnicas.
A
Pinacoteca Aldo Locatelli reverencia a memória do artista plástico ítalo-brasileiro e teve seu início no acervo da Câmara Municipal, que data do século 18. Na "Ata de Vereança" de 6 de julho de 1772, consta a encomenda das primeiras obras: os quadros "Nosso Rey" e "Nosso Príncipe". Neste período, a Câmara ainda estava sediada em Viamão. Assim, foram sendo adquiridas obras como "Passo da Pátria", do pintor italiano Eduardo Martino, em 1870, e "Árvore Seca", do pintor gaúcho Oscar Boeira, em 1917.
Em 1925, nas dependências do Paço dos Açorianos, foi realizado o Salão de Outono, que revelou nomes como o escultor Antônio Caringi, o pintor João Fahrion e o desenhista Sotero Cosme. Entre os expositores estavam Pedro Weingärtner, Augusto Luiz de Freitas e Francis Pellichek, todos com obras na Pinacoteca Municipal. O Salão de Outono serviu para despertar os intendentes, como eram chamados os administradores, para o acervo da Câmara Municipal, quando a Intendência passa a adquirir quadros e esculturas.
Em 1974, foi inaugurada a Pinacoteca Municipal Aldo Locatelli com a imensa tela-painel do artista, "A Fundação de Porto Alegre". O acervo da Pinacoteca está sendo sempre acrescido de novos títulos e conta com obras de artistas como De Martino, Antonio Cândido de Menezes, Libindo Ferraz, Edgar Koetz, Luiz Maristany de Trias e Pedro Weingärtner.
A
Pinacoteca Rubem Berta surgiu a partir da doação feita à Prefeitura de Porto Alegre, em novembro de 1971, do acervo de obras de arte que pertenceu ao pioneiro da aviação comercial do Brasil, Rubem Berta. São obras de Cândido Portinari, Almeida Júnior, Di Cavalcanti, Manabu Mabe, Lasar Segal, Francisco Stockinger, Ângelo Guido, entre outros. Sua composição não foi alterada, sendo considerado um "acervo fechado", totalizando 125 obras que marcam o panorama artístico, sobretudo nos anos 60.
Por meio de acordo firmado entre os governos Municipal e Estadual, as obras das Pinacotecas Municipais ocupam a Sala Berta Locatelli do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs). As Pinacotecas estão sob responsabilidade da Coordenação de Artes Plásticas da Secretaria Municipal da Cultura, através da Equipe do Acervo Artístico.