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8 de junho de 2016

Obras do Centro Cultural Terreira da Tribo começam semana que vem

Foto: Luciano Lanes /PMPA
Prédio, na Cidade Baixa, terá três pavimentos com área para teatro de rua
Prédio, na Cidade Baixa, terá três pavimentos com área para teatro de rua
Foto: Luciano Lanes /PMPA
Prefeito destacou a importância do grupo para a cultura popular da Capital
Prefeito destacou a importância do grupo para a cultura popular da Capital
Com um discurso emocionado, que exigiu algumas pausas, a representante da tribo de atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, Tânia Farias, classificou como “terra sagrada” o terreno da Cidade Baixa onde será construído o Centro Cultural Terreira da Tribo. A ordem de início das obras foi assinada nesta quarta-feira, 8, pelo prefeito José Fortunati, num ato público que reuniu atores, apoiadores do grupo, autoridades e os servidores municipais envolvidos no projeto. O prédio, na esquina da rua João Alfredo com a avenida Aureliano de Figueiredo Pinto terá três pavimentos, com mezanino, galpão cênico, biblioteca, videoteca, foyer, cafeteria, loja, banheiros, espaço para teatro de rua e estacionamento com 25 vagas.
 
Fortunati lembrou a trajetória do Ói Nóis Aqui Traveiz, criado nos anos 70, e que se tornou uma referência no cenário internacional do teatro popular pela inovação, criatividade, pioneirismo e uma certa agressividade, no sentido positivo. “Estamos realizando um sonho da cultura popular da Capital. É o reconhecimento ao trabalho desta tribo de atuadores, que leva para todo o Brasil e para outros países o nome de Porto Alegre. Será uma obra fantástica, um espaço coordenado pelo grupo, mas aberto a todos, de forma plural, democrática, como estão acostumados a trabalhar”, afirmou o prefeito. Ele citou o nome de todos os servidores municipais envolvidos no projeto e destacou que o trabalho foi feito com amor e muita dedicação.
 
O terreno foi doado pela prefeitura e o projeto desenvolvido pela equipe da Divisão de Projetos Prediais da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov). O engenheiro João Pancinha, que liderou o trabalho, destacou a transversalidade entre as secretarias e departamentos municipais para tornar o empreendimento possível. “Uma cidade e um povo desenvolvido dependem e priorizam a cultura. É o que buscamos aqui. Porto Alegre vai receber um equipamento qualificado, de primeiro mundo”, disse Pancinha. O secretário municipal da Cultura, Roque Jacoby, também citou o trabalho integrado no desenvolvimento do projeto e para viabilizar a obra, que segundo ele “diferencia Porto Alegre no cenário nacional do teatro e da arte popular”. 
 
Os atuadores do Ói Nóis Aqui Traveiz agradeceram o empenho de Fortunati e dos servidores municipais para tirar o projeto do papel. Tânia Farias ressaltou que sempre teve um canal direto para conversar com o prefeito sobre o Centro Cultural. “A tribo é um símbolo de Porto Alegre e foi difícil fazer um gestor dessa cidade reconhecer isso. O Fortunati reconheceu e a Smov abraçou o projeto. É muito importante isso que está acontecendo. Fazemos arte pública, para a população, de graça, e por isso precisamos uma sede própria e pública. Começamos a luta em 1996, e chegamos aqui. Estamos muito felizes!”, concluiu Tânia. 
 
A empresa Frame - Engenharia e Telemática foi a vencedora da licitação. Serão investidos R$ 6.156.531,84, com recursos provenientes do Ministério da Cultura (R$ 1,4 milhão) e da Prefeitura (R$ 4,8 milhões). A expectativa é de que as obras comecem na próxima semana, com conclusão em dezembro de 2017. O espaço será administrado pelo Ói Nóis Aqui Traveiz. Também participaram do ato o secretários municipais de Obras, Rafael Fleck, de Meio Ambiente, Leo Bulling, o diretor-geral do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), Gustavo Fontana, gestores municipais e servidores. 
 
Ói Nóis Aqui Traveiz - Exibiu seu primeiro trabalho cênico em 31 de março de 1978, apresentando A Divina Proporção e A Felicidade Não Esperneia Patati Patatá, duas peças curtas de Júlio Zanotta Vieira, um dos fundadores, junto com o integrante do grupo Paulo Flores. A estreia foi em um prédio da rua Ramiro Barcelos, uma antiga boate reformada pelos próprios integrantes da tribo. Seis anos depois, eles se instalaram na rua José do Patrocínio, em um galpão a que deram o nome de Terreira da Tribo, local que denominaram de experimentação e pesquisa cênica. Sempre agindo coletivamente, tanto na sustentabilidade de sua sede como em suas produções, os atuadores criaram oficinas gratuitas de teatro livre e fizeram intervenções em ruas e praças. Durante 11 anos, o grupo habitou a terreira na Cidade Baixa, de onde saiu para a rua João Inácio, no bairro Navegantes. Atualmente, ocupa um prédio na rua Santos Dumont, 1186, no bairro São Geraldo. 
 


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Texto de: Melina Fernandes
Edição de: Manuel Petrik
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