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16 de maio de 2016

Por que o Cais Mauá faz água



via zero hora:

Presidente de fundo sócio do empreendimento, Luiz Eduardo Abreu admite 'dificuldades' e avisa que não põe mais dinheiro sem licenciamento
Por: Marta Sfredo

Grupo empreendedor diz ter recursos para reforma dos armazéns, mas não para a construção de duas torres previstas Foto: Omar Freitas / Agencia RBS
Sim, há uma crise no empreendimento do Cais Mauá, admite Luiz Eduardo Franco de Abreu, presidente da NSG Capital, fundo detentor de 39% das ações do consórcio que tenta avançar com a obra. Caso o projeto avance, o fundo deverá ficar com o controle do projeto, hoje dos espanhóis da GSS, que construíram no final dos anos 1980 o Port Vell de Barcelona.
– O projeto está enfrentando dificuldades, a situação do Brasil inviabiliza qualquer operação de crédito, mas vamos vencer essas dificuldades, o Rio Grande do Sul é um Estado formado por imigrantes que se habituou a enfrentar dificuldades – disse Abreu à coluna.
Atrasos nas obras
"A licitação para o projeto ocorreu em 2010 e, desde então, a empresa vem trabalhando. Para isso, tem de manter uma estrutura, com pessoas e despesas fixas. O desembolso começou em 2012, com o investimento do grupo espanhol (GSS) para o projeto conceitual. Assim que ganharam, começaram a gastar, depois pararam, porque a Antac (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) entrou na Justiça contra a licitação por entender que tinha de participar. Depois de dois anos, houve acordo, com um aditivo ao contrato em que a Antaq passou a figurar, representada pela Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH). Entramos no final de 2012, com um pequena participação (no consórcio), depois aumentamos. Fizemos uma série de investimentos para o licenciamento, entregue à prefeitura em 2014. Precisamos de 2013 inteiro para desenvolver o projeto, precisávamos ver como a estrutura se comporta nas quatro estações do ano. Terminamos o EIA/Rima em julho de 2015, quando foi entregue."
Pendências no mercado
"Em situação normal, há um orçamento que vai liberando dinheiro à medida que determinados marcos vão sendo alcançados. É o que a gente chama de físico/financeiro. O problema é que ficamos sem esses marcos, porque a liberação demora. Existe a situação em que a empresa recorre ao mercado financeiro, cobre com empréstimos de longo prazo. O problema é que, de um ano para cá, a situação financeira impede que se pegue dinheiro novo. Tenho dinheiro no orçamento, o problema é que não tenho marco para liberar e não se consegue dinheiro no mercado financeiro. Tem alguns protestos, algumas cobranças. Algumas empresas compreendem, outras não, e até nos avisam 'tenho de fazer alguma coisa'. É lamentável para o projeto. Mas a empresa que já gastou o que gastou, sem licença, já está há seis anos à espera. Não dá para ficar mais seis anos colocando dinheiro, não seria um projeto realista. Se nos derem a licença, a obra vai começar, sem licença, não posso colocar mais dinheiro."
Perspectivas
"O importante é que a gente está trabalhando para conseguir atender às exigências do EVU (Estudo de Viabilidade Urbana) ainda este mês. Se isso ocorrer, haverá liberação orçamentária. Neste momento, há uma preocupação genérica sobre o que vai ser do porto dentro de contexto de preocupação com a situação do Brasil. Temos conversado com fornecedores e estamos resolvendo algumas situações. Com o EVU liberado, resolveremos mais da metade das pendências. Somos investidores. Só vamos colocar dinheiro lá dentro quando tiver licença. É nosso compromisso. A partir daí, a empresa vai, com as pernas dela, buscar capital de giro de curto prazo que hoje não está conseguindo, justificadamente." 
Porto Alegre
"Nesta cidade em particular, há algumas características que não existem em outras. Nunca um jornalista me liga para saber como estão as finanças de uma empresa investida minha. Temos uma restrição de caixa temporária. Essa característica da cidade é triste, fica um clima de que o investimento foi ruim. Não foi, está demorando. A rentabilidade vai diminuir? Pode ser, mas também pode aumentar. Não temos dinheiro para construir as torres agora, os R$ 700 milhões, mas temos dinheiro no bolso para fazer a reforma dos armazéns. O problema de começar obras é simplesmente ter as licenças. Sabemos que a lei é complexa e que as autoridades não estão cobrando nada que não esteja na lei." 
Os donos do projeto
"O controle ainda é dos espanhóis, eles ainda têm 51%. À medida que for aumentando o capital, o plano é que o controle passe para o fundo. Para isso acontecer, vamos apresentar às autoridades, dar todo o conhecimento necessário. Trabalhamos com as maiores empresas do setor. Depois de seis anos, já incorporamos expertise do grupo que construiu o Port Vell em Barcelona.