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13 de dezembro de 2016

Em busca de socorro: Atelier Livre Xico Stockinger corre o risco de ser extinto

Em busca de socorro: Atelier Livre Xico Stockinger corre o rVIA JORNAL DO COMÉRCIODO COMÉRCIO

Criado há 55 anos, Atelier Livre sofre com a falta de professores

Criado há 55 anos, Atelier Livre sofre com a falta de professores 


CLAITON DORNELLES/JC
Michele Rolim
VIA JORNAL DO COMÉRCIO:
O Atelier Livre Xico Stockinger da prefeitura municipal de Porto Alegre é um dos tantos espaços culturais que corre o risco de ser extinto. Com 55 anos de trajetória, o espaço localizado no Centro Municipal de Cultura (Érico Veríssimo, 307) é destinado ao ensino das artes na cidade desde 1961, tendo como primeiro diretor o artista Francisco Stockinger (o Xico).
A trajetória do ateliê começou após a iniciativa do ciclo de palestras/curso Encontros com Iberê Camargo, em 1960 - lá, jovens artistas falavam e sonhavam em fazer uma arte livre. Tendo o seu apogeu nos anos de 1970, o Atelier Livre viu circular por lá referências das artes do Estado, como Carlos Scarinci, Carlos Scliar, M. Conceição Menegassi, Danúbio Gonçalves e Carlos Carrion de Britto Velho, entre tantos outros.
Contudo, o momento não é de celebração. O Atelier Livre corre o risco de terminar por conta das carências no corpo docente e a permanente dificuldade na manutenção física e de compras de equipamentos. O Atelier Livre é responsável por diversas atividades, como o Festival de Arte Cidade de Porto Alegre, que completou neste ano a 30ª edição.
O número de professores está cada vez menor por falta de concurso público - de 25 instrutores de arte em 1996, segundo a atual diretora do Atelier Livre, Miriam Tolpolar, hoje há apenas nove em atividade - sendo que cinco estão na iminência de se aposentar. Para suprir essa lacuna, professores são contratados ao longo dos semestres.
O último e único concurso público para instrutores de artes plásticas do Atelier Livre ocorreu em 1995. "O que nos preocupa é o que será daqui a poucos anos, já que o quadro está minguando. O professor contratado não tem compromisso com a instituição. O compromisso dele é vir uma vez por semana dar a sua aula, fazer o seu trabalho e ir para sua casa", relata a diretora.
Segundo a professora do Atelier Livre Daisy Viola, em 2010 foi solicitado oficialmente à Secretaria Municipal de Cultura um pedido de abertura de concurso. No entanto, o órgão informa que "a maioria dos concursos para preenchimento de vagas como a de instrutor de artes plásticas para o Atelier Livre aguarda conclusão do Plano de Carreira do Município. De momento, o processo está parado à espera desta finalização do processo. Esperamos que a nova gestão dê andamento a este processo". 
Outra professora, Ana Flávia Baldisserotto, chama a atenção para a demanda. Com uma taxa única de R$ 200,00 por semestre e com diferentes modalidades de curso, o número de alunos demonstra a relevância do Atelier Livre para a comunidade - as vagas são disputadas não somente pela comunidade em geral, mas também por estudantes do Instituto de Artes da Ufrgs.
Quando havia cerca de 25 instrutores de artes plásticas, o número de matrículas era aproximadamente de 1.500 alunos por semestre. Hoje, a média é de 500 estudantes por semestre. "Há um impacto positivo na comunidade de Porto Alegre em vários níveis, desde o aluno que passa por ali para a iniciação de uma trajetória artística até ser o lugar de formação de público qualificado na arte", diz Ana Flávia, lembrando que o espaço tem uma história ligada às comunidades ao redor como as vilas Renascença 1 e 2 e Lupicínio Rodrigues. "Já tivemos gestores que entendiam que a cultura não está em disputa com segurança, saúde e educação, ela é um eixo transversal. Portanto, produz segurança, saúde e educação", completa Ana.
Um grupo criado por alunos e professores, chamado Movimento SOS Atelier Livre POA, tenta mudar essa realidade: fez um manifesto redigido pelo Comitê Arte Livre, que já conta com cerca de 2,2 mil assinaturas e deve ser entregue ao novo prefeito da cidade, Nelson Marchezan Jr. (PSDB), na tentativa de sensibilizá-lo ao fato.
"Se o novo prefeito não implementar um concurso logo, no fim de seu mandato o Atelier Livre não terá como manter sua identidade por falta de quem repasse a rica experiência dessa instituição inovadora e singular, que presta um valioso serviço à população", finaliza Silvia Livi, uma das alunas integrantes do Comitê Arte Livre.