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7 de janeiro de 2016

Grupos de teatro e governo divergem sobre ocupação no Hospital São Pedro

via ZH:

Rescisão de acordo pode colocar fim a um trabalho de residência que completa 16 anos

Por: Fábio Prikladnicki
07/01/2016 - 19h25min | Atualizada em 07/01/2016 - 19h26min
Grupos de teatro e governo divergem sobre ocupação no Hospital São Pedro Félix Zucco/Agencia RBS
Povo da Rua é um dos grupos que ensaiam nos pavilhões 5 e 6 do Hospital Psiquiátrico Foto: Félix Zucco / Agencia RBS
Em reunião realizada na tarde desta quinta-feira (7/1) com representantes dos grupos teatrais que atuam no Condomínio Cênico do Hospital Psiquiátrico São Pedro, em Porto Alegre, os secretários adjuntos da Cultura e da Saúde do governo estadual – André Kryszczun e Francisco Paz, respectivamente – reafirmaram a decisão de rescindir o acordo de cooperação que viabilizava a ocupação cultural dos pavilhões 5 e 6, espaços em que os grupos atuam há 16 anos.

Por meio de nota emitida após a reunião, a Secretaria da Saúde informou que o local será retomado "para a realização de obras", sem especificar a destinação dos espaços. Ainda não há uma data para a descocupação. Conforme o documento, "os dois pavilhões foram interditados no início do ano passado por riscos estruturais e de segurança após inspeção técnica" e obras de restauro "já foram iniciadas em um dos pavilhões, que devem ser estendidas aos demais, seguindo os mesmos padrões".

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Grupos defendem ocupação no Hospital São Pedro

Os grupos de teatro contestam o laudo que embasou a decisão e acrescentam que têm um projeto de restauro para o local, elaborado em 2012 pelo Escritório Modelo Albano Volkmer, vinculado à Faculdade de Arquitetura da UFRGS. O objetivo é aumentar o número de grupos que atuam no Condomínio Cênico e expandir as atividades. Para Marcelo Restori, diretor do Falos & Stercus, a rescisão do acordo foi uma decisão tomada "de cima para baixo, sem respeitar o diálogo com os grupos".

– Estivemos na Secretaria de Administração, e o espaço ainda está alocado para a Secretaria da Cultura (Sedac). Cobramos que ele (o secretário da Cultura, Victor Hugo) tome uma posição de defesa do valor que diz reconhecer no trabalho desenvolvido pelos grupos – afirma Restori, em referência a uma nota emitida pela Sedac antes da reunião.

Naquele documento, Victor Hugo também cogitou a possibilidade de obter a cedência de outros imóveis do governo para fins culturais. Restori diz que desconfia da possibilidade:

– Conhecemos essa história e sabemos que não é tão simples. Se eles (a Sedac) não conseguiram segurar um espaço do qual tinham dotação, como vão conseguir espaços dos quais nem têm dotação?

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Está marcada para a quinta-feira da semana que vem (14/12) uma nova reunião dos artistas com a Secretaria da Saúde, na qual apresentarão seu projeto de restauro para os pavilhões 5 e 6. Eles também cobram uma reunião com a Sedac. Procurado pela reportagem, o secretário adjunto, André Kryszczun, informa que a pasta os receberá em uma data a ser definida. Kryszczun discorda da alegação de que a Sedac não estaria apoiando os grupos e afirma que a palavra final sobre a destinação dos pavilhões cabe à Secretaria da Saúde:

– Originalmente, os prédios são deles. Quando pedem a rescisão do termo de cooperação, os espaços retornam para a Secretaria da Saúde. É o que foi decidido. A Secretaria da Saúde pretende desenvolver outras atividades lá. Não existe um convênio do Estado com esses grupos vigente hoje.

Um grupo no Facebook criado pelos artistas em defesa da permanência do Condomínio Cênio já reúne quase 7 mil apoiadores. Uma petição pública pela continuidade dos trabalhos contava com 787 assinaturas até o final da tarde desta quinta-feira (7/1).