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30 de dezembro de 2014

Ilha das Pedras Brancas é tombada como Patrimônio Histórico e Cultural


No final da tarde dessa terça-feira (30) o governador Tarso Genro e o secretário de Estado da Cultura, Assis Brasil, assinaram o livro Tombo que designa a Ilha das Pedras Brancas, ou ilha do Presídio como Patrimônio Histórico, Cultural e Arqueológico do estado.
Ilha das Pedras Brancas está tombada como Patrimônio do Estado
Ilha das Pedras Brancas está tombada como Patrimônio do Estado
A ilha das Pedras Brancas tem alta significância em termos históricos, políticos, culturais e ambientais, configura-se em um sítio arqueológico histórico. A paisagem da ilha resulta da complexidade de acontecimentos de origem natural e antrópica, através da acumulação da história (das histórias) e da diversidade de usos e símbolos aplicados sobre aquele espaço ao longo do tempo. Constitui-se em um lugar repleto de valores culturais: naturais, arqueológicos, arquitetônicos e históricos, o que justifica suas inscrições nos respectivos livros do tombo do patrimônio cultural do estado: histórico e arqueológico, etnográfico e paisagístico. O pedido de tombamento foi feito por várias entidades do município de Guaíba. O sítio tem potencial para tornar-se um centro cultural de pesquisa e educação ambiental.
O governador Tarso Genro destacou a satisfação pelo tombamento e citou o trabalho iniciado na época em que foi Ministro da Justiça. “Este ato me traz uma alegria pessoal também, pelo movimento e trabalho iniciado no Ministério da Justiça que resultou na comissão da verdade e aqui, agora, fazemos este projeto de memória e registro da nossa história”, afirmou.
O secretário Assis Brasil também se referiu ao ato como forma de homenagem. “Esta ilha representa o registro da passagem de tantos nomes que resistiram bravamente contra a ditadura, muitos deles ainda estão entre nós. É uma homenagem do Estado preservando a memória”, concluiu.
Comunidade de Guaíba comemora tombamento da ilha
Comunidade de Guaíba comemora tombamento da ilha
Também participaram do evento a secretária de Estado dos Direitos Humanos, Jussara Dutra, a diretora, em exercício, do Iphae, Alice Cardoso, a secretária de Turismo e Cultura  de Guaíba, Cláudia Borges, os representantes da ONG Amigos do Meio Ambiente (AMA) além da equipe técnica do Iphae.
Características especiais
ilha pedras
 A ilha de Pedras Brancas diferencia-se das demais ilhas do delta do Guaíba por não apresentar origem sedimentar, fazendo parte de um conjunto de terrenos cristalinos que testemunham a evolução geológica desta região do estado, sua hidrografia e seu relevo atual. Seus aspectos geológicos únicos e singular ecossistema a caracterizam como um local de interesse particular para o estudo da geologia, cuja beleza natural contrasta com a solidez da arquitetura de seus prédios, relacionada ao uso militar. O conjunto arquitetônico da ilha do presídio possui duas principais edificações, o prédio da guarda e o prédio do presídio.  Embora a formação geológica da ilha seja de origem rochosa, há espaços na porção alta da ilha, não sujeitos a inundações, que possuem deposição de solos, existindo a possibilidade de serem encontrados vestígios referentes às ocupações pretéritas.
A história
No século XIX viajantes europeus descreveram a singularidade da pequena ilha rochosa localizada na entrada da cidade de Porto Alegre. Em 1821, Auguste de Saint-Hilaire registrou que os rochedos eram chamados Ilha de Pedras Brancas. Em 1831, dirigindo-se ao presidente da província, a câmara municipal de vereadores cogitou construir a casa da pólvora de porto alegre em uma ilha, a construção ocorreu entre 1857 e 1860. O paiol de pólvora instalado na ilha das Pedras Brancas, sob administração do Ministério da Guerra, atendia às demandas do exército imperial na província.  A casa da pólvora teria funcionado até 1930, quando foi abandonada pelos militares por conta da umidade que inutilizava o material armazenado.
Na década seguinte, as edificações foram adaptadas para a instalação do laboratório de pesquisa para o desenvolvimento de vacinas contra a peste suína, epidemia que assolou o estado na época. Vinculado à secretaria de estado da agricultura, funcionou ali durante cerca de cinco anos.
A partir de 1956, as instalações da ilha passaram a ser ocupadas por um presídio comum, recebendo acusados de pequenos furtos, usuários de drogas e doentes mentais  e ficou conhecida como ilha do presídio. Com o golpe civil-militar de 1964, a ilha passa ser usada como presídio político. Em 1965, o presídio foi desativado e reaberto em 1980m e foi definitivamente fechado em 1983.