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10 de janeiro de 2017

Prefeitos cortam os recursos para o Carnaval

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Prefeito Nelson Marchezan Júnior pretende buscar dinheiro na iniciativa privada para o Carnaval da Capital

Prefeito Nelson Marchezan Júnior pretende buscar dinheiro na iniciativa privada para o Carnaval da Capital


CRISTINE ROCHOL/PMPA/JC
Marcus Meneghetti
Neste ano, o Carnaval porto-alegrense pode não ter foliões fantasiados, nem carros alegóricos, nem baterias de escolas de samba desfilando pelo Complexo Cultural Porto Seco. O prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB) já anunciou que a prefeitura não vai destinar verba alguma para o desfile carnavalesco. Medidas parecidas devem se espalhar por várias cidades gaúchas. 
Segundo um estudo feito pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), 151 municípios não disponibilizaram verbas para o Carnaval em 2016. O levantamento associa esse fato à queda das receitas municipais - que, em 2015, teria diminuído R$ 956 milhões, por causa da redução do repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). O balanço dos repasses de 2016 ainda não foi fechado.
"Os recursos dos municípios diminuíram por conta da crise financeira. Por isso, os prefeitos estão cortando de todas as áreas que não sejam essenciais - como saúde e educação, por exemplo. O Carnaval acaba sendo afetado, apesar de ser uma festa popular muito importante", relatou o presidente da Famurs, Luciano Pinto (PDT).
Muitos gestores que assumiram as prefeituras em 1 de janeiro de 2017 pretendem usar os recursos do Carnaval para outras finalidades. Aliás, alguns vêm fazendo isso desde que assumiram em 2013, como o prefeito reeleito de Passo Fundo, Luciano Azevedo (PSB).
"Anunciei, logo no início do governo, que não iria mais repassar dinheiro para as escolas de samba. Então usamos aqueles recursos para instalar ar-condicionado em 408 salas de aula das escolas municipais", comentou Azevedo.
Em 2016, Passo Fundo não teve Carnaval, porque o município não colocou dinheiro público no evento. "Entendemos que a crise do Brasil iria acabar afetando também o Carnaval. Por isso, ele não foi realizado". Em 2017, não há previsão de investimentos na festa popular.
Em Santa Maria, o prefeito Jorge Pozzobom (PSDB) adiantou que vai diminuir os repasses para a folia. "Quanto ao Carnaval, que custa R$ 450 mil por ano, vamos rever os valores. Queremos colocar esse dinheiro na saúde", afirmou Pozzobom.
Em Porto Alegre, onde acontece o maior desfile do Rio Grande do Sul, a prefeitura destina anualmente cerca de R$ 7 milhões para a infraestrutura do desfile no Porto Seco e para remunerar as escolas de samba da Capital.
"Não vamos ter recursos públicos para viabilizar o Carnaval deste ano. Vamos montar uma equipe da Secretaria Municipal de Parcerias Estratégicas para buscar financiamento privado para viabilizar a festa. E, assim, pretendemos construir um Carnaval autossustentável, mantendo os recursos públicos nas atividades que hoje estão mais carentes, como saúde, educação etc.", projetou Marchezan em um vídeo veiculado neste domingo na rede social Facebook.
Entretanto o presidente da Famurs alerta que, "às vezes, fica muito em cima da hora para captar recursos na iniciativa privada, e o Carnaval acaba sendo cancelado".
De qualquer forma, Pinto acredita que essa deve ser uma "tendência" para viabilizar o Carnaval nos próximos anos, nos municípios do Rio Grande do Sul.

VIA JORNAL DO COMÉRCIO