Primeira edição de "A Entrevista dos Meus Sonhos" revela curiosidade de alunos gaúchos por ciência e tradição
Eu sou gaúcho
De Gravataí: Pedro Bandeira dos Santos, Laura Bazotti Vicente, Camila Silva da Silveira, Bárbara Coelho Ferreira da Silva, Brenda Schmitt e Henrique Mrás, todos do Colégio Fundação BradescoFoto: Arquivo pessoal
Entrevista: Paixão Côrtes, tradicionalista gaúcho
Porto Alegre, cidade bem ao sul do Brasil, foi palco de uma guerra sangrenta e separatista do século 19 (1835-1845), chamada Revolução Farroupilha. Mesmo perdendo a guerra, a honra de pertencer a este povo idealista se mostrou cem anos depois em jovens estudantes. Esse grupo foi liderado por João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes, homem que entregou sua vida à pesquisa da cultura. Aos 85 anos, ele ainda fala sobre a tradição para as novas gerações.
Estudantes – Como era o adolescente João Carlos?
Paixão Côrtes – Em 1947, o importante era saber quem era Napoleão, as pirâmides, as Sete Maravilhas do mundo. Isso era cultura importantíssima, mas saber de nossas origens, dos ancestrais, da nossa cultura não era importante. A realidade era norte-americana e europeia. Então, quando éramos jovens, nos revoltamos contra isso buscando na escola um jeito de nos expressarmos.
Estudantes – Como surgiu a ideia do centro de tradições?
Paixão Côrtes – Éramos oito colegas e amigos. Nos encontrávamos em minha casa, era o nosso galpão. Eu procurava alguma coisa, através da escola, que substanciasse o conhecimento das lidas do campo. Foi criado então, em 1947, o primeiro Centro de Tradições Gaúchas no Colégio Júlio de Castilhos.
Estudantes – O que o ajudou a superar as dificuldades?
Paixão Côrtes – Saímos (Barbosa Lessa e eu) em busca de informações com um gravador que pesava 10 quilos e perguntávamos aos mais velhos como eram aquelas danças, as roupas... Assim, em 1948, criei o CTG “35”. Hoje, existem 4 mil CTGs no mundo, 8 milhões de pessoas fazem parte desses CTGs e eu estou vivo aqui, concretizando um sonho de ser entrevistado e poder transmitir isso para vocês.
Estudantes – Com a tecnologia, o senhor acha que a cultura gaúcha pode ficar esquecida?
Paixão Côrtes – Existe uma tomada de consciência. Existe a pesquisa, a documentação científica e o culto. Cultos são os símbolos: o símbolo da pátria, a bandeira, o canto do Rio Grande do Sul.
Ser gaúcho é um estado de alma, espírito e conceito que se forma pelas vivências regionais, pela comunidade, pela importância política e social, educacional. É por isso que nós temos orgulho de dizer EU SOU GAÚCHO, não pelo fato de ter nascido no Rio Grande do Sul, mas sim por ter conhecimento da nossa cultura.
Entrevista: Paixão Côrtes, tradicionalista gaúcho
Porto Alegre, cidade bem ao sul do Brasil, foi palco de uma guerra sangrenta e separatista do século 19 (1835-1845), chamada Revolução Farroupilha. Mesmo perdendo a guerra, a honra de pertencer a este povo idealista se mostrou cem anos depois em jovens estudantes. Esse grupo foi liderado por João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes, homem que entregou sua vida à pesquisa da cultura. Aos 85 anos, ele ainda fala sobre a tradição para as novas gerações.
Estudantes – Como era o adolescente João Carlos?
Paixão Côrtes – Em 1947, o importante era saber quem era Napoleão, as pirâmides, as Sete Maravilhas do mundo. Isso era cultura importantíssima, mas saber de nossas origens, dos ancestrais, da nossa cultura não era importante. A realidade era norte-americana e europeia. Então, quando éramos jovens, nos revoltamos contra isso buscando na escola um jeito de nos expressarmos.
Estudantes – Como surgiu a ideia do centro de tradições?
Paixão Côrtes – Éramos oito colegas e amigos. Nos encontrávamos em minha casa, era o nosso galpão. Eu procurava alguma coisa, através da escola, que substanciasse o conhecimento das lidas do campo. Foi criado então, em 1947, o primeiro Centro de Tradições Gaúchas no Colégio Júlio de Castilhos.
Estudantes – O que o ajudou a superar as dificuldades?
Paixão Côrtes – Saímos (Barbosa Lessa e eu) em busca de informações com um gravador que pesava 10 quilos e perguntávamos aos mais velhos como eram aquelas danças, as roupas... Assim, em 1948, criei o CTG “35”. Hoje, existem 4 mil CTGs no mundo, 8 milhões de pessoas fazem parte desses CTGs e eu estou vivo aqui, concretizando um sonho de ser entrevistado e poder transmitir isso para vocês.
Estudantes – Com a tecnologia, o senhor acha que a cultura gaúcha pode ficar esquecida?
Paixão Côrtes – Existe uma tomada de consciência. Existe a pesquisa, a documentação científica e o culto. Cultos são os símbolos: o símbolo da pátria, a bandeira, o canto do Rio Grande do Sul.
Ser gaúcho é um estado de alma, espírito e conceito que se forma pelas vivências regionais, pela comunidade, pela importância política e social, educacional. É por isso que nós temos orgulho de dizer EU SOU GAÚCHO, não pelo fato de ter nascido no Rio Grande do Sul, mas sim por ter conhecimento da nossa cultura.
ZERO HORA