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29 de novembro de 2016

Modernidade Impressa” recebe Prêmio Açorianos de Literatura





O livro “A modernidade impressa – artistas ilustradores da Livraria do Globo — Porto Alegre”, com pesquisa, organização e curadoria de Paula Ramos, ganhou o troféu de Livro do Ano e também foi contemplado na categoria Especial, na qual concorreu com Antônio Chimango, organizado por Luís Augusto Fischer, e Elis – uma biografia musical, de Arthur de Faria. O Prêmio Açorianos de Literatura Adulta e Infantil 2016 teve seus vencedores divulgados durante a Noite do Livro, que aconteceu ontem (28), no Teatro Renascença.
A pesquisa, que resultou no livro, também se tornou uma exposição na Pinacoteca do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), realizada entre 25 de junho e 21 de agosto deste ano, e foi recordista de visitação em 2016— cerca de 19 mil pessoas passaram pelo Museu em dois meses. Uma abordagem sobre a história da Livraria do Globo a partir de sua produção gráfica, enfatizando os artistas ilustradores que trabalharam na legendária Seção de Desenho da empresa, na primeira metade dos século XX, sob a gerência do designer alemão Ernst Zeuner (1895–1967). Entre eles, alguns dos principais nomes do cenário artístico local: Sotero Cosme (1905–1978), João Fahrion (1898–1970), Edgar Koetz (1914–1969), Nelson Boeira Faedrich (1912–1994), João Faria Viana (1905–1975), João Mottini (1923–1990) e Vitório Gheno (1923).
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Exposição baseada no livro reuniu obras dos artistas, que criavam capas, ilustrações, vinhetas e identidades visuais, num trânsito entre artes visuais, artes gráficas e design.
 Em grande formato (30 x 24 cm), com 656 páginas e 1.368 imagens, o livro tem coordenação editoral, pesquisa e texto de Paula Ramos; produção executiva e produção gráfica de Gilberto Menegaz; reproduções fotográficas de Fabio Del Re e Carlos Stein; projeto gráfico de Sandro Fetter e de Paula Ramos.

SOBRE A LIVRARIA DO GLOBO

Quando se fala em “Globo” nos dias de hoje, pensa-se instantaneamente no conglomerado da área da comunicação estruturado pelo jornalista Roberto Marinho, no Rio de Janeiro. Entretanto, ao longo de décadas, a marca “Globo” esteve relacionada a outro cenário: Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
Surgida em 1883 como uma modesta papelaria junto à antiga Rua da Praia, a Livraria do Globo (mais tarde, Editora Globo) foi não somente uma das mais prósperas empresas sulinas do século XX, como revolucionou o cenário editorial e a linguagem gráfica brasileira. Foi a Globo que traduziu pela primeira vez para o português autores fundamentais como Thomas Mann, Virginia Woolf, Aldous Huxley, Somerset Maugham e William Faulkner. Também foi a Globo que revelou escritores como Erico Verissimo, Mario Quintana, Augusto Meyer e Dyonélio Machado.
Entre seus grandes investimentos editoriais, estão a edição da Comédia humana (1946–1955) de Honoré de Balzac, publicação em 17 volumes considerada um marco editorial brasileiro. A Globo teve mais de dez coleções, todas de imenso sucesso, a exemplo da Coleção Amarela, com os títulos de suspense assinados por nomes como Edgar Wallace e Agatha Christie; a Coleção Universo, com o sempre best-seller Karl May e suas histórias com índios e bandoleiros; a Coleção Nobel, pela qual saíram os principais nomes da literatura internacional, como Marcel Proust, James Joyce e Joseph Conrad; a Coleção Tucano, iniciativa no formato pocket, entre outros vários títulos. Foram mais de dois mil títulos, que fizeram da editora, entre as décadas de 1930 e 1940, a segunda maior do Brasil.
A Globo também publicou revistas: Revista do Globo (1929–1967),  A Novela (1936–1938) e Província de São Pedro (1945–1957), esta última importante veículo de intercâmbio entre intelectuais sulinos e de outras regiões do país.

SOBRE A AUTORA

Paula Ramos (Caxias do Sul, RS, 1974) é crítica e historiadora da arte, professora e pesquisadora do Instituto de Artes da UFRGS, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, atuando nos cursos de graduação em História da Arte e Artes Visuais, bem como no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGAV/UFRGS).
Jornalista de formação (UFRGS, 1996), com Mestrado (PPGAV/UFRGS, 2002) e Doutorado (PPGAV/UFRGS, 2007) em Artes Visuais, ênfase em História, Teoria e Crítica de Arte, tendo realizado Estágio Doutoral junto à Kassel Universität, na Alemanha (2005).
Foi repórter especial e editora da revista Aplauso, publicação voltada à cultura no Rio Grande do Sul, entre 1998, ano de seu surgimento, até 2004. É autora e organizadora de várias obras no segmento das artes visuais, com destaque para: A madrugada da modernidade (Porto Alegre: Editora UniRitter, 2006), A fotografia de Luiz Carlos Felizardo (Porto Alegre: FestFotoPoA, 2011), Beatriz Balen Susin – Transfigurações do real (Porto Alegre: edição do autor/Fumproarte, 2011), Frantz – O ateliê como pintura (Porto Alegre: edição do autor/Fumproarte, 2011), Walmor Corrêa – O estranho assimilado (Porto Alegre: Dux; São Paulo: Livre, 2015). Integrou a Comissão Editorial que coordenou a publicação Pinacoteca Barão de Santo Ângelo – catálogo geral 1910–2014 (Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2015), obra que documenta e historiciza o acervo de 1.485 obras integrantes da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo do Instituto de Artes da UFRGS, uma das coleções públicas mais importantes no segmento de artes visuais no Estado.
Assina várias curadorias de arte moderna e contemporânea, muitas das quais agraciadas com o Prêmio Açorianos de Artes Plásticas – Categoria Curadoria.
Membro do Comitê Brasileiro de História da Arte (CBHA), da Associação Nacional dos Pesquisadores em Artes Plásticas (ANPAP), da Associação Brasileira de Crítica de Arte (ABCA), bem como da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA). Vive e trabalha em Porto Alegre (RS).