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2 de outubro de 2012

Auditório Araújo Vianna ganha cerca contra vândalos e ladrões

Medida aprovada pela prefeitura sofreu repúdio nas redes sociais


Auditório Araújo Vianna ganha cerca contra vândalos e ladrões Fernando Gomes/Agencia RBS
Espaço cultural foi entregue reformado em 20 de setembro, ao custo de R$ 18 milhões Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS
Como quem se tranca em casa acossado pela insegurança, o renovado Auditório Araújo Vianna está aprisionado no Parque Farroupilha (Redenção), na Capital, para ser preservado do vandalismo e de ladrões. O recente cercamento do Auditório Araújo Vianna foi aprovado nos setores cultural e de patrimônio municipais. No entanto, tem causado repúdio nas redes sociais, visto como privatização de um espaço típico de lazer em Porto Alegre.
Como se fossem coxilhas trazidas para o ambiente urbano, os aclives no gramado que leva ao auditório ficaram marcados pelos costumes de seus frequentadores. Tornaram-se locais perfeitos para tomar chimarrão, bater papo com os amigos ou "lagartear" ao sol, inclusive antes, durante e depois dos shows no auditório.
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O espaço fechou as portas por quase sete anos e meio. Quem pensava em retomar atividades de lazer no entorno com a reinauguração, no último 20 de setembro, saiu frustrado. Agora, as pequenas colinas estão isoladas por uma grade. No Facebook e no Twitter, internautas têm se manifestado contra a iniciativa. Usuário do parque desde que se mudou para o bairro Bom Fim, há 45 anos, o engenheiro civil Melvis Barrios Junior, 55 anos, lamenta:
— Eles isolaram uma grande área que é utilizada para lazer pela população. Se a grade é para proteger o prédio, podia ter sido colocada a dois metros dele, deixando livre o gramado. O parque é tombado, como permitiram aquilo?
O secretário municipal da Cultura, Sergius Gonzaga, levanta a possibilidade de que a grade possa ser retirada.
— Assim que uma vegetação a ser cultivada no local cumpra a função de isolar os pontos mais sensíveis, somada à vigilância eletrônica daquele entorno, que deverá estar concluída em 2013, ela sai dali — disse.
Quem trata das questões do patrimônio da cidade são a Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc) e o Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural (Compahc). Ambos aprovaram o cercamento como forma de garantir a preservação dos bens contidos no auditório, em cuja reforma foram investidos R$ 18 milhões, resultado de uma parceria entre a prefeitura e a produtora Opus Promoções.
Diretora da Epahc, Débora Regina Magalhães da Costa defende o cercamento do auditório, situado em uma área considerada "vulnerável". A culpa é dos vândalos e de outros infratores.
— Eu não era favorável ao cercamento do parque. Hoje, eu já sou. Não tem como resguardar. Eu queria que a minha casa não tivesse cerca, que fosse toda aberta. Mas estamos nos gradeando cada vez mais — afirmou.
Autor do projeto original vê arquitetura prejudicada
Criador do projeto original do Araújo Vianna, de 1964, ao lado de Carlos Maximiliano Fayet (1930-2007), o arquiteto Moacyr Moojen Marques concorda com o cercamento. Segundo ele, os taludes permitem o acesso à cobertura do auditório, o que pode levar a danos e acidentes no caso de alguém subir na estrutura. Melhor seria, porém, se não fosse preciso adotar a medida.
— O auditório nunca foi imaginado com cerca. Embora seja uma cerca discreta, ela prejudica muito a arquitetura do prédio. É um elemento que podia não existir. Ele foi necessário por uma contingência nossa. Não havia outra opção — ponderou.

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