Postagem em destaque

Gestão 2009 /2014 combina com Gestão 2017/2019 a entrega do Blog e logo do CMC Porto Alegre

Dia 02/07/2019, às 19:30 h em reunião do CONSELHO MUNICIPAL DE CULTURA DE PORTO ALEGRE realizada na Casa dos Conselhos, sito Av. João P...

3 de outubro de 2012

Ex-auxiliares de engenheiro francês lamentam desfecho do projeto do carro movido a água

Três homens haviam sido escolhidos para ajudar a desenvolver experiência secreta na oficina da Brigada Militar


Ex-auxiliares de engenheiro francês lamentam desfecho do projeto do carro movido a água Mauro Vieira/Agencia RBS
 
Aracy e Sady, ambos com 72 anos, mantinham sigilo do teste Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS
Os sargentos da reserva da Brigada Militar Sady Martins dos Santos e Aracy Luiz da Silva, ambos com 72 anos, lembram com tristeza o fim do projeto de invenção do "carro a água". Torneiros mecânicos responsáveis pela usinagem de peças para conserto de carros de bombeiros, os dois foram escolhidos – com um outro colega – para auxiliar Chambrin a desenvolver a experiência sigilosa na oficina da Brigada Militar.
Depois de 30 anos lacrada por "ordens de Brasília", a oficina, que fica no bairro Santa Cecília, em Porto Alegre, foi reaberta na terça-feira.

— A gente fazia as peças que ele pedia, mas tudo era em segredo absoluto. Tinha ordem de não contar nada para ninguém. Nem para a família — recorda Sady.

Ele lembra que um dos caminhões no qual foi montado o reator Chambrin para a experiência rodava com frequência, buscando alfafa em Feliz, no Vale do Caí, para alimentar cavalos do 4º Regimento de Polícia Montada, na Capital.

O sargento diz ter dúvidas se o projeto prosperaria com sucesso, pois estava em uma fase de testes, mas lamenta a falta de continuidade. Ele diz que os atritos com o governo começaram quando técnicos de Brasília vinham participar de testes com os veículos e apontavam falhas.



— Ele (Chambrin) dizia que estariam fazendo chantagem. Poderia ser um projeto viável, mas quem domina o mundo é o petróleo — conta.

— Nosso objetivo era fazer funcionar os veículos em 100%, mas não conseguimos. Eu acreditava no projeto, mas vieram ordem de cima para parar com tudo — acrecenta Aracy.

Para ele foi um choque chegar para o trabalho em uma manhã de dezembro de 1982 e encontrar as portas fechadas, com colegas de fuzil em punho, barrando a passagem. Sady conta que ficou, assim como os outros dois colegas, uns três meses sem atividade, só cumprindo horário no quartel, até "segunda ordem".

Em meados de 2000, já aposentado, Sady diz ter sido chamado à Secretaria Estadual de Minas e Energia, comandada pela atual presidente da República, Dilma Rousseff, para falar sobre o projeto. Foi recebidos por técnicos, explicou o que sabia, mas nada teria ido além da conversa.

 Confira a reportagem veiculada em setembro do ano passado

ZERO HORA