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9 de abril de 2013

Até agora não consegui me apropriar de tudo", diz secretário municipal de cultura

Roque Jacoby assumiu o cargo em janeiro de 2013

"Até agora não consegui me apropriar de tudo", diz secretário municipal de cultura Tadeu Vilani/Agencia RBS

Roque Jacoby foi secretário estadual da Cultura no governo Rigotto 
 Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS
Fábio Prikladnicki

Ex-titular da pasta da Cultura do governo Rigotto, entre 2003 e 2006, Roque Jacoby (DEM) assumiu a Secretaria Municipal da Cultura em janeiro de 2013. Um de seus desafios é revitalizar a Usina do Gasômetro _ uma reivindicação dos próprios artistas, que têm um projeto de torná-la uma fundação cultural. Outro é o Teatro de Câmara Túlio Piva, cujo teto cedeu em uma noite chuvosa, durante a apresentação de uma peça, em 2012. Nesta entrevista, realizada em seu gabinete, o secretário fala sobre os projetos que pretende realizar com o orçamento de R$ 48 milhões anuais da pasta, dos quais metade vai para o custeio.


Zero Hora – O senhor já está a par das principais demandas da comunidade cultural?

Roque Jacoby – Confesso que até agora não consegui me apropriar de tudo na secretaria. Temos aí determinadas situações que precisam ser resolvidas. Uma delas é a situação da Banda Municipal, que requer todo um trabalho de restruturação, de contratação, tem que haver um concurso para que ela possa ter seu quadro completo. O projeto da concessão do Araújo Vianna foi ótimo porque revitalizou o auditório, mas deixou a Banda desamparada. Os ensaios estão ocorrendo no (Teatro de Câmara) Túlio Piva, mas precisamos encontrar um local definitivo.


ZH – Como o senhor pretende revitalizar a Usina do Gasômetro?

Jacoby – O meu sonho, nesta gestão, é tornar novamente a Usina do Gasômetro uma referência, um ícone moderno da cultura de Porto Alegre. A partir deste ano, a Bienal do Mercosul de Porto Alegre vai se instalar na Usina. Temos como meta para este ano a recuperação da Usina. O grande acervo da pinacoteca da Aplub, com mais de 800 obras, será levado para lá, em um espaço definido, com reserva técnica. Ou seja, além de todas as atividades, a Usina terá uma pinacoteca de primeiríssimo nível. Outro projeto, que não depende só da (Secretaria de) Cultura, é dar início à implantação do sambódromo. A outra meta é reformular, modernizar e fortalecer o Fumproarte. É um fundo que completa 20 anos em 2013. Nesse período todo, ele não foi atualizado. Está requerendo uma série de modificações ou melhorias para torná-lo mais eficaz: a própria comissão que escolhe os projetos, o valor, a abrangência, contemplar novas modalidades.


ZH – O senhor tem planos para uma reforma do Teatro de Câmara Túlio Piva, na Cidade Baixa?

Jacoby – Tenho. Demolição. E construir um novo. Não tem outra saída. Só que isso requer recursos. Aquele prédio está afundando. Não é uma posição minha, é uma orientação de uma proposta que recebi do nosso coordenador de memória, o (Luiz Antônio Bolcato) Custódio, um arquiteto que conhece bem o assunto. Ele entende que é muito mais econômico demolir e construir uma coisa moderna do que tentar remendar coisas que não terão solução. Só que isso não vou poder fazer agora, tenho outras prioridades. Mas eu vou dar esse encaminhamento, até por respeito ao Túlio Piva. É um prédio que está bem usado, bem gasto.


ZH – E o teatro Elis Regina, na Usina do Gasômetro?

Jacoby – O teatro Elis Regina está parado há dois anos. Não me pergunte por quê, eu também não sei explicar. O que decidimos é que vamos utilizar o espaço da forma como está para a Bienal. Nesse ínterim, estamos buscando a solução para sua complementação. Não sei definir exatamente qual será a forma. Parado não vai ficar.


ZH – A prefeitura tem à disposição 25% da programação anual do Auditório Araújo Vianna. Como pretende utilizar essas datas?

Jacoby – Não estamos aproveitando todas as datas disponíveis porque requereria uma capacidade de investimento que não temos. Quando a secretaria necessita usar o espaço, tem alguns compromissos previstos em contrato que acabam gerando um ônus um pouco elevado. Quando nós aproveitarmos o espaço, os eventos serão sempre gratuitos. Estamos perseguindo uma forma de patrocínio – já temos até a empresa que demonstrou interesse – para os custos que o auditório exige quando a secretaria utilizar os espaços: manutenção, guarda. Isso é caro.


ZH – Que outros projetos o senhor tem para sua gestão?

Jacoby – O prefeito me autorizou a perseguir um modelo de lei de incentivo à cultura do município. Já estou vendo modelos de outros municípios. Existe aqui um projeto, uma lei que foi engavetada. Queremos retomar isso a partir do ano que vem, para que Porto Alegre, além do Fumproarte, do Funcultura e do próprio orçamento da secretaria, tenha esse novo mecanismo que vai abrir a possibilidade de mais projetos de cultura no dia a dia do cidadão. Será até o final do ano que vem, assim espero.
ZERO HORA