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5 de fevereiro de 2014

Calor castiga artistas e público em Porto Alegre

Sem infraestrutura adequada para lidar com o calor recorde, teatros de Porto Alegre são obrigados a cancelar espetáculos


Calor castiga artistas e público em Porto Alegre Tadeu Vilani/Agencia RBS
Funcionários carregam o climatizador para tentar amainar temperaturas no Teatro Renascença Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS
Peças de teatro, shows e outros eventos culturais estão sendo prejudicados ou cancelados na Capital devido à incapacidade de espaços nobres como o Centro Municipal de Cultura e a Casa de Cultura Mario Quintana para enfrentar as altas temperaturas deste verão.
Equipamentos de climatização antigos, com pouca capacidade ou falta de manutenção transformam palco e plateia em caldeirões onde artistas e público chegam a passar mal.
A disparada nos termômetros – que já levou a uma série de nove dias de calor intenso e igualou a sequência registrada em 2010 (recorde desde o início das medições em 1910) –, revela as falhas de infraestrutura. Em um show do cantor Nei Lisboa no Renascença, no Centro Municipal de Cultura, semana passada, artista e fãs suaram em bicas devido ao enguiço do ar-condicionado central – tão velho que faltam peças para reposição. O escritor Luis Fernando Verissimo e sua mulher, Lúcia, enfrentaram o calorão.
– De vez em quando vinha um ventinho, mas não se pode dizer que estava confortável. O próprio Nei estava destilando. É uma vergonha – diz Lúcia.
O aquecimento chega a afetar a saúde dos artistas: o diretor teatral Bob Bahlis teve de ir para casa pouco antes de uma apresentação da peça O Clube dos Cinco na sala Álvaro Moreyra, dia 22 de janeiro.
– Minha pressão baixou, comecei a passar mal e tive de ir embora – lamenta.
A situação piorou na sexta passada após a apresentação do espetáculo Stand Up Drama (também dirigido por Bahlis) na sala 504 da Usina do Gasômetro. Com o ar-condicionado pifado, os atores concluíram a apresentação extenuados. Foram canceladas as duas sessões do final de semana, e outras duas peças foram riscadas da programação por falta de condições térmicas nesse local. Reclamações foram registradas ainda nos teatros Bruno Kiefer e Carlos Carvalho da Casa de Cultura Mario Quintana, onde os aparelhos nem sempre dão conta da demanda.
– São problemas crônicos causados pela antiguidade das estruturas que nós temos na Capital. Enquanto aumentou a produção artística nos últimos anos, perdemos espaços como os teatros da Ospa, do IPE, o Clube de Cultura. Aumenta o uso dos demais teatros públicos, e não há nem tempo para fazer manutenção adequada – analisa o diretor de Artes Cênicas do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos (Sated/RS), Camilo de Lélis.
Um dos responsáveis pelo Porto Verão Alegre, projeto que oferece espetáculos durante a estação, o ator Zé Victor Castiel lastima os problemas e diz que os grupos envolvidos foram orientados a cancelar as peças quando não houver condição adequada. Ele prevê mudanças para o ano que vem:
– Vamos discutir o que podemos fazer para melhorar, nem que seja reduzindo o número de atrações.
CONTRAPONTOS
O que diz o coordenador de Artes Cênicas da Secretaria Municipal da Cultura, Breno Ketzer Saul
Segundo Saul, o Renascença e a sala Álvaro Moreyra contam com sistema de ar central com cerca de três décadas de uso, antigo demais para ser devidamente reparado. Estão sendo instalados três aparelhos split de forma emergencial para o Renascença, onde a situação é mais grave. Entretanto, a solução definitiva só virá com um projeto de reforma de R$ 2 milhões que contempla uma nova rede elétrica e um novo sistema de climatização no Centro Municipal de Cultura, onde os espaços estão localizados. A verba, porém, ainda não está garantida. Na usina, o sistema de ar-condicionado também estragou, sem previsão de conserto.
O que diz a assessora da direção da Casa de Cultura Mario Quintana, Leila Mattos
A assessora informa que o prédio está em reforma na parte externa e, em um segundo momento, a partir de março ou abril, está previsto o início de obras para melhorias internas que incluem iluminação e climatização. Leila explica que os teatros Bruno Kiefer e Carlos Carvalho contam com ar-condicionado, mas que nem sempre são capazes de dar conta do calor conforme a temperatura e a lotação dos locais. Uma das razões para isso é a necessidade de uma limpeza nos equipamentos para recuperar parte de sua capacidade – que já foi solicitada a uma empresa terceirizada, mas até ontem não havia sido realizada.
SEGUNDO CADERNO