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25 de março de 2013

Reciclagem de aprendizado

Estudantes de universidade dos EUA passaram uma semana trabalhando voluntariamente no Centro de Educação Ambiental da Vila Pinto, na Capital


Reciclagem de aprendizado Mateus Bruxel/Agencia RBS
Sophia (D) veio dos EUA para ajudar no serviço Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS
Por cerca de quatro horas, a recicladora Sandra Mara Mendes, 43 anos, e a estudante de Antropologia da Universidade de Massachussetts, nos Estados Unidos, Sophia Grimm, 23 anos, dividiram a mesa de separação de lixo, no Centro de Educação Ambiental da Vila Pinto (CEA-Vila Pinto), no Bairro Bom Jesus, na sexta-feira passada.
Assista a imagens da interação:

Aluna de um curso supletivo de Ensino Fundamental, Sandra arriscou as primeiras palavras em inglês. E não se acanhou: contou os números até dez e a saudou na língua estrangeira. E foi "aprovada":
- Adorei falar com a Sophia, pois amo inglês.
Mais de 150 se inscreveram
Pela primeira vez na vida separando lixo manualmente, Sophia não se intimidou. Mesmo falando apenas "obrigado" e "cuidado" em português, a jovem fez questão de aprender a selecionar o material. Ela e outros dez estudantes - EUA (sete), Guatemala, Cabo Verde, Colômbia e Brasil - aproveitaram as férias para trocar experiências.
Quem teve a iniciativa foi a brasileira Franci da Luz, 25 anos, de Criciúma, que vive há 18 nos EUA e está se formando em Psicologia:
- Queria mostrar um outro Brasil, longe do Rio e da Bahia. Mais de 150 estudantes se inscreveram!
Durante uma semana, os jovens desenvolveram atividades com mais de 200 crianças e adolescentes inscritos na instituição. Aulas de yoga, inglês, basquete e artes fizeram parte do cronograma.
Mas quem aprendeu mais? A colombiana Maritza Merino, 21 anos, estudante de Comunicação, garante:
- Vi que aqui tudo é feito com amor. Fiquei impressionada com a educação das crianças.
Exemplo a estudantes
Ao lado da cabo-verdiana Teresa Pina, a recicladora Carmem Lucia Araújo, 42 anos, tentava manter um diálogo de sinais com a voluntária. Em minutos, as duas já sorriam. Teresa aprendeu a separar plásticos e papéis reutilizáveis.
- Não é difícil para nos entendermos. O que não falamos, fazemos sinais. Toda a troca de cultura e de experiência é válida - afirmou Carmem.
- É muito importante saber como as pessoas vivem em outros lugares. O que eles fazem aqui serve de exemplo para nós - destacou Teresa.
Entusiasmo contagiante
Para a presidente do CEA, Marli Medeiros, a participação dos estudantes estrangeiros trouxe novas perspectivas. É a primeira vez que representantes de uma universidade dos EUA vivenciam a experiência do Centro - descobriram o trabalho da instituição por meio de reportagens publicadas na internet.
- Já tem criança dizendo que quer chegar à universidade para também viajar como eles. Vamos sentir saudades de todos - disse Marli.
Sophia já projeta a volta em 2014, para aprender português:
- Na escola, aprendi sobre a Bahia e o Rio de Janeiro. Mas adorei a experiência aqui.

DIÁRIO GAÚCHO