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23 de julho de 2013

Cultura é um bom negócio?

VIA CULTURA E MERCADO:

Os últimos 15 anos marcaram o forte crescimento da arte contemporânea no Brasil e seu reconhecimento no mercado internacional.
Foto: Shannon Clattenburg A criação da Bienal do Mercosul em 1997, o sucesso da 24ª Bienal de São Paulo, com ampla repercussão internacional que lhe devolveu seu lugar de destaque no circuito internacional de mostras institucionais (Documenta Kassel, Bienal de Veneza entre inúmeras outras) depois de alguns anos de crise, a implementação de novos museus e espaços culturais como os Centros Culturais Banco do Brasil em Brasília (2000) em São Paulo (2001), o Museu Afro Brasil (2004), Museu Oscar Niemeyer em Curitiba (2002), Estação Pinacoteca (2003), Instituto de Arte Contemporânea (2006), os diversos Centros Culturais da Caixa Econômica, entre outros impulsionaram também a circulação e difusão da arte contemporânea pelo Brasil (ou pelo menos em alguns estados do Brasil).
Paralelamente, novas galerias e uma feira de arte foram criadas, na década de 2000. Segundo os resultados da Pesquisa Setorial Latitude 2012, iniciativa da ABACT (Associação Brasileira de Arte Contemporânea) em parceria com a Apex-Brasil e coordenada pela Dra. Ana Letícia Fialho, o número de galerias de arte contemporânea criadas entre 2000 e 2010 dobrou em relação à década anterior, inserindo no mercado um maior número de artistas, inclusive jovens.  A SP-Arte se tornou a maior feira de arte contemporânea da América Latina, atraindo compradores de outros continentes. Nesse contexto efusivo, a ABACT é fundada em 2007 com objetivos de, promover e fomentar a promoção da arte contemporânea assim como ampliar seu mercado no Brasil e exterior.
Para a ABACT, a cultura – estamos falando aqui precisamente da arte contemporânea – é uma atividade criativa e empreendedora, que para SE TORNAR UM BOM NEGÓCIO, precisa ser organizada, planejada, visando o retorno financeiro.
O que determina o sucesso de um projeto vai além do mérito e do valor cultural agregado. É essencial ter em mente as oportunidades do mercado e a potencialidade do projeto. Além do planejamento adequado do projeto inscrito em leis de incentivo, há as expectativas das empresas patrocinadoras que muitas vezes enxergam o patrocínio como uma ferramenta de marketing, de estratégia para seus negócios; há os parceiros e colaboradores que trabalham, na maioria das vezes, numa dinâmica transversal; o público de interesse do projeto, diferente do público de interesse do patrocinador.
No caso da arte contemporânea, a Lei Rouanet e as leis municipais (em São Paulo, o PROAC) são as principais leis de incentivo que permitem a viabilização de projetos.  No entanto, as empresas não devem tratar os investimentos permitidos pelas leis de incentivo como ação de marketing, patrocinando ações isoladas e/ou pontuais, que geralmente se esgotam em si mesmas.  Para que esses investimentos se desdobrem em "um bom e duradouro negócio", devem ser compreendidos pelas empresas como algo essencial para a vida empresarial, uma forma de retornar à sociedade a atenção recebida fazendo com que as comunidades onde estão inseridas as percebam de forma positiva, o que alguns apelidam de cidadania corporativa. Investir em capacitação, reflexão, produção e circulação de espetáculos, de obras e exposições ao invés de projetos pontuais são alternativas válidas, pois mobilizam um público mais amplo, incentivando a economia da cultura e promovendo a participação, a inclusão e a democratização.
Vale ressaltar que apesar de reconhecida por sua importância como instrumento de integração, de difusão dos valores de tolerância, de igualdade e de solidariedade para construção de uma identidade `nacional´, a cultura no Brasil ainda hoje enfrenta uma enorme dificuldade de ser reconhecida como um segmento econômico expressivo, seja pelo Governo, pelo meio empresarial e até por parte da sociedade civil. Em alguns países, ela chega a representar 6% do PIB. Portanto, mãos à obra, pois temos ainda muito que fazer para nos transformamos num mercado cultural expressivo e economicamente sustentável.
SOBRE A ABACT
Associação sem fins lucrativos criada em 2007, a ABACT hoje reúne 44 galerias de mercado primário, representando cinco estados brasileiros, diretamente envolvidas no desenvolvimento da carreira de seus artistas. Tem como missão ampliar o intercâmbio cultural, promover ações para profissionalização e desburocratização do mercado e fomentar o diálogo e educação em torno do setor de arte contemporânea no Brasil, valorizando as diferentes etapas de produção e seus responsáveis.